Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Pegar sol previne câncer

Raios solares da manhã e final da tarde protegem contra melanoma
Por Manuella Soares

Por que os pescadores e marinheiros, que se expõem muito mais ao sol do que a população que trabalha na cidade, tem menor incidência de câncer de pele? Esta pergunta instigou pesquisadores do Instituto de Biofísica da UFRJ, que encontraram uma possível resposta num ditado popular: esses profissionais parecem ser protegidos por começarem a
trabalhar muito cedo.

As pesquisas, coordenadas por Salatiel Menezes de Souza, demonstraram que a exposição à luz solar nos períodos de 6h às 10h e das 15h às 18h, pode ser uma prevenção natural contra os raios nocivos de UVB (que produz o câncer de pele do tipo melanoma). Nesse período, o raio UVB é absorvido pelas moléculas de ozônio presentes na atmosfera e, portanto, não causa danos. Segundo Souza, nas primeiras horas da manhã, apenas há exposição aos raios infravermelhos, que não causam nenhum dano às células e ainda podem "alertá-las" para a produção da proteína p53, conhecida como a guardiã do genoma humano.

Mas para essa proteína protetora ser produzida, é necessário um tempo de exposição a esses raios. Com a ajuda de um equipamento chamado "monocromador", a equipe conseguiu reproduzir a irradiação de raios solares em células humanas cultivadas em laboratório. Assim, eles viram que os efeitos do UVB na pele serão praticamente anulados quando as células são expostas durante algumas horas ao sol "benéfico" três horas antes de entrarem em contato com os raios nocivos dos horários de 'pico' (geralmente de 11h às 14h). No entanto,se recebem os dois tipos de raios ao mesmo tempo, a proteção natural da pele é muito menor e o risco do desenvolver câncer de pele aumenta enormemente.

Proteínas protetoras- A proteína p53 controla cerca de outras 100 proteínas. Quando um
agente agressor atinge a célula, essa proteína se multiplica e ativa outras 50 proteínas, cuja função exclusiva é tratar lesões produzidas pelo sol. Elas diminuem o metabolismo da célula e a sua velocidade de divisão. E é exatamente quando a célula está se dividindo que lesão do DNA é fixada. A proteína p21, uma das ativadas pela ação do sol sem a presença de UVB, chega a 'parar' a divisão celular na pele. O que dá tempo para a ação de outras proteínas cuja função é retirar a lesão e refazer o DNA normal das células.

O câncer dos melanócitos, células responsáveis pela cor da pele, é extremamente perigoso. Nos demais tipos de câncer de pele conhecidos, em 99,9% o tratamento tem êxito. No caso do melanoma, ao contrário, a metástase é extremamente fácil, especialmente quando atinge os tecidos brancos encontrados no cérebro, rins, bexiga e intestino, com índice de mortalidade em torno de 90%, na média dos órgãos afetados. Quando os médicos identificam a doença - muitas vezes uma pontinha preta no corpo que a pessoa confunde com um sinal -, o melanoma já esse encontra em metástase adiantada.

design manuela roitman | programação e implementação corbata