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Leucemia - Alvos moleculares dão pista sobre futuros fármacos

O papel de uma via do controle celular, conhecida no meio científico como via de Wnt, na modulação da sobrevivência e proliferação de leucemia linfoblástica aguda B é um dos projetos em desenvolvimento no Programa Avançado de Biologia Celular Aplicada à Medicina, localizado no Banco de Células do Rio de Janeiro.

Orientado pelo pesquisador Radovan Borojevic, o doutorando Leandro de Souza Thiago, do Programa de Ciências Morfológicas, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, explica que entre as crianças a leucemia linfoblástica aguda B é a mais comum e responde por cerca de 85% dos casos. Destes, cerca de 20% não respondem aos tratamentos habituais e acabam em recaídas. Para as recaídas, o grupo ainda estuda o fenômeno de resistência aos quimioterápicos e propõe drogas potenciais.

As células de leucemia são extremamente dependentes do micro-ambiente medular e, principalmente, das células estromais, que compõem a medula óssea. Na verdade, as leucemias surgem na medula óssea e precisam, na maioria dos casos, entrar em contato com o estroma para sua sobrevivência.

Estudar os sinais que vem do estroma, as moléculas que aí são produzidas e que são capazes de modular tanto a proliferação como a sobrevivência dessas células de leucemia é fundamental para entender a interação das células e criar novos alvos terapêuticos. Por isso, o projeto do Banco de Células do Rio de Janeiro tem como finalidade identificar alvos moleculares específicos e que, no futuro, possam dar pistas para novos fármacos.   

Nos últimos anos, tem se estudado a molécula Wnt - uma molécula presente, desde o início do desenvolvimento, em vários eventos celulares embrionários. "A nossa idéia é que esta molécula esta superativada na leucemia e tem um papel fundamental na manutenção, sobrevivência e proliferação dessas células. Nós temos mostrado que a leucemia linfoblástica aguda precisa do Wnt para sobreviver", afirma Leandro.

O tratamento atual para a leucemia linfoblástica aguda, assim como para vários outros tipos de câncer, é agressivo e não específico. A quimioterapia atinge tanto células saudáveis como as doentes. Então, buscar alvos moleculares mais específicos para no futuro desenvolver novos fármacos é de suma importância. E este trabalho visa mostrar especificamente que a via de Wnt poderá ser um dos alvos terapêuticos do amanhã.

O grupo da UFRJ utilizou em suas pesquisas células de pacientes e linhagens. Eles já caracterizaram vários membros da via de Wnt e mostraram que estes estão expressos, ativos e participam da sinalização intra-celular na leucemia linfoblástica aguda B. Por isso, é um potencial alvo.

Posteriormente, Leandro relata que usou em seus experimentos a droga etodolac, um antiinflamatório, usual no tratamento, entre outras doenças, da artrite. A droga em contato com linhagens celulares provocou apoptose (morte celular). Segundo conta, no mundo existem vários grupos que se dedicam aos experimentos com etodolac e outros tipos de leucemia, mas no Brasil apenas na UFRJ há experimentos com etodolac para observar a via de Wnt.

Este projeto foi aprovado com recursos do Programa de Oncobiologia em 2004. O grupo trabalhou com duas linhagens de leucemia que são representativas (LLA-B Comum e a Pré-B) e a apoptose das células na presença do etodolac ocorreu de forma semelhante (cerca de 30 a 50%) nas duas linhagens. Para o final do ano, Leandro promete a defesa de seu projeto e outros resultados.

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