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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Câncer de tireóide - O papel de enzimas na malignidade

Por Marina Verjovsky

03/05/2009

 

Será que o aumento da atividade e expressão da enzimas tireoideanas específicas está relacionado ao câncer de tireóide? Esta é uma das perguntas que a fisiologista Luciene de Carvalho Cardoso procura responder em seu pós-doutorado, agraciada com a bolsa Pró-Onco Vivi Nabuco. A pesquisadora estuda a fisiologia da tireóide desde a iniciação científica, sob orientação da pesquisadora Denise Pires de Carvalho, do Laboratório de Fisiologia Endócrina Doris Rosenthal, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ.

 

As enzimas alvo do projeto são conhecidas como Duox 1 e 2, responsáveis pela produção de peróxido de hidrogênio e fundamentais para a produção adequada dos hormônios tireoideanos. O projeto de Luciene pretende avaliar a geração de peróxido de hidrogênio em linhagens celulares tumorais tireóideas e analisar o controle da expressão dessas enzimas, através de estudos da regulação do promotor de Duox 2 por hormônios e fatores de transcrição. O objetivo é identificar se existem diferenças na atividade e expressão dessas enzimas, para cânceres mais ou menos agressivos. Para isso, a equipe também conta com um banco de tumores de tireóide em colaboração com Serviço de Endocrinologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, chefiado pelo médico Mário Vaisman.

 

A equipe de Denise Pires e Luciene Cardoso está caracterizando, nas células tumorais, o promotor dessas enzimas. Porém, as pesquisadoras ainda não sabem se o aumento da expressão delas estaria relacionado á malignidade do tecido. “Caso isso ocorra, teoricamente poderíamos, no futuro, atuar com a terapia gênica para inibir este promotor e controlar o estágio do câncer nas células”, explica Luciene. “E o contrário também poderia ser feito para o hipotireoidismo”.

 

No entanto, é difícil prever qual seria essa relação, uma vez que no câncer algumas proteínas deixam de ser expressas e ficam menos ativas (com a perda de suas funções), ou até mais ativas - o que levaria à maior produção de peróxido de hidrogênio e de radicais livres que danificariam o DNA. “É difícil trabalhar com humanos porque cada paciente apresenta uma resposta diferente”, explica a fisiologista. Porém, em resultados preliminares, ela já observou que alguns pacientes com cânceres menos agressivos têm produção de peróxido de hidrogênio alterada (menor que o controle).

 

“Agora, esperamos conseguir um número de pacientes suficiente para responder às nossas perguntas e que consigamos identificar pelo menos alguma característica diferente entre os pacientes com diferentes tipos de câncer”, conta Luciene. “Buscamos estabelecer o que é normal ou anormal na produção do peróxido de hidrogênio, na expressão da enzima e na regulação de seu promotor. Assim, as ferramentas bioquímicas e moleculares poderiam atuar, junto com os médicos e patologistas, para complementar o diagnóstico dos pacientes no futuro”.

 

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