Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Nunca aos domingos

A temática câncer na televisão brasileira

Recente estudo do Núcleo de Divulgação do Programa de Oncobiologia sobre a inserção da temática câncer nos canais abertos e fechados da televisão brasileira mostrou alguns dados curiosos. Entre os quais, câncer não é notícia aos domingos e feriados e só entra na programação do sábado se for um fato marcante que ocorra naquele dia. Este dado foi averiguado entre os meses de novembro e dezembro de 2006 e abril e maio de 2007, dentre um total de 51 reportagens exclusivas que resultaram em 62 veiculações analisadas.

Embora seja a entrada para o verão, dezembro também pode ser considerado mês restrito para o tema. Ainda aliado à dor e sofrimento, o câncer não tem livre passagem na imprensa brasileira e, segundo relatos de editores de ciência de grandes jornais, o tema ainda sofre censura e restrições em determinados dias da semana ou meses como as festividades de fim de ano.

Apesar de sofrer cortes e restrições em determinados dias da semana, por outro lado, o horário nobre, das 20:00 às 22:00 horas, é preferencial para as transmissões das reportagens sobre o assunto. Cerca de 60% das notícias sobre câncer, veiculadas no período analisado, foram ao ar neste horário. Assim como em outras temáticas (futebol, política e economia), o tempo médio de uma reportagem sobre câncer na televisão é de cerca de apenas dois minutos.

Outro aspecto relevante do estudo mostrou que pacientes, familiares e representantes da sociedade têm mais espaço para dar entrevistas se comparado aos profissionais da saúde e da ciência. A pesquisa mostrou que o “personagem” – paciente ou familiar -  humaniza a reportagem e por isso é sempre indispensável nas gravações de notícias para a televisão.

A produção nacional em detrimento das reportagens oriundas das agências de notícias internacionais foi outro dado marcante. Cerca de 90% das matérias foram produzidas em solo nacional, sendo que as abordagens mais exploradas foram: epidemiologia (33%), seguida por diagnóstico (27%), campanha de prevenção (20%) e tratamento (17%). Infelizmente, há ainda pouco espaço para divulgação de notícias sobre cura o que, com certeza, contribui para que a doença permanece aliada à dor e sofrimento. Porém, foi surpreendente notar que 30% das reportagens tratam dos fatores de riscos e 50% abordaram fatores de prevenção para a doença.

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