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Câncer de esôfago sob os holofotes

Pesquisa do novo bolsista de pós-doutorado da Fundação do Câncer visa estudar gene associado a um dos cânceres mais frequentes – e mortais – no Brasil e no mundo.


As estatísticas de incidência do câncer de esôfago são alarmantes. Este tipo de tumor é o oitavo mais incidente no mundo e o sexto em relação à taxa de mortalidade. Antonio Palumbo, pesquisador agraciado com uma bolsa de pós-doutorado no exterior da Fundação do Câncer, dedica-se há alguns anos ao estudo deste tipo de câncer. Nesta nova etapa de seu trabalho, que será realizada na Universidade de Nápoles Federico II, na Itália, Palumbo estudará o gene HMGA-1 no adenocarcinoma de esôfago.


O câncer de esôfago é subdividido em dois tipos principais, o adenocarcinoma de esôfago (ADE) e o carcinoma epidermoide (CEE). Dentre os principais fatores de risco relacionados ao desenvolvimento do ADE, destacam-se a obesidade, o refluxo gastroesofágico e o tabagismo. “Verificamos recentemente haver uma alta expressão do gene HMGA-1 no adenocarcinoma de esôfago. No entanto, não sabemos se a elevada expressão deste gene poderia estar envolvida com a progressão da doença”, explica o pesquisador.


O objetivo de seu atual projeto é dar continuidade à linha de pesquisa estabelecida durante seu doutorado, avaliando o papel biológico exercido pelo gene HMGA-1, bem como seu potencial diagnóstico e prognóstico no ADE.


“Seria importante entender se esta elevada expressão consiste em um evento precoce ou mesmo tardio ao longo do desenvolvimento deste tumor, bem como se poderia se apresentar como um potencial biomarcador na detecção e progressão do adenocarcinoma de esôfago”, continua. O ADE figura entre os tumores mais letais do mundo – a taxa de mortalidade é de praticamente 90 óbitos a cada 100 casos.
“Esta característica está intimamente ligada à detecção tardia da doença, sendo o câncer de esôfago normalmente diagnosticado após o aparecimento dos primeiros sintomas clínicos, em especial a dificuldade na deglutição de alimentos, fato que normalmente está associado a um avançado estágio de desenvolvimento deste câncer”, explica Palumbo.


As expectativas do cientista em relação ao período de pós-doutorado na Itália são as melhores possíveis. “A colaboração com o grupo do professor Alfredo Fusco, na Itália, encontra-se em andamento há algum tempo, e temos colhido ótimos resultados. Desta maneira, entendo que esta oportunidade será fundamental não somente no contexto científico, mas também no que diz respeito ao fortalecimento dos laços que vem sendo desenvolvidos entre ambos os grupos ao longo dos últimos anos”, afirma.

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