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Câncer gástrico: em busca de vilões

O estudo de tumores gástricos é o alvo da pesquisadora Morgana Teixeira Lima Castelo Branco, do Laboratório de Imunologia Celular, do Departamento de Histologia e Embriologia da UFRJ.

Morgana tem, em suas mãos, material em parafina coletado de 100 pacientes com linfoma gástrico. Cedido pelo Serviço de Patologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, o material está sendo analisado com um olhar atento na busca de associações entre os linfomas MALT e de células grandes B, ambos gástrico, associados ou não com a bactéria H. pylori , com a expressão de proteínas resistente a múltiplas drogas (glicoproteína P ou Pgp e a MRP) e da proteína de choque térmico (HSP70), o Fator Inibitório de Macrófagos (MIF) e os tipos de apoptose existentes em cada um dos tumores.

Até o momento, o grupo de Morgana encontrou uma correlação maior entre o MIF e o linfoma gástrico de células grandes B, independente da coexistência de H. pylori . Sendo este tumor de prognóstico ruim, os pesquisadores pretendem ainda analisar os dados clínicos de cada paciente e assim entender quais outros tipos de correlações que possam existir para, então, tentar traçar um panorama da evolução da doença.

Além dessa descoberta, Morgana também liderou a pesquisa que encontrou, pela primeira vez, uma associação entre a Pgp e o linfoma gástrico. Eles investigam se os pacientes que têm superexpressão desta proteína são, por isso mesmo, resistente a múltiplas drogas e terão ou não um mau prognóstico.

Entre os tumores gástricos, o mais freqüente (95%) é o adenocarcinoma que, apesar de ter reduzido sua incidência nos últimos anos em países desenvolvidos, continua sendo o segundo tipo de câncer mais encontrado em todo o mundo.

Já os linfomas são tumores malignos, tendo sua ocorrência, sobretudo, depois dos 50 anos. O linfoma MALT corresponde a 8% de todos os linfomas não-Hodgkin e são 50% dos linfomas gástricos primários.
Os linfomas gástricos podem ser subdivididos em MALT ( mucosal-associated lymphoid tissue ), que é um linfoma primitivo do estômago e está associado a H. pylori em mais de 90% dos casos. E o linfoma B de grandes células que nem sempre está associado a H. pylori e se não for diagosticado rapidamente, não tem bom prognóstico e outros menos freqüentes.

Da mata para o laboratório - O grupo de Morgana, em associação com outros pesquisadores da UFRJ ,também estuda o efeito do extrato de Aveloz ( Euphorbia tirucali ) em células tumorais. O Aveloz já é um medicamento utilizado pela homeopatia em pacientes com tumores de pulmão, próstata e mama com relatos de sobrevida maior. Porém, apesar das notícias alentadoras, sabe-se que na África, onde existe cerca viva com Aveloz, há na comunidade vizinha casos de translocação de cromossomos e a ocorrência de linfoma de Burkitt. Portanto, em excesso a planta é tóxica.

Nessa direção, Morgana pretende estabelecer até que ponto a planta é benéfica e em que concentração é tóxica. Através de pesquisas com Aveloz e material do Banco de Células do Hospital Universitário, o grupo estabelecerá a citotoxicidade da planta em tumores. Com o Departamento de Anatomia, utilizando modelo de xenopus, estudará alterações no desenvolvimento. E em camundongos Balb/C grávidas já verificou que o extrato não é teratogênico.

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