Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Retrospectiva 2007: um ano de conquistas e tristeza

Por Marina Verjovsky

O novo ano chegou e, com ele, as esperanças são renovadas. Os anos que passam nos dão experiência para mudar o futuro, sempre na tentativa de superação e aperfeiçoamento das estratégias. É com essa idéia que o Onco News retoma o panorama de 2007, na retrospectiva anual dos acontecimentos e realizações do Programa de Oncobiologia.

As mudanças foram um marco de 2007. O ano começou com a troca de diretorias: Adalberto Vieyra cedeu a Roberto Lent o cargo (que ocupou por oito anos) de diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, no qual o Programa estava então inserido. Ao se despedir dos pesquisadores afiliados ao Programa, Adalberto lançou um desafio: "Nos próximos dois anos, o Programa deve consolidar sua institucionalização, pensar a criação de uma Pós-Graduação com mestrado profissional em Oncobiologia e inserir discussões importantes para o campo da oncologia."

Outras trocas também ocorreram no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ. O novo diretor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF), Olaf Malm, sucedeu Rafael Linden e Franklin Rumjanek passou a frente do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) para a primeira diretora mulher do Instituto: Débora Foguel. Mas as mudanças não pararam por aí: durante o ano o Programa de Oncobiologia foi transferido do ICB para o IBqM. 

Recadastramento e novas bolsas

Neste ano também ocorreu um novo recadastramento dos pesquisadores vinculados ao Programa. Para a seleção, 80% dos antigos membros solicitaram renovação e cerca de 20% novas requisições para credenciamento. O processo, desta vez, contou com uma comissão ad-hoc e privilegiou propostas de temáticas que envolvessem grupos multidisciplinares. O novo edital FAF/Onco aprovou 15 projetos no valor de R$ 20 mil cada. No final do ano, já foi depositada a primeira parcela de R$ 90.000,00 para ser divido entre os projetos. Como na liberação anterior, os agraciados podem fazer suas compras e encaminhar à FECD as devidas ordenações e notas fiscais, quando se tratar de pagamento de Pessoa Física e diárias.

O programa também lançou a segunda bolsa de Pós-Doutorado Pro-Onco Vivi Nabuco. Mais tarde, durante o processo de seleção dos candidatos, Marcos Moraes anunciou, diante do empate técnico, a concessão para este ano de mais uma bolsa de Pós-Doc, a Leopoldo De Meis. Portanto, foram aprovadas duas candidatas.

Diante da necessidade da UFRJ obter um técnico de nível superior para operar o citômetro de fluxo MoFlow - que custou U$ 400 mil à universidade e permanecia sub-utilizado -, mais uma bolsa foi criada em 2007 pela FAF/Onco. A bolsa de técnico com duração de um ano foi concedida em setembro à bióloga Alessandra de Paiva Granato. Desde então, o equipamento já começou a atender cientistas de diversos institutos da universidade (do CCS e Coppe), além de outras instituições, como UFF, Inca e Fiocruz. Alessandra realiza diversos cuidados diários de manutenção e auxilia os pesquisadores no uso do equipamento. 

Reconhecimento e ensino

O início de 2007 trouxe ao Programa um importante resultado: dos 31 projetos aprovados no edital da Rede de Pesquisa em Métodos Moleculares em Diagnóstico e Prognóstico de Neoplasias (Rede SUS/Faperj), 19 foram de pesquisadores do Programa de Oncobiologia - cinco da Uerj, três da Fiocruz e quatro do Inca. O que deixa claro a qualidade científica dos membros.

Além disso, outra excelente notícia de grande prestígio permeou o ano. O coordenador do Programa de Oncobiologia, o cirurgião Marcos Moraes, foi eleito Presidente da Academia Nacional de Medicina. Em sua gestão, pretende dar um choque de modernidade sem macular a tradição dessa casa quase bicentenária. Outra meta é dar assessoria ao governo Lula nas questões de saúde. Fundada em 1829 sob o reinado do imperador D. Pedro I, a história da Academia é pontuada pela prática da medicina no país. Entre seus principais objetivos - inalterados desde sua implantação -, a contribuição para estudos, discussões e  desenvolvimento de várias áreas como a cirurgia, a saúde pública e a ciência. A Academia ainda atua como centro de referência para a assessoria de diversos governos brasileiros em políticas de âmbito nacional.

O Núcleo de Ensino ofereceu cinco cursos em 2007. As temáticas foram Biologia Molecular na Clínica Médica; Secretoma de Tumores Sólidos; Células-tronco Embrionárias; Angiogênese, Coagulação e Câncer e Divulgação Científica. Os módulos despertaram grande interesse dos alunos e atraiu 157 estudantes de graduação e pós-graduação, com formações e origens variadas.

Eventos

A nova coordenadora do Núcleo de Eventos do programa, a pesquisadora Helena Borges, organizou o I simpósio de Oncobiologia. O evento contou com cerca de 180 inscritos, diversas palestras e cerca de 60 pôsteres sobre os trabalhos dos membros do Programa. Além disso, o Simpósio recebeu uma convidada internacional, a Dra. Jean Y. J. Wang. Nascida em Taiwan, Jean hoje é diretora associada de pesquisa básica do Centro de Câncer da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, e editora do Journal Molecular and Cellular Biology. A pesquisadora apresentou os resultados de sua pesquisa em leucemia mielóide crônica resistente a quimioterápicos.

O segundo dia do evento foi voltado para as apresentações dos membros do Programa. A escolha dos palestrantes privilegiou os novos membros credenciados na última seleção e aqueles que já eram membros do Programa e ainda não haviam apresentado seus trabalhos em reuniões anteriores. O evento foi encerrado com a entrega dos prêmios para os melhores pôsteres. Os vencedores foram os alunos de pós-graduação Paulo Carvalho e Janaína Fernandes. Também foi premiada a aluna de Iniciação Científica Gabriela Nestal de Moraes, além de outras 13 menções honrosas.

Outro evento organizado por Helena foi o de comemoração das festas de final de ano do Programa, ocorrido dia 13 de dezembro. Nele, a diretora do Instituto de Bioquímica da UFRJ, Débora Foguel, ressaltou o prazer que o programa trouxe quando incorporado ao instituto: "A oportunidade de hospedá-los foi uma das nossas principais conquistas em 2007". O primeiro ganhador da bolsa Pro-Onco Vivi Nabuco, Fabio Mendes, apresentou os resultados de sua pesquisa em glioblastoma multiforme, o tumor de glia mais maligno. Eliane Volchan mostrou seus mais novos resultados que explicam como os estímulos visuais agem contra o tabagismo, para a prevenção do câncer. A jornalista Claudia Jurberg ressaltou a barreira lingüística na relação entre jornalistas e cientistas e o Dr Marcos Moraes comentou que seu sonho é formar é criar um centro integrado de câncer, que concilie pesquisa, divulgação e atenção aos pacientes, exatamente o que propõe com o Programa de Oncobiologia. "E acho que não estamos muito longe disso".

Luto

Apesar das grandes mudanças e conquistas alcançadas durante o ano, 2007 foi então encerrado com muita tristeza, devido ao falecimento da pesquisadora e membro do Programa Vera Lúcia Gonçalves Koatz.  Em nota de pesar, a diretoria da Faperj afirmou: "Salvo todos os seus atributos profissionais, que foram um exemplo de perseverança, honestidade e dedicação para a ciência no estado do Rio de Janeiro, a professora Vera Koatz  sempre se mostrou de um companheirismo e humanidade que impressionava a todos os que tiveram a oportunidade e o privilégio de compartilhar de seu carinho, de sua amizade e do seu amor e respeito ao próximo. Fica aqui a nossa homenagem a professora Vera Lucia Gonçalves Koatz, uma  mulher que foi verdadeiramente guerreira, dotada de  uma extrema dedicação e uma fé inabalável em seus ideais e idéias por um mundo e uma ciência melhor em nosso estado, em nosso país". A professora era casada com o pesquisador e urbanista Gílson Koatz e deixou três filhos.

Leia a nota na íntegra no site http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=4206.  

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