Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Câncer: esperança que vem do mar

Desde o inicio da década de 90, o Laboratório de Tecido Conjuntivo, do Instituto de Bioquímica Médica estuda as ações antiinflamatórias, anti-metastática e anticoagulante dos homólogos da heparina encontrados em invertebrados marinhos como a Ascídia - conhecida popularmente como batata-do-mar - e o pepino-do-mar.
O bioquímico Mauro Pavão, pesquisador do Programa de Oncobiologia, apresentou seus resultados durante o Congresso Internacional de Sinalização Molecular em Diferentes Patologias, que se realizou em Estocolmo em 2005. Os estudos da UFRJ foram realizados em colaboração com os grupos dos professores Jeff Esko, da Universidade da Califórnia, e Lubor Borsig, da Universidade de Zurique.
Como fruto das pesquisas realizadas na Califórnia, foi encontrado um efeito inibitório de um dos análogos da heparina obtida de pepino-do-mar cerca de 10 vezes mais potente se comparado à ação da heparina comercial no processo de ligação entre as mucinas de células tumorais e de leucocitos  e as selectinas  de plaquetas e endotelio. O complexo plaquetas-celulas tumorais acaba formando um disfarce para que o sistema imunológico não reaja contra às células tumorais. Com o análogo obtido de ascídia, o efeito é cinco vezes maior do que o observado com a heparina comercial.
A troca científica com os pesquisadores de Zurique também rendeu novidades. Pavão detalha o experimento realizado com células tumorais (LS180 carcinoma, uma célula de carcinoma de intestino). Nesses experimentos, eles verificaram que os análogos da heparina de ascídia e de pepino-do-mar inibem a ligação de células tumorais humanas a selectinas imobilizadas. As selectinas são responsáveis pelas ligações entre plaquetas e células tumorais na corrente sangüínea. Nos experimentos, as células cancerígenas de camundongos marcadas com um corante verde foram injetadas através da veia da cauda desses animais que foram ou não submetidos a um tratamento prévio com uma dose única de heparina. Cerca de 30 minutos após a injeção das células, os animais foram sacrificados e a presença de agregados células tumorais-plaquetas foi determinada. Os resultados mostraram que ambos os análogos de heparina dos invertebrados foram capazes de inibir a agregação de células tumorais-plaquetas. No entanto, na dose utilizada desses compostos, a heparina comercial possui um efeito mais potente.
Segundo Pavão, além desses resultados outra vantagem dos compostos encontrados na Ascídia e no pepino-do-mar é a sua ação sem provocar sangramento, efeito colateral encontrado na heparina comercial obtida do pulmão e do intestino de suínos.
Paralelamente, outras parcerias surgiram no Brasil com os setores de Gastroenterologia e Nefrologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/UFRJ. Dessas uniões, comprovou-se que a ação antiinflamatória dos compostos marinhos é excelente tanto em inflamação renal como do intestino.
Em maio, o Laboratório de Pavão iniciou uma outra colaboração. Desta vez, com o Laboratório de Imunologia Tumoral. A idéia é desenvolver modelo de metástase em animal e injetar diferentes compostos dos homólogos da heparina de invertebrados para verificar se há diminuição de processos de disseminação do câncer. O modelo adotado é de melanoma de camundongos que provoca metástase no pulmão. Porém com a entressafra dos animais, os pesquisadores aguardam a reprodução das fêmeas.

design manuela roitman | programação e implementação corbata