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Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 22/03/2016

Brasil ganha primeira edição em língua portuguesa do Atlas do Câncer

Livro traz panorama sobre fatores de risco e incidência em 185 países. Em 2016, Brasil terá 600 mil novos casos de câncer, segundo documento.

Do G1 Ribeirão e Franca

Dados sobre a incidência do câncer no Brasil e no mundo assim como formas de prevenção estão reunidas no Atlas do Câncer lançado nesta quarta-feira (16) em São Paulo (SP).

Pela primeira vez, a edição ganhou sua versão em língua portuguesa e contou com a participação de profissionais do Hospital de Câncer em Barretos (SP), e de pesquisadores das três principais instituições de tratamento da doença nos Estados Unidos.

O atlas com informações sobre a doença em 185 países está disponível nas versões impressa e online.

Mama e próstata no Brasil

O livro mostra que os tipos de câncer mais comuns no Brasil, o de mama entre as mulheres e o de próstata nos homens, têm as chances de tratamento e cura enormemente facilitadas quando o diagnóstico é precoce.

Por isso, os médicos brasileiros e do mundo todo insistem na importância da prevenção.

Só em 2016, 600 mil novos casos da doença devem ser registrados no país, conforme levantamento feito pelo estudo.

De acordo com o diretor do Instituto de Pesquisa do Hospital de Câncer de Barretos José Humberto Fregnati, o material completo auxilia o trabalho de médicos e facilita a comunicação com pacientes. “Ele pode ser utilizado de uma forma muito fácil para explicar, por exemplo, para os pacientes conceitos de prevenção de câncer, fatores de risco de câncer. O médico no seu consultório pode ter esse atlas e mostrar para o paciente para ficar mais fácil o entendimento, a explicação de prevenção e tratamento”, afirma.

Dados sobre o planeta

O estudo feito no mundo inteiro obteve dados importantes sobre a ocorrência dos tipos da doença. Entre as mulheres, o câncer de mama é o de maior incidência. Depois, aparecem os cânceres de intestino grosso e de colo do útero.

No caso dos homens, o de pulmão é mais frequente no leste europeu, na Ásia e no norte da África. O câncer de próstata é o que mais ocorre na Europa ocidental, na maior parte da África e nas Américas, incluindo o Brasil.

Fregnati afirma que o número de casos de câncer no intestino grosso tem crescido no Brasil, e que o motivo pode estar aliado às mudanças no hábito da população. “Os brasileiros estão cada vez mais acima do peso, e a obesidade, o sobrepeso, são fatores de risco para o câncer colo-retal também”, diz.

Para o ginecologista Júlio César Possati Resende, do Departamento de Prevenção do Hospital de Barretos, a prevenção é o principal fator que contribui para minimizar o risco de morte pela doença.

“Nós consideramos que quando você consegue identificar os fatores de risco e também consegue identificar formas de detectar câncer precocemente você tem um passo muito grande, um ganho em termos de diminuir a mortalidade, todos os problemas relacionados à doença em si”, afirma.

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2016/03/brasil-ganha-primeira-edicao-em-lingua-portuguesa-do-atlas-do-cancer.html

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Cientista mineira estuda novas possibilidades de gravidez pós-câncer

Jhenifer Kliemchen Rodrigues propõe técnica que pode ser alternativa para mulheres que queiram engravidar depois de tratar tumor

 

Bruno Freitas - Estado de Minas

Publicação:05/03/2016 14:04

Cultivo in vitro (em ambiente controlado) de folículos ovarianos ainda em estágio inicial pode auxiliar pacientes com câncer a engravidar depois da cura da doença. Desenvolvida por cientista mineira ao longo de 18 meses nos laboratórios do Oregon National Primate Research Center e Oregon Health and Science University, em Beaverton (Oregon), nos Estados Unidos, a pesquisa usou material ovariano fresco de 14 macacas da espécie Macaca mulatta adultas, coletado na fase inicial do amadurecimento (estágio secundário).

Foi analisado o desenvolvimento dos folículos, cultivados em incubadora a 37OC, em diferentes experimentos por cerca de cinco semanas. Ao fim, observou-se que, na presença de hormônios masculinos (androgênios), os folículos recuperaram a sobrevida, crescimento, formação do antro (característica de maturação) e produção hormonal.

A nova técnica tem potencial de se tornar uma alternativa para crianças e mulheres que precisam se submeter a tratamento contra o câncer.

O meio mais comum na preservação da fertilidade feminina atual usa oócitos (óvulos) maduros obtidos depois da estimulação ovariana artificial, o que não garante maternidade para meninas que ainda não entraram na puberdade, que, por isso, não podem ser estimuladas artificialmente.

Mulheres que correm riscos de retorno do câncer também ficam impedidas de recorrer à criopreservação (congelamento) de tecido ovariano e posterior reimplante por risco de metástase, explica a cientista mineira e autora da pesquisa, Jhenifer Kliemchen Rodrigues.

Os experimentos de Jhenifer, que está à frente da Rede Brasileira de Oncofertilidade – composta de oito grupos assistenciais e/ou de pesquisa no Brasil –, ajudam a esclarecer um paradigma da ciência atual, comprovando que os androgênios apresentam ações benéficas no amadurecimento e crescimento, além de importante papel no desenvolvimento inicial folicular. Com a maturação folicular realizada em laboratório, espera-se que a técnica beneficie esse perfil de paciente.

Os folículos são estruturas presentes dentro dos ovários, desenvolvendo-se cada um por vários estágios de amadurecimento. Por muito tempo, os androgênios foram considerados prejudiciais à maturação folicular. Os resultados são parte da tese “Papel dos androgênios na sobrevida, crescimento e secreção de hormônios esteroides e antimüllerianos por folículos de Macaca mulatta cultivados individualmente em matriz 3D”, desenvolvida pelo Setor de Reprodução Humana da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) e a Oregon Health and Science University. A tese conferiu a Jhenifer o título de doutora em 2014, o prêmio Capes de Tese 2015 na área de Medicina III e uma bolsa de pós-doutorado.

“Os resultados contribuem para um melhor entendimento da foliculogênese em primatas, que ainda é muito pouco compreendida, além de auxiliar na identificação das condições ótimas para o cultivo folicular in vitro, cuja melhora é fundamental para propiciar a obtenção de oócitos maduros saudáveis. O desenvolvimento da técnica permitiria que pacientes com câncer que criopreservaram o tecido ovariano antes de iniciar o tratamento da doença ter a chance de engravidar, sem necessidade de transplante do próprio tecido”, observa a pesquisadora.

Para o incremento da técnica, são sugeridos por ela novos estudos com a adição de hormônios masculinos (testosterona e di-hidrotestosterona) ao meio de cultura, uma vez que o estudo mostrou papel importante desses hormônios para o desenvolvimento dos folículos em laboratório. “Os estudos permitiriam o maior entendimento do processo do desenvolvimento dos folículos, bem como testar diferentes combinações de componentes no meio de cultivo”, acrescenta.

A ideia do projeto surgiu com a ida de Jhenifer para os Estados Unidos no início de 2010, como parte do doutorado. O grupo de pesquisas norte-americano de Oregon já havia obtido resultados positivos em estudos preliminares com a técnica. Faltava, contudo, um melhor entendimento da foliculogênese (desenvolvimento dos folículos), para que, no futuro, a técnica pudesse ser aplicada clinicamente em humanos. Daí surgiu a proposta de se estudar o papel dos hormônios esteroides, em particular os androgênios – testosterona e di-hidrotestosterona –, no desenvolvimento folicular. Do início ao fim, foram 18 meses de trabalho, que resultou na obtenção de resultados que ajudam na compreensão da foliculogênese e otimização da técnica de maturação de folículos em laboratório.

Foram analisadas 14 fêmeas adultas de Macaca mulatta com ciclos menstruais regulares e coletados entre 60 a 100 folículos, em média, de cada animal. Os folículos foram coletados de forma mecânica, utilizando agulhas para seu isolamento individual, sob lupa e em placa aquecida a 37OC. Na sequência, o material foi encapsulado em matriz 3D a base de alginato, cultivados por aproximadamente 40 dias de cultivo em incubadora a 37OC e 5% de CO2.

HOJE E AMANHÃ Criopreservação e reimplante de tecido ovariano já são realizados globalmente, apesar de a técnica ainda ser considerada experimental. A literatura científica relata 60 nascidos vivos e cinco gestações em curso. No Brasil, apenas um transplante foi realizado, porém com o uso de tecido fresco, sem congelamento, e de irmãs gêmeas. A pesquisadora Jhenifer Rodrigues lembra que ainda há um longo caminho para que a técnica se torne realidade nas clínicas de fertilização. “Precisa ser melhorada em muitos aspectos, como o meio de cultivo, a adição de esteroides, fatores de crescimento. No estudo, o tecido ovariano foi usado fresco. Deve ser testada em tecido ovariano humano criopreservado”, diz.

Ela acredita ainda que as informações aos pacientes e profissionais de saúde devam avançar. Um dos objetivos da Rede Brasileira de Oncofertilidade, fundada em 2013 e conhecida internacionalmente como Brazilian Oncofertility Consortium (BOC) da qual a pesquisadora está à frente, é levar informações sobre técnicas atualizadas para preservar a fertilidade e realizar parcerias em projetos de pesquisa. O público-alvo reúne principalmente médicos oncologistas, ginecologistas, urologistas e mastologistas, que lidam diariamente com pacientes oncológicos. Entre as recentes publicações da rede, está o livro Preservação da fertilidade: uma nova fronteira em medicina reprodutiva e oncologia (Medbook Editora), que aborda de forma profunda aspectos envolvidos na oncofertilidade.

http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2016/03/05/noticia_saudeplena,156290/cientista-mineira-estuda-novas-possibilidades-de-gravidez-pos-cancer.shtml

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CRM recomenda que médicos não receitem 'pílula do câncer'

JULIANA DIÓGENES - O ESTADO DE S. PAULO

18 Março 2016 | 03h 00 - Atualizado: 18 Março 2016 | 03h 00

 

Presidente da entidade disse que, caso instituição receba denúncias de prescrição da substância, o médico será processado e punido

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CRM-SP) pediu nesta quinta-feira, 17, que médicos não receitem aos pacientes fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer”, sob risco de cassação do registro profissional.

Em audiência pública realizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o presidente do CRM-SP, Bráulio Luna, disse que, caso a instituição receba denúncias de prescrição da substância, o médico responsável será processado e punido.

A fosfoetanolamina é produzida em um laboratório sem qualificação sanitária para produção de fármacos no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQSC) em São Carlos, no interior do Estado. A “pílula do câncer” não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nem o laboratório possui autorização para trabalhar com síntese de medicamentos.

A única pessoa que fabrica a substância é um químico do laboratório no IQSC, Salvador Claro Neto, um dos detentores da patente da substância, junto com o professor aposentado Gilberto Chierice e outras quatro pessoas. Por 20 anos, o grupo produziu e distribuiu as pílulas gratuitamente para pacientes com diagnóstico de câncer, tendo como base estudos preliminares em camundongos.

“A substância não é liberada para uso médico pela Anvisa, não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e as pessoas não podem fazer uso de remédio que não for autorizado. Se tiver denúncia (contra os médicos), o Conselho vai abrir sindicância para saber se ele tem autorização de algum órgão competente para usar a droga. O médico vai sofrer o devido processo legal, que vai desde uma advertência até uma cassação”, disse Luna.

O presidente do CRM descartou a publicação de resolução para determinar os procedimentos aos médicos. “Não tem nenhuma (resolução) porque não há razão para ter. Essa é uma substância que vai começar a ser testada agora. Mesmo que dê um resultado razoável nesses ensaios clínicos, não quer dizer que a droga vai entrar no mercado”, afirmou.

O CRM-SP já havia se manifestado publicamente, afirmando que a droga não é reconhecida e, portanto, os profissionais não devem prescrevê-la - com exceção daqueles que estejam em protocolos de pesquisa e tenham licença para fazer uso da substância.

Batalha judicial. Também participaram da audiência dois procuradores da USP, Maria Paula Dallari e Aloysio Vilarino. Eles voltaram a se queixar do volume de ações judiciais que estão travando o sistema da universidade.

Segundo a instituição, em um mês, a Procuradoria-Geral recebeu 2 mil novos processos. Hoje, são 15 mil ações, segundo Maria Paula, que vêm de quase todos os Estados - com exceção, até agora, de Roraima e Amapá. A Procuradoria chega a receber mais de cem processos de pedidos de fosfoetanolamina por dia de um só oficial de Justiça.

“Para a Procuradoria, isso não é um medicamento. É uma substância que ainda precisa passar por etapas de testes. A USP não foi criada para produzir remédio”, disse Maria Paula.

http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,crm-recomenda-que-medicos-nao-receitem-pilula-do-cancer,10000021906

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Nova técnica que combina 2 drogas reduz câncer de mama ‘dramaticamente’ em 11 dias

 

Médicos se surpreenderam ao descobrir, na operação para retirada de tumores, que estes tinham regredido em pacientes que haviam tomado combinação de medicamentos.

James Gallagher / Correspondente de Saúde, BBC News

Uma combinação de dois medicamentos pode diminuir muito ou eliminar alguns tipos de câncer de mama em apenas 11 dias, de acordo com médicos britânicos. Eles dizem que a descoberta "surpreendente", apresentada na Conferência Europeia de Câncer de Mama, pode significar que algumas mulheres não irão precisar de quimioterapia. As drogas, testadas em 257 mulheres, atacam uma fraqueza específica encontrada em 1 a cada 10 casos de câncer.

Segundo especialistas, a descoberta é um passo importante para cuidados sob medida para o câncer. Os médicos que coordenaram os testes não esperavam - nem sequer pretendiam - alcançar resultados tão significativos. Eles estavam pesquisando como as drogas mudavam o câncer na breve janela entre o diagnóstico de um tumor e a operação para removê-lo. Mas no momento da operação, não havia mais sinais de câncer em algumas pacientes.

Judith Bliss, do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres, disse que o impacto da descoberta seria "dramático". "Ficamos especialmente surpresos com essas descobertas já que foi um teste de curto prazo. Ficou claro que alguns tiveram uma resposta completa. É muito intrigante, é muito rápido", disse à BBC.

Tipo de câncer

As drogas usadas foram lapatinib e trastuzumab, essa última mais conhecida como Herceptin. As duas têm como alvo a HER2, proteína que acelera o crescimento de alguns cânceres de mama em mulheres. O Herceptin age na superfície de células cangerígenas, enquanto o lapatinib consegue penetrar dentro da célula para 'desligar' a HER2. O estudo, que também ocorreu em hospitais do NHS (o SUS britânico) em Manchester, deu o tratamento a mulheres com tumores medindo entre 1 e 3 cm. Em menos de duas semanas de tratamento, o câncer desapareceu completamente em 11% dos casos, e em outros 17% ele ficou menor que 5mm.

Atualmente, quem tem câncer de mama HER2 positivo tem mais chances de reincidência. "Teríamos que ter certeza de que não estamos dando um passo atrás e aumentando o risco de reincidência", acrescentou Bliss.

"Esperamos que esse teste particularmente impressionante com essa combinação sirva para darmos um passo além em direção a uma era com mais tratamentos personalizados para câncer de mama HER2 positivo", disse Delyth Morga, presidente-executiva da Breast Cancer Now.

Cientistas estavam pesquisando como as drogas mudavam o câncer na breve janela entre o diagnóstico de um tumor e a operação para removê-lo; no momento da operação, não havia mais sinais de câncer em algumas pacientes. "Uma resposta tão rápida ao tratamento pode dar ao médicos, em breve, uma capacidade sem precedentes de identificar mulheres que respondam tão bem (ao tratamento) que nem precisem de quimioterapia."

Hoje, acredita-se que o que chamamos de "câncer de mama" seriam dez doenças diferentes, cada uma com causa, expectativa de vida e tratamento necessário diversos. Conseguir combinar as fraquezas específicas de cada tumor com drogas que as ataquem é considerado o futuro do tratamento do câncer. Os cânceres de mama, em particular os tumores HER2 positivos, estão na linha de frente desta revolução no tratamento.

Arnie Purushotham, do Cancer Research UK, que financiou o estudo, disse: "Esses resultados são muito promissores se se sustentarem em longo prazo, e podem ser o primeiro passo em achar uma nova forma de tratar este tipo de câncer."

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/03/nova-tecnica-que-combina-2-drogas-reduz-cancer-de-mama-dramaticamente-em-11-dias.html

 

 

 

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