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Novo vetor para terapia gênica contra o câncer - Adenovírus com dois genes reguladores do ciclo celular promete avanços na área

Por Marina Verjovsky

Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram, ao longo de três anos, um Adenovírus capaz de carrear dois genes supressores de tumor (p16 INK4A e p53) para dentro de células cancerosas. A pós ser injetado localmente, o vetor foi capaz de eliminar, em apenas seis dias, 78% do volume tumoral (derivado de células de carcinoma de pulmão humano) desenvolvido no subcutâneo de camundongo . Ensaios em cultura mostraram, três dias após o tratamento, a morte de praticamente 100% dessas células, que passaram a expressar os genes inseridos e a produzir as proteínas reguladoras.

O trabalho, ainda não publicado, foi apresentado durante a XXIª Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe) pela geneticista Eugenia Costanzi-Strauss, do Departamento de Biologia Celular da USP. A pesquisadora conta que já existem descrições de experimentos que utilizam co-infecção de um vírus com p16INK4A e outro com p53. "Porém, o Adenovírus bicistrônico aumenta a  eficiência do tratamento, pois garante a entrega e expressão simultânea de ambos os candidatos a genes terapêuticos e fornece outra opção à célula caso um deles não funcione", garante . Outro ponto vantajoso é que seria mais barato, no futuro, o tratamento com um do que com dois vetores.

A geneticista explicou que esses genes controlam a proliferação das células cancerosas, pois regulam o seu ciclo de divisão e induzem o processo de envelhecimento e morte celular. Entre os principais genes supressores de tumor com potencial terapêutico destacam-se os p53, p16INK4A, p21WAF1/CIP1, Rb e p14ARF, entre outros, que são utilizados em cerca de 18% dos protocolos clínicos experimentais de terapia gênica voltados ao tratamento de pacientes com câncer, segundo dados estatísticos fornecidos em janeiro pelo Journal of Gene Medicine . Desses protocolos, mais de 44% empregam o gene p53 e um com o p16INK4A foi recentemente aprovado.

Costanzi-Strauss acrescenta que o novo método poderia ser ainda mais eficiente se associado às terapias tradicionais (radio e quimioterapia), uma ótima alternativa aos pacientes que sofrem de cânceres alojados em órgãos vitais - que não podem ser removidos cirurgicamente. Essa associação diminuiria, inclusive, a dose necessária das tóxicas terapias convencionais. "S e os resultados se reproduzirem em humanos promoverão um forte impacto acadêmico, quanto à possibilidade de remediação do ciclo de divisão celular", afirma. "E realizarão o sonho de aplicar os conhecimentos da genômica e da biologia celular em prol da saúde da população".

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