Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

A medicina translacional no tratamento de tumores cerebrais

Claudia Jurberg

Desde os primórdios do Programa de Oncobiologia, quando ainda erámos apenas 13 membros, o pesquisador Vivaldo Moura Neto, do então Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, já era colaborador assíduo, seja em participações dos encontros do Programa ou intensificando as trocas entre os afiliados.

Passados 17 anos, Moura Neto assumiu a direção científica do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC), e traz novas perspectivas para o Programa de Oncobiologia. O OncoNews revela as novidades nesta entrevista. 

OncoNews – Quais são as principais linhas de pesquisa de seu laboratório?

Vivaldo Moura Neto - Continuamos associados ao meu Laboratório de Morfogênese Celular no ICB da UFRJ, que é o berço da minha vida profissional. Neste sentido, ainda nos dedicamos a pesquisas sobre neurônios associados à família das células gliais, que têm uma enorme importância no desenvolvimento cerebral. Praticamente em grande parte da minha vida acadêmica, tenho me dedicado a esse assunto e demonstrado que a célula glial é o suporte para o desenvolvimento do neurônio, mas não apenas como um suporte material, mas porque é capaz de liberar moléculas ou ter um contato íntimo com os neurônios, contribuindo para que ele se desenvolvam corretamente. A partir desse panorama interativo entre neurônio e glia sadios, nos perguntamos sobre os problemas do cérebro quando ele está doente. A célula glial doente é o glioma que compõe uma família de tumores cerebrais, sendo o glioblastoma o mais grave. Mesmo com sua retirada cirúrgica, quando possível, há um risco alto desse mesmo tumor recidivar. O tumor que volta acaba sendo mais grave do que a neoplasia primária. 

OncoNews – E o que vocês estudam em gliomas?

Vivaldo Moura Neto – O primeiro foco é a biologia do tumor sua interação com o microambiente cerebral. Em segundo lugar, procuramos investigar se é possível desenvolver diagnósticos mais precisos para os gliomas, pois até hoje ainda há equívocos na classificação e muitas dúvidas e dificuldades as quais podem provocar terapias muito agressivas, quando não precisa, ou o inverso. Assim, trabalhamos em busca de novos marcadores como microRNAs ou nas mutações no DNA que levam a esse tumor. Por exemplo, identificamos uma variante mutacional geradora de moléculas mitocondriais que são capazes de interferir no metabolismo do tumor. 

OncoNews? E há algum estudo sobre metástases em tumores cerebrais?

Vivaldo Moura Neto – Na verdade, não existe ou são raríssimas as metástases de tumores cerebrais. Mas nosso grupo tem uma outra linha que é investigar a capacidade migratória do tumor. Nesse campo, estudamos moléculas de superfície do tumor e o papel dessas moléculas na migração. Este estudo é importante para entender a capacidade invasiva dele em se instalar em outras regiões do próprio cérebro.

OncoNews - Você mantém outras parcerias com membros do Programa de Oncobiologia?

Vivaldo Moura Neto - Temos parceria com a Juliana Eschevarria, do Instituto de Microbiologia da UFRJ e ainda colaboração com a Claudia Pereira que é professora da Unigranrio e especialista em câncer oral e biologia molecular. Uma colaboração com Flavia Lima, do ICB da UFRJ sobre interação microglia-tumor está em curso.Outra colaboração é com a minha aluna de doutorado Joana Balça, da Universidade de Coimbra, de Portugal e a colega de lá Maria Celeste Lopes. Neste caso, queremos nos aprofundar ainda na base do aparecimento dos tumores que é a célula-tronco tumoral. E temos ainda tentado aprofundar as colaborações aqui no hospital do Instituto do Cérebro, visando, de fato, a medicina translacional, porque acredito que não se pode manter um hospital sem pesquisa e não se pode fazer pesquisa sem hospital, na área de saúde é claro. 

OncoNews – O caminho para montar esse laboratório foi muito árduo?

Vivaldo Moura Neto - O professor Jerson Lima Silva, que também pertence ao Programa e é diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro, junto com o então presidente da Faperj, Ruy Garcia Marques, em conversa comigo e o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, mentor deste hospital, nos ajudaram a viabilizar essa proposta de montar aqui, além do hospital especializado em cirurgias cerebrais, um centro de pesquisa. Aqui, não tínhamos nenhuma infraestrutura científica, de investigação. Assim, foi feito um primeiro projeto apresentado para a Faperj que possibilitou a compra de equipamentos e uma pequena obra. Estes recursos foram aplicados em nosso laboratório e nos dois outros. Sim, o IEC conta ainda com outros dois laboratórios: um de anatomia patológica para caracterização e classificação dos tumores; e outro de neuroendocrinologia. 

OncoNews – E quantas profissionais fazem parte da sua equipe aqui?

Vivaldo Moura Neto – Aqui no Laboratório que dirijo trabalham quatro jovens doutores, duas candidatas à pós-doutorado, três alunos de doutorado, duas alunas de doutorado vindas de Nairobi, alunos ainda de mestrado e iniciação científica.

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