Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Da pesquisa à clínica

Por Marina Verjovsky

O professor Marcos Eduardo Paschoal, médico pneumologista do Instituto de Doenças do Tórax do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da UFRJ, é membro do Programa de Oncobiologia desde a sua criação, em 2001. Sua contribuição no Programa ratifica a importante junção da pesquisa básica com a clínica médica, assunto do qual fala, entre outros temas, em entrevista ao Onco News.

Paschoal comentou como o Programa promove forte aproximação de sua atuação clínica com a pesquisa básica. “O Programa de Oncobiologia é um empreendimento importantíssimo, com formato aberto que associa pessoas e tem maturidade compatível com seu tempo de existência”. Essa parceria, segundo ele, funciona muito bem e não houve retrocessos.

Ao longo dos últimos seis anos, Paschoal estabelece, dentro do programa, colaborações com quatro laboratórios de pesquisa. Ele comenta que a cooperação com os pesquisadores Vivian Rumjanek, Franklin Rumjanek, Robson Monteiro e Morgana Castelo Branco permitiu o desenvolvimento trabalhos consistentes, com a formação de alunos de mestrado e doutorado e promovendo forte interação entre as duas áreas.

Nesse sentido, acredita que houve um grande avanço para a universidade. “O vínculo entre as duas áreas não era comum dentro da UFRJ”, conta. “Elas sempre foram auto-suficientes, mas quando são mescladas nos levam mais longe. Superam a célula e a cobaia para alcançar o objeto final: o paciente”.

Acrescentou ainda que um dos principais exemplos dessa cooperação acadêmica foi a criação, pela professora Maria da Glória Costa Carvalho, do Laboratório de Oncologia Molecular dentro do Hospital Universitário. Porém, ressaltou que o Centro de Ciências da Saúde (onde é desenvolvida a maior parte das pesquisas na área biomédica) fica à distância de apenas uma rua do Hospital e, portanto, espera que esse vínculo possa ser ampliado.

Para isso, sugere que seja marcada uma nova reunião entre os novos membros do Programa. Nela, os pesquisadores cadastrados poderiam debater a respeito das diferentes linhas de pesquisa abrangentes pelo Programa e ampliar as possibilidades de colaborações entre estas.

Pesquisas na área clínica

Paschoal comentou algumas pesquisas que estão em desenvolvimento no ambulatório de câncer de pulmão. Uma delas foi a dissertação de mestrado da Dra. Eloa Pereira Brabo, que validou para a língua portuguesa (do Brasil) um questionário - da Organização Européia de Pesquisa e Tratamento do Câncer - que avalia a qualidade de vida de pacientes com câncer de pulmão em tratamento quimioterápico.

“Este questionário já era aplicado aqui, porém sem validação para a nossa língua, o que pode gerar erros de interpretação, adaptação e, por fim, denegrir a sua qualidade e eficácia”, comenta Paschoal. “Já faz 15 anos que a quimioterapia é cada vez mais adotada em todos os estágios do câncer de pulmão. Portanto, conhecemos a sua eficácia e agora o foco passa a ser a qualidade de vida do paciente”. Ele explica que esse tipo de pesquisa estimula a industria a produzir drogas menos tóxicas.

Outras pesquisas, também ligadas à melhoria da qualidade de vida dos pacientes, já foram reportadas em edições anteriores do Onco News. A desenvolvida no projeto de mestrado da Dra. Gisele Bonioli, consiste em modificar a forma como os pacientes portadores de câncer de pulmão em estágio avançado são abordados no hospital, oferecendo a eles acompanhamento médico integral. A conduta, além de proporcionar mais conforto ao paciente terminal, também libera o leito do hospital para outros que têm possibilidade de cura.

A pesquisa desenvolvida pelo Dr. Ricardo Luiz de Menezes Duarte utilizou marcadores moleculares para estabelecer um fator prognóstico no câncer de pulmão relacionado com o tabagismo. Ele observou que, quanto maior a carga tabágica, menor é a resposta radiológica e quimioterápica dos tumores.

O pneumologista encerrou a entrevista com um lembrete: este ano o Instituto de Doenças do Tórax completa 50 anos e terá uma comemoração em outubro. Portanto, aguardem mais informações sobre o evento em nosso boletim.

design manuela roitman | programação e implementação corbata