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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Novas pistas no admirável mundo celular

Saiu publicado na Revista Cell Tissue Research um estudo inédito da pesquisadora Claudia dos Santos Mermelstein, chefe do Laboratório de Diferenciação Muscular e Citoesqueleto, do Departamento de Histologia e Embriologia, da UFRJ, sobre a localização, pela primeira vez, da proteína desmina associada à membrana nuclear de células musculares esqueléticas. Até então, acreditava-se que esta proteína só existia próxima à membrana plasmática ancorando-se aos sarcômeros. Este achado é representativo, pois aponta para a possibilidade da desmina atuar como sinalizadora de informações de fora da célula para o núcleo da mesma. Esta sinalização pode ter papel tanto na migração como na proliferação celular.
O artigo intitulado Desmin filaments are stably associated with outer nuclear surface in chick myoblasts ainda tem como co-autores Leonardo Andrade, Débora Portilho e Manoel Costa. No estudo, foram utilizadas culturas de células musculares peitorais de embriões de galinha, com 11 dias.
Claudia, que é pesquisadora do Programa de Oncobiologia, desenvolve ainda outros estudos com seu grupo, baseados em embriões de galinha, que tentam traçar associações entre micro domínios de membrana plasmática - mais conhecidos como "rafts" e que, na verdade, são regiões da membrana onde a fluidez é reduzida - e proteínas. Nos micro domínios, há uma alta concentração de colesterol, esfingolipídeos e proteínas receptoras que, em alguns casos como nas proteínas PgP e na MRP, podem ter um papel na resistência a múltiplas drogas, fenômeno que inviabiliza um bom prognóstico em câncer. Claudia utilizou a droga metil-beta-ciclodextrina, que se liga ao colesterol e o retira da membrana, e desorganiza os micro domínios e assim tenta dar sua contribuição ao estudo da participação de "rafts" em eventos como a diferenciação e a proliferação celular. Estes resultados foram publicados no volume de fevereiro de 2005 também na Revista Cell Tissue Research .
Nesta linha de investigação, Claudia também estuda a caveolina, uma outra proteína presente nas "rafts". Existem três tipos de caveolina (1,2,e 3), sendo que esta última só existe em células musculares. A pesquisadora utilizou um anticorpo contra a caveolina 3, isolou "rafts" musculares e descobriu, novamente pela primeira vez, a proteína desmina em associação com a caveolina 3, que sugere uma estreita relação entre o citoesqueleto e regiões específicas de membrana em células musculares.
A alta produtividade não pára por aí e Claudia é autora de mais um artigo recente no Brazilian Journal of Medical and Biological Research de 2005. Este artigo aborda a correlação entre as células do músculo esquelético de camundongos do tipo C2C12 e o cálcio extracelular. Os resultados foram alterações na forma celular e na distribuição de proteínas do citoesqueleto. Ela sugere que a retirada do cálcio pode ser controlada por proteínas ligadoras de cálcio.

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