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Genes e câncer: revolução de conceitos

Uma nova classificação para genes supressores de tumor e oncogenes poderá surgir no futuro a partir do trabalho da pesquisadora Helena Borges, professora visitante do Departamento de Anatomia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, recém imigrada de um pós-doutorado na Califórnia.
O trabalho de Helena foi aceito para publicação na revista da Academia Americana de Ciências, a Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).
O trabalho comprova que a proteína Retinoblastoma (Rb) encontrada na maioria das células e classicamente identificada como um gene supressor de tumor, ou seja, que dificulta o aparecimento de células cancerosas, pode funcionar de maneira oposta, ou seja, como um gene que favorece o desenvolvimento de células cancerosas.
O estudo foi realizado no Laboratório do Dr. Jean Wang, ligado ao Cancer Center e contou com a colaboração de Jeff Bird e dos patologistas Katherine Wasson, Robert D. Cardiff, ambos do Centro de Medicina Comparativa, Nissi Varki, do Departamento de Patologia e Lars Eckmann do Departamento de Medicina, todos da Universidade da Califórnia.
Este grupo ajudou-a na descrição dos tumores pesquisados e contribuiu para evidenciar que os processos envolvidos no câncer são compostos de múltiplas etapas, dependendo de diversos genes e que a classificação tradicional entre genes supressores e promotores de tumor talvez seja menos óbvia.
O trabalho de Helena Borges e seu grupo ratifica a importância de entender-se o conjunto de fatores específicos que podem favorecer o desenvolvimento de cada tipo de tumor.
Os experimentos - O grupo de Helena utilizou animais mutantes tanto em 2002 no artigo que saiu na revista Nature Cell Biology como agora em 2005. No primeiro estudo, foram utilizados camundongos chamados Rb-MI com uma mutação que tornava a proteína Rb "indestrutível" durante o processo de morte celular.
O fato de Rb ser "indestrutível", fazia com que a célula se tornasse mais resistente à morte celular induzida por fator de necrose tumoral (TNF).
Neste novo estudo que sairá em breve no PNAS, introduziram uma nova mutação no camundongo Rb-MI. Desta vez, no gene supressor de tumor p53, que ocorre em 50% dos tumores humanos.
E puderam verificar os tumores oriundos de animais duplos mutantes (Rb-MI e p53) e em animais com uma única mutação (p53). Os animais utilizados nos experimentos foram genotipados e monitorados continuamente.
Os animais com mutação na p53 apresentaram alta incidência de linfomas, e nos animais duplos mutantes, os pesquisadores encontraram, além dos linfomas, maior incidência de tumores no cólon.
Vale destacar que o colón é uma região com alta freqüência de tumores em humanos, mas rara no camundongo.
Segundo Helena, os resultados do estudo podem abrir caminho para avanços na terapia anti-câncer, "pois a medida que conhecemos os mecanismos moleculares necessários para a geração do câncer será possível traçar novas estratégias anti-câncer".

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