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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Colaboração une pesquisadores do Programa de Oncobiologia à Universidade do Rio Grande

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), em visita ao Programa de Oncobiologia no último mês, discutiram com os parceiros cariocas os avanços nos estudos sobre duas linhagens de células tumorais eritroleucêmicas, a Lucena e a FEPS, com características de resistência a múltiplas drogas, desenvolvidas pelo Laboratório de Imunologia Tumoral da UFRJ. 

O fenótipo de resistência a múltiplas drogas (MDR) é o principal desafio conhecido atualmente ao tratamento quimioterápico do câncer. Este fenômeno pode estar relacionado a uma série de fatores que ainda necessitam de estudos para serem melhor compreendidos. 

A pesquisadora Ana Paula Votto, professora da FURG, explicou que o grupo do Rio Grande descobriu que a Lucena e a FEPS têm mais marcadores de célula-tronco e ainda assim são mais diferenciadas. “Parece que quanto mais resistente é a célula, mais diferenciada ela se apresenta” diz Ana. Para ela, o achado é o contrário da hipótese inicial do grupo. Além dessa descoberta, uma série de estudos se desenvolveu a partir do estudo com as linhagens de células. 

Um bom exemplo são os estudos que avaliam a sensibilidade das linhagens de células eritoleucêmicas à substância chamada c-ficocianina, extraída da cianobactéria Spirulina platensis, capaz de provocar morte celular nessas linhagens ou fazer com que diminuam sua proliferação, especialmente quando associada aos quimioterápicos. A ideia de testar a substância extraída da cianobactéria faz parte de uma pesquisa ainda maior que reúne pesquisadores da área da química e alimentos, que testam a importância da substância para fins nutrocionais. “Hoje na FURG, vários pesquisadores avaliam o uso da Spirulina inclusive na merenda escolar”, informa a pesquisadora. 

Outro estudo desenvolvido na FURG com as linhagens celulares Lucena e FEPS se refere ao gene MDR1 (responsável pela codificação da Glicoproteína P que transporta fármacos em tecidos humanos) em relação a um outro gene denominado ALOX5, associado à indiferenciação celular. “Quanto mais MDR1 a célula tem, menos ALOX5 apresenta. Queremos ver se a superexpressão e o silenciamento de MDR1 alteram a expressão de ALOX5 nas linhagens resistentes”, explica Ana. Assim como os exemplos citados, outras pesquisas são atualmente desenvolvidas na FURG relacionadas à área oncológica, fazendo parte de uma troca de informações com pesquisadores do Programa de Oncobiologia, algo que favorece descobertas científicas na área de resistência a múltiplas drogas.

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