Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Metodologia promissora - Cultivo de células tridimensionais ajuda a desvendar metástase do câncer de mama

Por Marina Verjovsky

16/06/2009

 

Um grupo pertencente ao Programa de Oncobiologia desenvolve uma nova metodologia para estudar a metástase do câncer de mama. A equipe do Laboratório de Biologia Celular Aplicada à Medicina, coordenado pela pesquisadora Isabel Rossi, busca entender como essas células cancerosas interagem com células de medula óssea tridimensionais – local onde ficam protegidas dos efeitos dos quimioterápicos para depois invadirem outros tecidos.

 

“Já tem sido demonstrado há alguns anos a presença de células tumorais do câncer de mama na medula de pacientes e isso é cada vez mais correlacionado com o aumento de mortalidade e um pior prognóstico”, explica a doutoranda Ana Paula Dantas, que recebeu o prêmio de melhor pôster com este trabalho no II Simpósio de Oncobiologia, no ano passado. “A micrometástase destas células para a medula é muito importante, pois acreditamos que este local seja um santuário na sustentação da célula tronco tumoral, onde permanecem latentes”.

 

No mestrado, Ana Paula estabeleceu o novo modelo de cultivo de células da medula em estruturas tridimensionais (não aderidas em placa), que é muito mais próximo do modelo fisiológico que ocorre no organismo humano. “As células cultivadas na garrafa mudam de formato, ficam mais espalhadas e criam fibras de estresse (situação que não acontece in vivo), o que provoca mudanças nas vias de sinalização e expressão gênica. Já as tridimensionais constroem microambientes mais apropriados, que se aproximam do que vemos no organismo, sem a complexidade do tecido in vivo”.

 

O grupo já observou, em resultados preliminares, que três linhagens de células de tumores de mama realmente invadem o tecido tridimensional. O próximo objetivo do grupo é identificar como ocorre esse processo e as diferenças entre tumores invasivos e não invasivos. “A partir do momento que entendermos o que as células cancerosas precisam para invadir, poderemos estudar formas de retirar isso delas”, acrescenta Ana Paula. “Nosso sonho é poder um dia deslocar essas células desses nichos específicos, tornando-as susceptíveis à quimioterapia e, assim, impedir uma futura metástase ou reaparecimento da doença”.

 

                                    

A biomédica Ana Paula Dantas, aluna de doutorado do Programa de Ciências Morfológicas da UFRJ e autora do trabalho.

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