Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Troca científica marcou o I Simpósio de Oncobiologia

Por Marina Verjovksy

O sucesso do 1º Simpósio do Programa de Oncobiologia foi refletido pelo verdadeiro intercâmbio de idéias e resultados de pesquisas em câncer. O evento contou com cerca de 180 inscritos, que assistiram às conferências dos palestrantes convidados e às apresentações de aproximadamente 60 pôsteres sobre os trabalhos dos membros do Programa.
 
No primeiro dia, a sessão de abertura do Simpósio foi declarada pelo Dr. Marcos Moraes, coordenador do Programa de Oncobiologia e presidente da Academia Nacional de Medicina, junto com Roberto Lent, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas, e Vivian Rumjanek, coordenadora do Núcleo de Ensino do Programa.
 
Em seu discurso, Marcos Moraes comentou sobre as dificuldades nas universidades brasileiras. “Esse programa tenta justamente diminuir as adversidades encontradas pelos pesquisadores, que são impulsionados pela sua grande vontade de trabalhar”. Concluiu citando a qualidade das pessoas envolvidas com o Programa e agradecendo à Dra. Helena Borges - pela organização do evento.
 
O Simpósio contou também com duas apresentações de uma convidada internacional, a Dra. Jean Y. J. Wang. Nascida em Taiwan, Jean hoje é diretora associada de pesquisa básica do Centro de Câncer da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, e editora do Journal Molecular and Cellular Biology.
 
A pesquisadora proferiu uma introdução sobre a célula de leucemia mielóide crônica, desde a primeira descrição, passando pela identificação dos genes e proteínas associadas e a descoberta dos quimioterápicos Gleevec e Imatinib. A maioria dos pacientes foi curada com esses medicamentos, porém, mantiveram uma expressão residual mínima da doença e alguns apresentam resistência ao quimioterápico. Portanto, outras terapias foram e ainda estão sendo desenvolvidas.
 
Jean e sua equipe acreditam que a reincidência desta leucemia acontece pois a célula precursora (uma célula-tronco leucêmica), que é resistente ao quimioterápico, deve se dividir diferenciadamente. Assim, esta célula sempre permanece viva após a morte das outras diferenciadas a partir dela, sensíveis à terapia. Junto com sua equipe, Jean comprovou essa teoria com a cultura, em laboratório, de células-tronco leucêmicas que expressam proteína verde fluorescente (e que, portanto, podem ter a sua linhagem de células monitorada). Eles verificaram que essa divisão diferenciada realmente ocorre e a célula-tronco remanescente ainda pode dar origem a outras células leucêmicas.
 
Foi com uma complementação dessa idéia, que Radovan Borojevic, membro do Programa de Oncobiologia, encerrou as conferências do primeiro dia. Sua apresentação sobre os microambientes hematopoiéticos da medula óssea comprova que, em tipos de tecidos (estromas) diferentes na medula óssea, uma célula-tronco leucêmica realmente pode ser induzida à multiplicação diferenciada. Jean observará, então, se o tipo de estroma que utiliza em seus experimentos influencia nesse processo.
 
III Encontro do Programa
O segundo dia do evento foi voltado para as apresentações dos membros do Programa. A escolha dos palestrantes privilegiou aqueles que já eram membros do Programa e ainda não haviam apresentado seus trabalhos em reuniões anteriores e os novos membros credenciados na última seleção. A pesquisadora Vivian Rumjanek ressaltou a importância dessa seleção para que a maioria dos membros credenciados possa conhecer as linhas de pesquisa de seus colegas e permitir maior interação entre os grupos.
 
Na abertura deste encontro, que contava com o auditório lotado, estavam presentes os Drs. Adalberto Vieyra e Vivaldo Moura-Neto. Adalberto aproveitou a ocasião para anunciar, em nome do Dr. Marcos Moraes, que o programa abrirá, em breve, um novo edital para uma bolsa de técnico de nível superior para operar o citômetro de fluxo. Comentou também sobre a idéia de implementar um mestrado profissional na área de câncer, que poderia contar com a associação de várias instituições, como o Inca, a Academia Nacional de Medicina e o Programa de Oncobiologia.
 
Os membros apresentaram temas variados, como: divulgação científica entre os pesquisadores do Programa e a ponte entre eles e a população, proteoma de tumores sólidos, genes supressores de tumores, alvos de drogas anticancerígenas, a interferência da anemia de Fanconi com os mecanismos de reparo genômico, o papel do saião (uma planta medicinal popular) como inibidor da produção de linfócitos.
 
Após o intervalo de almoço, também foram apresentados o papel das proteases na migração e invasão das células de câncer de próstata, possíveis implicações terapêuticas da proteína antiangiogênica endostatina, a importância da interação do tumor com o endotélio para a invasão de gliomas.
 
O evento foi então encerrado com a entrega dos prêmios para os melhores pôsteres apresentados no primeiro dia. Os vencedores foram os alunos de pós-graduação Paulo Carvalho e Janaína Fernandes. Também foi premiada a aluna de Iniciação Científica Gabriela Nestal de Moraes, além de outras 13 menções honrosas.

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