Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Câncer de Tireóide: Avanços terapêuticos

Está em andamento na UFRJ um estudo inédito no mundo para identificar os receptores do ácido retinóico em pacientes com tumor de tireóide e que não respondem mais aos tratamentos tradicionais com o iodo radioativo. O iodo radioativo tem a função de provocar a morte das células tumorais.
Coordenado pela médica Denise Pires de Carvalho, pesquisadora do Programa de Oncobiologia e chefe do Laboratório de Fisiologia Endócrina, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, e  Mário Vaisman, chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, o estudo tem como finalidade aumentar a sobrevida dos pacientes com carcinoma avançado de tireóide e metástases (cerca de 30%) que não captam o iodo 131, radioativo, utilizado como radioterapia interna.
O ácido retinóico (AR)- presente na vitamina A e utilizado em uma variedade de especialidades médicas - mostrou-se um composto eficaz em 20% desses pacientes resistentes a tratamentos tradicionais, sendo que o mecanismo de captação de iodo para provocar o processo de morte de células tumorais voltou a ocorrer. Os pesquisadores verificaram, então, que os doentes que responderam bem a terapia com AR possuíam o receptor identificado como RARb. Embora o estudo, que começou há dois anos, tenha sido aplicado com uma amostra reduzida de doentes (8), os resultados contribuem para o desenvolvimento de uma correlação entre administração de ácido retinóico e o prognóstico de acordo com o receptor que cada um detenha no tumor e nas metástases. Os próximos passos incluem a terapia gênica para aumentar a expressão de proteínas que aumentem a captação de iodo ou promovam melhor resposta às drogas.
Os resultados do estudo foram aceitos para publicação no Current Pharmaceutical Design , em 2005. Dos 500 mil casos estimados de câncer para 2005, cerca de sete mil serão de tireóide. O câncer de tireóide se divide em quatro tipos: papilífero, folicular, medular e anaplásico. Entre esses, o mais freqüente é o papilífero com 85% de incidência, sendo seguido pelo folicular (10%). Normalmente, a sobrevida de pacientes com câncer diferenciado de tireóide é bastante significativa (mais de 10 anos).
Marcadores moleculares - o grupo de Denise Pires ainda está envolvido numa pesquisa que desenvolve marcadores moleculares que identifiquem as recidivas de câncer de tireóide, em colaboração com o Serviço de Endocrinologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Atualmente, pacientes que tiveram esse tipo de câncer são monitorados freqüentemente e submetidos a diversos exames. Porém se tudo correr bem, terão acesso, em breve, a mais um recurso: dosagem sangüínea de marcadores moleculares como o RNAm da tireoglobulina - uma proteína que só é sintetizada pela tireóide.
Quando o paciente tem câncer de tireóide, normalmente, a cirurgia para retirada da glândula é a terapia recomendada e, portanto, a tireoglobulina não poderia mais ser identificada nesses pacientes. Caso o exame de sangue identifique a proteína pode significar que células tumorais voltaram a circular. Vale esclarecer, que a técnica ainda não é 100% segura, pois alguns doentes têm anticorpo contra a proteína, dentre outros problemas metodológicos.

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