Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Renovação científica

Dos 43 atuais pesquisadores do Programa de Oncobiologia, mais de 80% enviaram proposta para recadastramento. Do total de projetos, a coordenação do Programa ainda recebeu cerca de 20% novas requisições para credenciamento. O processo, desta vez, contou com uma comissão ad- hoc e privilegiou propostas de temáticas, que envolvessem grupos multidisciplinares. Hoje, o Programa de Oncobiologia conta com mais de uma centena de colaboradores. O Onco News aproveita o ano que se inicia para divulgar alguns dos novos projetos aprovados.

Entre as temáticas inovadoras que farão parte agora do Programa, estudos sobre vias de sinalização, influência de sistemas sobre determinados tumores, análise de proteínas como marcadores biológicos, utilização de plantas medicinais e outras drogas e suas aplicabilidades antitumor.

O estudo sobre a via de sinalização TOR ( Target of Rapamycin ) que regula a proliferação celular, controlando diversos aspectos da fisiologia celular como a síntese de proteínas e a autofagia é um dos alvos que mobiliza o grupo coordenado pela pesquisadora Mônica Lomeli, do Instituto de Bioquímica Médica/UFRJ. Lomeli espera que com o estudo dessa via possa contribuir para o desenho de drogas antiproliferativas.

Numa outra abordagem, o pesquisador Júlio Scharfstein, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, propõe-se ao estudo do tumor de próstata através da influência do sistema cinina-calicreína. O pesquisador possui graduação em Química no Instituto de Tecnologia de Israel (1972) e mestrado e doutorado na Universidade de Nova York. Atualmente, é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador das atividades cientificas da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O grupo de Lina Zingali, da Unidade de Espectrometria de Massas e Proteômica do IBqM, em associação com o Laboratório de Genética Aplicada, do Serviço de Hematologia do Inca, estarão durante os próximos anos direcionando suas pesquisas para a melhor utilização das técnicas de proteômica (estudo do conteúdo protéico de uma célula, tecido ou fluido biológico) para análise de vários aspectos do câncer de rim e de pênis. O termo proteoma indica o conjunto de proteínas expressas num determinado momento por uma célula ou órgão. Durante o desenvolvimento do câncer, uma série de proteínas é expressa de forma alterada pelas células tumorais, podendo ser secretadas e detectadas tanto no sangue como na urina. Essas proteínas específicas, a serem identificadas, podem ser utilizadas como marcadores para diagnóstico e de acompanhamento da doença.

O saião é o alvo do grupo de Vera Koatz, também do Instituto de Bioquímica Médica. Koatz e colaboradores analisarão os efeitos medicinais da planta, usada popularmente na forma de chá para tratar processos inflamatórios. Resultados de experimentação do seu grupo mostraram que o sumo de saião, além de impedir o desenvolvimento da inflamação semelhante ao processo que ocorre na artrite em tratamento de animais de experimentação, também possui propriedades anticancerígenas, inibindo o crescimento de células tumorais em cultura ou o desenvolvimento de tumores no dorso e peritoneo dos animais.

Koatz possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (1972), especialização em Pesquisa Básica pelo Instituto Nacional de Câncer (1972), mestrado e doutorado em Bioquímica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-doutorado pelo Institut Pasteur de Paris.

Considerada uma das mais promissoras drogas da nova geração, a endostatina será avaliada pelo grupo de Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, do Departamento de Histologia e Embriologia do ICB Os estudos do grupo se baseiam em compreender os mecanismos de ação da endostatina para tentar solucionar os problemas de transposição encontrados dos experimentos para a clínica. Baseados em simulações computacionais, Tatiana e seu grupo desenvolveram uma teoria confirmada, até o momento, de forma experimental e que poderá ajudar na compreensão sobre a falta de atividade em pacientes e direcionar a forma de se alcançar o efeito desejado. Além disso, o grupo da Histologia pretende identificar a enzima que gera endostatina a partir de uma proteína maior existente em volta dos vasos sangüíneos, o colágeno XVIII. Por fim, esperam realizar estudos para correlacionar tumores de baixa, média e alta invasividade com a produção de colágeno XVIII, a fim de determinar se esta proteína pode servir como um marcador para tipos de câncer de baixo potencial metastático.

A doxorubicina (DOXO) é um quiomioterápico de amplo uso clínico devido a sua eficiência no tratamento de diversas neoplasias e seu custo relativamente baixo.

Entretanto, este uso fica limitado pela toxicidade sobre diversos sistemas: hematológico, renal, hepático e cardíaco, sendo esta última freqüentemente de apresentação insidiosa e irreversível. O ecocardiograma tem sido usado para detecção de sinais de disfunção cardíaca em pacientes submetidos ao tratamento com DOXO, mas  quando se nota evidência de alteração funcional, esta já está bem estabelecida e evolui com piora gradativa a despeito do tratamento. É desaminador para a equipe médica que acompanha um paciente com neoplasia, ter que interromper a administração do quimioterápico DOXO, que se mostra satisfatório para controlar a doença, por não poder ultrapassar a dose considerada limite de segurança devido ao seu alto poder cardiotóxico. Logo, existe um grande interesse na elaboração de estratégias que visem detectar mais precocemente o comprometimento cardíaco destes pacientes.

O grupo de Eleonora Kurtenbach, do Instituto de Bioquímica Médica, apresentou o projeto com o objetivo reproduzir e validar o modelo de cardiopatia dilatada induzida pela administração de doxorubicina (DOXO) em pequenos animais de experimentação. A avaliação da função cardíaca será realizada por eletrocardiograma, ecocardiografia e ergoespirometria, com o foco de detectar a evidência de sobrecarga ventricular esquerda e/ou arritmia.  Em paralelo, as alterações histológicas induzidas por DOXO em coração de ratos serão avaliadas através da análise de cortes histológicos transversais (análise macroscópica) e longitudinais.

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