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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Anti-fúngico contra o câncer

Pesquisadores da UFRJ, liderados por Mauro Sola-Penna, do Laboratório de Enzimologia e Controle do Metabolismo (LabECoM), da Faculdade de Farmácia, verificaram que a droga Clotrimazol, utilizada com freqüência contra fungos, pode ter um importante papel na luta contra o câncer.
A droga é antagonista de uma proteína, a Calmodulina. Esta proteína atua no interior das células como um sensor de cálcio, na produção de energia necessária ao processo de proliferação celular e ainda participa, muitas vezes, dos mecanismos de indiferenciação celular, ou seja, quando a célula se aproxima de sua característica mais primitiva e tem a capacidade de migrar para outros órgãos. Em resumo: a Calmodulina tem papel fundamental no câncer e nos processos de metástases.

Em 2005, Sola-Penna e sua equipe publicaram um artigo na revista internacional Molecular Genetics and Metabolism que mostra ainda a capacidade do Clotrimazol em desligar do citoesqueleto a enzima fosfofrutocinase com propriedades regulatórias do metabolismo de carboidrato, limitando assim sua capacidade de produção rápida de energia, necessária para a proliferação e migração celular. Além disso, o grupo da UFRJ verificou que a droga Clotrimazol promove a morte de células tumorais.

O grupo realizou de sete a oito ensaios in vitro com cerca de um milhão de células em cultura. O próximo passo é realizar o experimento com tecidos, onde as células encontram-se mais organizadas e protegidas. O objetivo é verificar se o excelente resultado com quase 80% de morte das células tumorais nos experimentos em cultura também ocorre nas células dos tecidos. Para esta etapa, os pesquisadores estão em busca de parceiros que trabalhem com câncer de mama, pulmão, próstata e melanoma.

O grupo da Faculdade de Farmácia tem outras linhas de investigação que reúnem estudos sobre a classe dos antagonistas da Calmodulina e ainda buscam novas proteínas antagonistas dessa proteína-vilã envolvida em processos de indiferenciação e proliferação celular.

Como tudo começou - Há mais de 10 anos quando foi criado, o Laboratório de Enzimologia e Controle do Metabolismo iniciou suas pesquisas com foco no metabolismo de carboidratos tanto em processos tumorais como em outras doenças. As células tumorais necessitam de carboidratos e sua conseqüente produção de energia para se proliferarem. Então, quando se consegue limitar o metabolismo de carboidratos, é possível controlar o crescimento celular. A questão crucial que permeia os estudos é como interferir no metabolismo de carboidratos, impedir o crescimento de células anormais sem afetar as células sadias.

O primeiro grande salto para ampliação do conhecimento nessa área o Laboratório de Enzimologia e Controle de Metabolismo deu no ano 2000, quando conseguiu identificar uma propriedade regulatória da enzima fosfofrutocinase no metabolismo de carboidratos. Os pesquisadores verificaram que esta enzima, a fosfofrutocinase, poderia limitar a via do metabolismo de carboidratos e, conseqüentemente, inibir a produção de energia e a proliferação desordenada de células. Por outro lado, esta enzima é a primeira a se ligar ao citoesqueleto e contribuir para a formação de um complexo envolvido na produção rápida de energia, necessária na proliferação celular e verificaram que, na célula tumoral, a fosfofrutocinase não se desliga nunca do citoesqueleto.

Em estudos realizados, a partir de 2000, com tumores de mama de 50 pacientes do Hospital Inca 3, os pesquisadores da UFRJ encontraram o dobro de ocorrência da fosfofrutocinase ligada ao citoesqueleto se comparada a análise em tecidos sadios. Agora, a meta é comprovar a eficácia de drogas que desliguem a enzima do citoesqueleto.

Pesquisador Mauro Sola-Penna

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