Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Corrente elétrica contra células tumorais

Acaba de ser desvendado o mecanismo de funcionamento da aplicação de corrente elétrica de baixa intensidade in vitro . A pesquisadora da Faculdade de Farmácia da UFRJ e do Programa de Oncobiologia/ICB, Carla Holandino Quaresma, e seu grupo conseguiram determinar os efeitos dos pólos positivo e negativo em células tumorais mantidas em cultura.

Carla Holandino estuda o mecanismo de ação da corrente elétrica sobre células tumorais desde 1994 e acaba de descobrir que o pólo positivo induz à morte celular programada (fenômeno conhecido como apoptose), enquanto que as células estimuladas pelo pólo negativo sofrem morte por necrose, tendo como produto disto à lise celular. Os resultados do grupo da UFRJ foram parar nas páginas da revista científica Cell Biochemistry Biophysics de 2005.

O experimento - O primeiro passo foi a escolha do tipo de eletrodo, sendo a platina a eleita. Posteriormente, foram escolhidos os tipos celulares: mastocitomas de camundongos e linhagens de células tumorais humanas com resistência a múltiplas drogas (fenômeno conhecido como MDR). Estas foram selecionadas por serem células em suspensão e não aderidas. Definidas as linhas mestras, o grupo passou a testar a corrente elétrica nestas células mantidas em cultura.

Ao verificar que havia um processo acentuado de apoptose ou redução na proliferação das células tumorais, os pesquisadores se empolgaram com os resultados e partiram para descobrir o modo de funcionamento do mecanismo. Acabaram encontrando-o ao desenvolver um modelo bem simples onde inseriram células tumorais que, em contato com a corrente elétrica de apenas um dos dois pólos (ânodo ou cátodo), apresentavam uma resposta: a morte ou a inibição do crescimento

Disseminação da terapia - Até então, os cientistas envolvidos com experimentos de eletroterapia em câncer adotavam um modelo in vivo com pacientes. Os primeiros resultados da eletroterapia em câncer humano apareceram em 1978. Eles foram demonstrados pelo professor Xin Yu-Ling, em Beijin. O método começou a se espalhar pela China a partir de 1987, quando o Professor sueco Björn Nordenström ministrou uma série de cursos para o aperfeiçoamento dos médicos. Entre 1988 a 1993, os 42 cursos oferecidos possibilitaram a formação de 1.336 médicos de 969 hospitais chineses.

Entre o final da década de 80 e o início da década seguinte, iniciavam-se as pesquisas in vivo em grande escala: a metodologia foi, então, aplicada em 2.516 pacientes com diferentes tipos de câncer em estágio avançado e que já haviam sido submetidos a outros tipos de terapia sem sucesso. Os resultados demonstraram que em cerca de 10% dos pacientes o tratamento foi ineficiente; 84,3% sobreviveram por um ano, 79,1% tiveram uma sobrevida de dois anos, 63,5% por três anos, 57,8% por quatro anos e 46,6% por cinco anos.

No Brasil - A metodologia mais empregada no país é a associação entre a eletroterapia e a quimioterapia, mesmo assim são poucos os centros que a empregam. Não há estatísticas sobre o uso da terapia no Brasil e o estudo da UFRJ é uma importante contribuição à pesquisa mundial sobre os mecanismos de ação envolvidos com a atividade antitumoral de correntes elétricas.

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