Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Na fronteira entre rotina e pesquisa de ponta

A busca pela compreensão das características específicas de pacientes com leucemia mielóide crônica acabou conduzindo os pesquisadores da Divisão de Laboratórios do Centro de Medula Óssea (Cemo), do Instituto Nacional do Câncer,  a uma descoberta fundamental: os pacientes com esta leucemia têm
22 proteínas que são inexistentes em doadores sadios e estes têm outras nove proteínas que são imperceptíveis nos pacientes. Algumas destas proteínas encontradas, como a BP53 ou a BCLW protegem o organismo contra a formação de tumores. Ou seja, os pesquisadores do Inca encontram proteínas intimamente relacionadas à
leucemia. 
Eliana Abdelhay, coordenadora da Divisão e pesquisadora do Programa de Oncobiologia do ICB/UFRJ, explica que foram estudados 27 pacientes com leucemia e 27 doadores sadios e que os dados são tão representativos que foram publicados na Revista "Biochimica et Biophysica Acta" (BBA) neste ano. 
Os estudos da Divisão de Laboratórios do Cemo envolvem, principalmente, linhas de investigação de genes de desenvolvimento e biologia molecular da leucemia. São cerca de 80 profissionais distribuídos em seis diferentes laboratórios que atuam desde a rotina laboratorial dos pacientes atendidos pelo Cemo até a fronteira da investigação científica. 
Um bom exemplo de estudo estratégico neste campo aponta para as pesquisas de marcadores biológicos dos pacientes com leucemia mielóide crônica, em evolução ou em fase blástica e aqueles tratados com Gleevec, a droga de última geração muito utilizada nesses casos, ou que tenham resistência a este medicamento. Neste campo, o grupo também conquistou importante descoberta. 
As investigações empreendidas no Inca mostraram que os pacientes na fase aguda ou blástica apresentam uma inibição geral da produção de proteínas. Porém, uma única proteína se destaca por ser superexpressa. Curioso notar que a proteína que aparece de forma exagerada, identificada como NuMA,  esta intimamente relacionada a divisão celular. Portanto, a proteína envolvida com a divisão celular está ativada na fase grave da doença e quase todas as outras estão ausentes ou inexpressivas. Abdelhay explica ainda que a ação do Gleevec é exatamente manter o esquema das proteínas presentes no organismo do paciente
em fase crônica, evitando que ele entre na fase blástica e isto pode ser notado no padrão obtido de pacientes em tratamento que mostra um retorno no nível da NuMA. 
Os estudos de Abdelhay e seu grupo visam identificar marcadores de fase crônica ou blástica da leucemia e, desta forma, auxiliar médicos e especialistas para evitar as fases agudas da doença. 
Além da proteômica, o grupo do Inca ainda estuda o transcriptoma, que procura os transcritos que ocorrem na passagem do DNA para o RNA. Neste campo, estudaram um mesmo paciente em fase crônica e blástica da leucemia mielóide e verificaram que alguns transcriptos foram inibidos na fase blástica devido a superexpressão de genes como os da família Polycomb. Um deles é o SUZ12. Em síntese, o grupo do Inca está debruçado em desvendar um intricado mundo de genes e vias de sinalização que possam ser utilizados
como marcadores biológicos das fases crônicas e blástica da doença. A idéiaé aproximar a pesquisa da clínica e contribuir para o diagnóstico, prognóstico e desenho de novas drogas contra a leucemia mielóide. 
Segundo as Estimativas de Incidência de Câncer no Brasil para 2006, publicadas pelo Inca, as leucemias atingirão 5.330 homens e 4.220 mulheres este ano. Cerca de 20% do total de casos de leucemia são do tipo mielóide.

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