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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Verdadeiros Sherlock Holmes' da pesquisa em câncer / Marcos Moraes preside a Academia Nacional de Medicina

Verdadeiros Sherlock Holmes' da pesquisa em câncer

Por Marina Verjovsky

Não é novidade que os cientistas são multifuncionais. Além de se dedicarem à suas pesquisas, resolvem questões burocráticas, angariam recursos e ensinam. Porém, alguns precisam realmente encarnar outras profissões, quando imprevistos colocam em risco seu trabalho ou a saúde da população. Esse é o caso da equipe da Bióloga Claudia Gallo, professora Adjunta do Departamento de Biologia Celular e Genética da Uerj, que se transforma em “detetive” para evitar a perda de amostras para pesquisa ou entrar em contato com os familiares de pacientes com mutações genéticas que provocam formas de câncer agressivas.  

Há mais de dez anos, o trabalho de seu grupo consiste em buscar marcadores moleculares para o diagnóstico e prognóstico de cânceres de mama e tireóide. A princípio, nessa procura já se pode observar o dom para Sherlock Holmes, que é acentuado nos contratempos da pesquisa. Eles realizam a análise molecular de alguns tipos de câncer de tireóide, a partir da punção assistida de tumores dos pacientes, feita pelos médicos especialistas. "Muitas vezes, o exame e a retirada do tumor são feitos em hospitais diferentes. Temos que nos esforçar para encontrar essas amostras e manter contato com os pacientes, o que atrasa muito as pesquisas", desabafa Claudia.

Nesse projeto, a equipe também busca alterações genômicas nos genes RET e BRAF. Eles já puderam verificar, em resultados preliminares, que 38% de um tipo de tumor (chamado de papilífero), analisado em 18 pacientes, apresentam alterações no gene BRAF. Em dois pacientes, foram observadas alterações nos dois genes – fato ainda inédito na literatura científica. "Além disso, os outros tipos de tumor de tireóide não apresentaram nenhuma dessas mutações, o que auxilia os médicos no diagnóstico (ainda difícil) dos pacientes”, conta.  

A pesquisa em câncer de mama da equipe de Claudia Gallo mantém uma recente colaboração com o ambulatório do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz). Eles procuram determinar padrões de alterações no genoma dos tumores de mama, das pacientes e de seus familiares e já puderam observar algumas instabilidades genéticas em tecido canceroso, analisando cerca de 20 regiões diferentes do genoma.

Além disso, o grupo observa as diferenças entre o tecido canceroso, o normal e o sangue dessas pacientes e investiga, também, outros genes já conhecidos por terem relação com o câncer de mama, como o XRCC1 e o que codificam a proteína p53. A pesquisa por mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 - projeto no Programa de Oncobiologia - é realizada em colaboração com a equipe do pesquisador Franklin Rumjanek, na UFRJ (leia o último Onco News).  

Outro projeto procura determinar uma freqüência nos tipos de mutações de p53 em centenas de amostras de câncer de mama de mulheres muito jovens brasileiras, italianas e francesas. Eles buscam a correlação entre as mutações e a resposta à quimioterapia (e especialmente com relação ao bloqueio do receptor do hormônio estrogênio). Esta parte do trabalho é feita em colaboração com o Dr. Pierre Hainaut, da International Agency for Research on Cancer (IARC), órgão da Organização Mundial de Saúde (OMS), na França.   

A equipe também participa da Rede Nacional de Câncer Familial, coordenada pelo Inca e apoiada pelo CNPq, que reúne grupos de pesquisa de diversos estados do país. Eles pretendem padronizar a metodologia das análises desses genes para aperfeiçoar a troca de informações. O objetivo é desenvolver métodos e alvos moleculares para aprimorar o pré-diagnóstico e auxiliar na prevenção e tratamento dos pacientes.

Marcos Moraes preside a Academia Nacional de Medicina

O coordenador do Programa de Oncobiologia, Marcos Fernando Moraes, foi eleito presidente da Academia Nacional de Medicina, no dia 6 de julho.

A nova Diretoria é ainda composta por nomes como: Wanderley de Souza (Secretário Executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia), Jacob Kligerman (Secretário Municipal de Saúde do RJ), Paulo Buss (presidente da Fiocruz), o médico oncológico Daniel Tabak, entre outros.

A nova equipe pretende mediar as políticas de saúde do governo com as universidades e instituições de pesquisa biomédica, além de tornar as informações relacionadas à saúde mais acessíveis ao público em geral.

Nascido em 10 de agosto de 1936, em Palmeira dos Índios (AL), Moraes é cirurgião em oncologia, formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Professor titular de cirurgia da Universidade Gama Filho, Professor Associado da UFRJ, Moraes foi membro fundador da American Trauma Society, nos Estados Unidos e também preside o Conselho da Fundação Ary Frauzino para o Câncer e foi presidente da Sociedade Internacional de Cirurgia Oncológica.

Fundada em 1829, a Academia Nacional de Medicina, com sede no Rio de Janeiro, dedica-se a promover e debater a ciência médica, congregar profissionais de excelência e auxiliar em questões de saúde pública.

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