Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

O panorama de uma era no ICB

Por Marina Verjovsky

Competência, coragem e dedicação. Essas foram as marcas deixadas pelo professor Adalberto Vieyra, ao final dos oito anos em que esteve à frente do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. A mudança da direção do instituto para o professor Roberto Lent, que assumiu o cargo no último dia 29, foi marcada por uma série de homenagens que transpareceram o sucesso de sua gestão.

Foi justamente após uma dessas homenagens - "20 minutos de inspiração", organizada pelo Professor Leopoldo de Meis - que Vieyra concedeu uma entrevista ao Onco News. Nela expressou suas impressões a respeito do período que dirigiu o ICB, da criação do Programa de Oncobiologia e das suas perspectivas para o futuro.

Os últimos oito anos foram divididos por Vieyra de acordo com as diferentes gestões dos reitores que administraram a universidade. "O elemento comum entre os dois períodos foi a construção coletiva dentro do ICB para enfrentar a delicada situação dos quatro primeiros anos e para contribuir mais ativamente durante os últimos anos, que considero foram os de reconstituição do tecido social e acadêmico da UFRJ."

Um importante momento enfatizado foi aquele que conduziu à criação do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM). "Essa criação foi a prova de que a superação da fragmentação da universidade se dá a partir de uma política acadêmica convergente. Talvez o ICB e o IBqM nunca estiveram tão unidos quanto agora".

Outros momentos importantes são relacionados às contribuições do instituto para a implementação do que poderá ser uma "universidade nova". Dois exemplos relatados foram a aprovação pela Congregação, em 2005, de uma resolução que propôs ampliar o acesso dos jovens à universidade, estabelecendo metas para a expansão da graduação e propiciando a criação de novos cursos, além da participação em um grande foro de discussão, em 1999, que contou com comissão formada por iniciativa do professor de Meis e presidida pelo professor Roberto Lent, agora o novo diretor. Fórum no qual foi proposta a criação de um curso básico comum em grandes áreas do conhecimento, essencialmente formativo e de descoberta de vocações (inclusive as "inesperadas"). "Na linha do pensamento de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro dos idos de 1950-1960", enfatiza Vieyra.

Vieyra denominou-se apenas uma testemunha privilegiada do esforço coletivo de um grande número de colegas que se empenharam e trabalharam, envolvendo estudantes, funcionários técnico-administrativos e figuras de dentro e de fora da universidade. "Esse esforço foi essencial para envolver apoio político e angariar recursos, a partir de uma preocupação genuína com a formação de profissionais, especialmente a partir da graduação", relata. Exemplos desse resultado foram a recuperação da infra-estrutura das instalações do instituto, tais como a restauração completa do seu anatômico e parque de microscopia.

Associada à recuperação estrutural, o ex-diretor citou também a modificação conceitual, especialmente nos cursos de graduação, nas disciplinas compartilhadas com os Institutos de Biofísica Carlos Chagas Filho e Bioquímica Médica, numa parceria que visa tornar estes cursos "mais formativos do que informativos". Neste campo, foi ressaltada também a consolidação do curso de biomedicina, que abriu avenidas para novas atuações profissionais, como a biomedicina forense.

A consolidação dos cursos de pós-graduação do ICB também foi outro aspecto marcante destes últimos anos. A progressiva superação de qualidade da pós-graduação em Ciências Morfológicas até atingir o conceito máximo da CAPES e que, ao associar-se a programas na Bahia, Pará e Santa Catarina, contribuiu para a superação de assimetrias regionais. E a pós-graduação em Farmacologia (única no estado do Rio de Janeiro), que conquistou apoio com o primeiro concurso para professor titular em desenvolvimento de novos fármacos no país.

A criação do Programa de Oncobiologia foi mencionada como "uma das maiores construções das quais o ICB participou". O Programa também foi referido como um dos responsáveis pela superação das fronteiras entre a graduação e pós-graduação e por sua contribuição como exemplo possível de modificação da arquitetura curricular. "Foi o resultado da visão, inspiração, coragem e perseverança de muitos colegas dos quais não posso deixar de mencionar a professora Vivian Rumjanek. Talvez pela sua experiência de vida, ela me pareceu sempre pioneira na sua maneira de ver a problemática do câncer de forma não fragmentada". Segundo Vieyra, o câncer é historicamente visto de formas diferentes pelo cirurgião, patologista, enfermeira, familiar e grande público. "O grande desafio do Programa foi e é quebrar esta barreira de visões parciais e fragmentadas".

Também foi ressaltada a importância de figuras como o professor Marcos Moraes, que lidera o Programa com entusiasmo e carinho acadêmicos, e da jornalista Claudia Jurberg, "grande vetora dessa iniciativa, para dentro e fora do Programa. Uma verdadeira âncora entre as diferentes instituições envolvidas e o grande público". Outra pessoa que não poderia deixar de ser mencionada foi a Dona Vivi Nabuco. "Não apenas como uma pessoa que apoiou o Programa com generosas contribuições, mas que esteve sempre presente, disposta a fortalecer o diálogo da universidade com o restante da sociedade e a amparar a formação de jovens". Estas pessoas, na opinião de Vieyra, constituem o magnífico "quadrado mágico" do Programa de Oncobiologia da UFRJ.

Por fim, Vieyra espera um futuro próspero para o ICB e o Programa de Oncobiologia. "Acredito nisso pelo fato de meu sucessor ter sido um grande líder na transformação do Instituto, presidindo a comissão que discutiu novos modelos para a universidade e pela sua militância na integração entre conhecimento básico e aplicação profissional", afirmou. "Em relação ao Programa, ele já está consolidado do ponto de vista acadêmico, tem identidade própria e continuará sendo a espinha dorsal de uma grande iniciativa, envolvendo cada vez mais conhecimento e desenvolvimento".

Prof. Adalberto Vieyra

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