Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Radiografia do fundo do mar

Um estudo sobre os mecanismos de indução de tumores por poluentes em um modelo animal está nas mãos do pesquisador Mauro de Freitas Rebelo, do Laboratório de Radioisótopos, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e do Programa de Oncobiologia do ICB/UFRJ. Mauro e sua equipe estão imersos tanto na baía de Guanabara como na de Sepetiba, no Rio de Janeiro. Três tipos de moluscos bivaldes (em formato de concha) estão na mira dos pesquisadores. São eles os mexilhões Perna perna , as ostras Crassotrea rhizophorae e o marisco Nodipecten nodosus.
O estudo, que começou em 2001, observa danos à P53 causados pelos poluentes. Esta proteína, a P53, tem entre as suas funções o reparo de DNA, quando é possível, ou promoção da apoptose (morte celular programada), quando identifica dano irreparável ao DNA.
Este trabalho de química ambiental com biomarcadores investigará a fundo os poluentes cádmio, benzopireno e dioxina. O benzopireno é um dos componentes do petróleo e no Rio de Janeiro, além de encontrado nas baías, também polui o Rio Paraíba do Sul.
Mauro, de volta há pouco tempo de um Pós-Doutorado na Università Degli Studi Del Piemonte Orientale, Itália, explica que estudos na Europa sobre a ação dos poluentes em ambiente marinho, já comprovaram que mexilhões expostos por três semanas a óleo diesel têm uma redução de duas vezes na expressão do gene da P 53, ou seja, a proteína pouco expressa não terá a mesma eficiência para detectar falhas no DNA. Essas falhas na P 53 podem explicar por que esses animais marinhos apresentam neoplasias da célula do sangue que, infiltradas, podem levar a processos de metástases.
Chip de DNA - Para breve, Mauro promete o desenvolvimento de um chip de DNA de ostra para identificar o efeito de contaminação ambiental. Este trabalho reúne equipes da Fiocruz e do Instituto de Tecnologia do Paraná. Ao invés de estudarem milhares de genes, os pesquisadores se concentraram em apenas 96 genes que possuem resposta à contaminação ambiental e espera com o resultado apresentar um biomarcador brasileiro eficiente.
Qualidade da água - Das baías do Rio de Janeiro para o Rio Madeira, Mauro, que voltou semana passada de um trabalho de campo na região Amazônica, desenvolve pesquisa sobre qualidade da água na região Norte do país. Esta pesquisa é realizada em parceria com uma equipe da Universidade de Rondônia. Mais de 700 ribeirinhos já colaboraram para investigação da contaminação por mercúrio.
Mauro esclarece que o foco desse estudo está concentrado na comunidade do Lago do Puruzinho, onde foram retirados fios de cabelo de 180 pessoas. Além disso, os pesquisadores ainda estudam os sedimentos e a contaminação de peixes por mercúrio. Com o retorno e o processamento dos dados recolhidos na região, ele espera, em pouco tempo, resultados significativos sobre a contaminação por mercúrio. Segundo ele, o solo da região Amazônia é rico em mercúrio e com a devastação da floresta pelas fronteiras agrícolas, o risco do rio se contaminar é muito alto.

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