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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Regulação imunológica contra o câncer

Por Marina Verjovsky

Nosso sistema imunológico contém todas as ferramentas para combater células cancerosas, mas apenas algumas pessoas conseguem evitar o desenvolvimento dos tumores. Os piores prognósticos são atribuídos a uma mutação no gene Foxp3, pois ela induz uma proliferação excessiva de linfócitos CD4 que regulam o sistema imunológico. Essas células T regulatórias impedem a propagação das CD4 efetoras – responsáveis pelo controle dos tumores.

Porém, um estudo recente mostrou que outro tipo de célula T, chamado de gama-delta (γδ), pode se tornar regulatório ou efetor ainda na fase inicial de sua produção, no Timo. O coordenador da pesquisa, Daniel Pennington, do Institute of Cell and Molecular Science, em Queen Mary College, London University, explicou ao Onconews que essa descoberta abre uma nova abordagem de pesquisa no combate ao câncer.

Segundo Pennington, esse tipo gama-delta destrói as células do corpo que reconhecem como modificadas (como as tumorais ou infectadas por algum patógeno). Ao contrário das CD4 e CD8 (os tipos mais estudados), que apenas identificam como perigoso o patógeno em si e, portanto, não percebem as mudanças da célula cancerosa. "As células gama-delta têm um importante papel contra o câncer, pois são mais ativadas em pessoas que conseguem combater tumores do que nas que não são capazes", explicou Daniel. "Porém, ainda não sabemos por que isso acontece. Já tentamos ativá-las em cultura e reinseri-las no paciente, mas elas não duram muito tempo depois disso".

Portanto, o estudo fornece pistas de como desenvolver novas formas de incentivar a proliferação dessas células. "Se nossa hipótese se confirmar, poderemos pensar em meios de ajustar esses eventos diretamente no Timo e prevenir os efeitos indesejáveis", explica. Uma das alternativas seria tentar enganar o sistema imune para estimular uma resposta efetora em detrimento da regulatória.

Leucemia

Outra linha de pesquisa que a equipe de Pennington começa a investir é a tentativa de um novo modelo de transplante de medula óssea que seja mais eficaz contra a leucemia. Nas técnicas atuais, a radiação da medula do paciente (realizada antes do transplante) mata apenas 90% das células cancerosas. São as células doadas que eliminam a leucemia, pois não reconhecem a mudança de corpo e atacam as células restantes do paciente.

"A desvantagem dessa metodologia é que a metade desses pacientes morre porque as células doadoras atacam outros tecidos além das células leucêmicas", explica Daniel. "Outros 25% também morrem com o reaparecimento da doença e apenas cerca de 25% ficam curados". Porém, já foi visto que os pacientes curados expressam mais as células doadas gama-delta do que os outros.

Portanto, agora seu grupo busca por formas de irradiar a medula óssea dos doadores contra as células T e transplantá-la apenas com as gama-delta. Segundo o pesquisador, essa pesquisa deve apresentar resultados apenas nos próximos dois anos. "O objetivo principal do meu trabalho é estudar os outros tipos de células T, como as gama-delta", completa. "A maioria dos pesquisadores as ignora, mas elas parecem ter um papel muito importante no funcionamento do sistema imune".

Daniel Pennington esteve no Brasil em agosto para o XIII Congresso Internacional de Imunologia e visitou o Laboratório de Imunologia Tumoral da UFRJ, pertencente ao Programa de Oncobiologia.

 

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