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Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 18/08/2014

Uma aspirina por dia pode prevenir câncer, diz estudo

BBC Brasil – 06/08/2014

A ingestão de uma aspirina por dia pode reduzir as chances de se desenvolver certos tipos de câncer, como de intestino e estômago, segundo um estudo britânico.

Os pesquisadores dizem que se cada cidadão britânico com mais de 50 anos tomasse um comprimido diariamente durante 10 anos, 122 mil mortes poderiam ser evitadas.

Cientistas da universidade Queen Mary, de Londres, analisaram cerca de 200 estudos sobre prós e contras da aspirina para a pesquisa, publicada pela revista médica Annals of Oncology.

No entanto, o estudo alerta que o remédio também pode provocar sangramento interno.

Os casos de câncer de intestino, estômago e esôfago chegam a ser reduzidos entre 30% e 40% pelo uso diário da aspirina.

Também foram encontrados indícios de que a droga pode também diminuir os riscos provocadas por câncer de mama, de próstata e de pulmão.

O estudo descobriu que pacientes precisam tomar o remédio por pelo menos cinco anos para obter algum benefício.

O coordenador da pesquisa, Jack Cuzick, da universidade Queen Mary, aconselha maiores de 50 anos a tomarem uma pequena dose (75mg) de aspirina por dia por uma década.

Para cada mil pessoas com mais de 60 anos que ingerirem a droga durante 10 anos, os resultados uma década depois seriam:

- 16 mortes a menos por câncer

- uma morte a menos por ataque cardíaco

- duas mortes a mais por sangramento interno

Efeitos colaterais

O próprio professor Cuzick vem tomando aspirina diariamente, e afirmou que os efeitos colaterais não podem ser ignorados.

"Ainda assim, parece ser a coisa mais importante a ser feita para prevenir câncer, atrás apenas de parar de fumar e reduzir a obesidade. E provavelmente seria muito mais fácil de se implementar."

Os benefícios inclusive parecem continuar mesmo depois de as pessoas terem parado de tomar aspirina, embora não se saiba ao certo por quanto tempo.

Como o risco de sangramento interno cresce de acordo com a idade do paciente, os médicos sugerem que não se tome a droga por mais de 10 anos.

Além disso, também existem dúvidas acerca dos benefícios de doses maiores.

Entre os efeitos colaterais conhecidos, estão sangramentos no estômago e no cérebro.

O estudo constatou que 122 mil vidas poderiam ser salvas na Grã-Bretanha se todas as pessoas entre 50 e 64 anos tomassem uma aspirina diariamente. No entanto, estima-se que outras 18 mil morreriam por efeitos colaterais.

Entre os pacientes mais pré-dispostos a sangramentos estão aqueles que tomam medicação anticoagulante, fumantes e consumidores frequentes de álcool.

Uma representante da organização não-governamental Cancer Research UK, Julie Sharp, alertou contra a recomendação prematura da aspirina.

"Antes que ela possa ser recomendada na prevenção do câncer, algumas questões importantes precisam ser respondidas e novos testes precisam ser desenvolvidos para descobrir que pacientes têm mais chances de sofrer efeitos colaterais", afirmou Sharp à BBC.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140806_aspirina_cancer_ebc.shtml

 

Obesidade pode aumentar risco de 10 tipos de câncer, segundo estudo

O Globo – 14/08/2014

A obesidade pode aumentar o risco de desenvolvimento de 10 tipos de câncer, de acordo com pesquisa publicada na revista médica "Lancet". O estudo, o maior do gênero, reuniu uma base de dados inédita com mais de cinco milhões de indivíduos ao longo de um período de sete anos.

Com os números, o estudo mostrou que pessoas em sobrepeso respondem por mais 12 mil casos de câncer por ano no Reino Unido. Além disso, a obesidade também seria a responsável por aumentar em 3,7 mil o número de pacientes que sofrem com a doença por ano.

Médicos sempre alertam que o excesso de peso pode aumentar o risco de desenvolver câncer. No entanto, a pesquisa conduzida por cientistas da London School of Hygiene teve o mérito de destacar quais os maiores riscos para determinadas doenças. Eles descobriram que de 13kg a16kg extras adquiridos por um adulto médio, aumentavam o risco de seis tipos da doença: câncer de útero (maior aumento no risco), vesícula biliar, rim, colo do útero, tireóide e leucemia (menor aumento no risco).

Pessoas que tiveram um alto índice de massa corporal (IMC) também foram mais propensos a desenvolver câncer do fígado, cólon, ovários e câncer de mama pós-menopausa. Mas os efeitos para esses tipos de câncer eram menos claros e foram influenciados por fatores individuais, como a menopausa.

Por outro lado, o estudo também mostrou que um maior IMC está associado a uma menor chance de desenvolver câncer de próstata.

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/obesidade-pode-aumentar-risco-de-10-tipos-de-cancer-segundo-estudo-13598832

 

Bactérias modificadas "comem" tumores em teste com animais e humanos

Folha – 14/08/2014

Injetar bactérias geneticamente modificadas num tumor que já resistiu a vários tratamentos não parece a mais lógica das abordagens, mas foi o que fizeram cientistas nos EUA –e com um grau considerável de sucesso.

Ocorre que os micróbios são capazes de, ao mesmo tempo, "comer" pedaços do tumor e evitar danos aos tecidos saudáveis do paciente, mostra a pesquisa publicada na edição desta semana da revista especializada "Science Translational Medicine".

Os resultados, ainda muito preliminares, apesar de encorajadores, foram obtidos em testes com ratos, cães e com uma única paciente humana –outras pessoas devem participar dos ensaios clínicos em breve.

"Ainda estamos na fase 1 dos testes clínicos, cujo objetivo é verificar apenas se a terapia é segura. Ainda não temos como comparar essa abordagem com outros tratamentos contra o câncer, e é cedo para dizer quais tumores seriam mais vulneráveis a ela", disse à Folha o médico Saurabh Saha, da empresa de biotecnologia BioMed Valley Discoveries.

A firma pretende transformar as descobertas em produtos caso tudo corra bem.

SEM AR

Saha e seus colegas desenvolveram sua própria variedade, ou cepa, da bactéria Clostridium novyi, que pode causar infecções graves em pessoas e animais.

A questão, porém, é que se trata de um micróbio anaeróbico, ou seja, que precisa de um ambiente pobre em oxigênio para se multiplicar. Foi isso que levou os cientistas a pensarem nela como arma.

É que o crescimento desordenado dos tumores faz com que, no interior deles, surjam regiões cheias de células com baixo suprimento de oxigênio –células que, aliás, são resistentes à quimioterapia ou à radioterapia. Surgiu, portanto, a ideia de enviar a C. novyi a essas áreas.

Antes disso, porém, os cientistas "deletaram" parte do DNA da bactéria, um gene que normalmente permite que o micróbio produza uma toxina bastante agressiva.

As bactérias foram então injetadas diretamente nos tumores –primeiro em ratos com uma forma artificial e agressiva de câncer cerebral, depois em cães que tinham desenvolvido naturalmente a doença e, finalmente, em uma mulher de 53 anos com um tipo de câncer muscular, já em fase de metástase (espalhamento pelo organismo).

A abordagem dobrou a expectativa de vida dos ratos e eliminou ou reduziu bastante o tumor em 40% dos cães. O tumor no ombro da paciente humana também ficou praticamente destruído, sem células viáveis sobreviventes.

"Até onde sabemos, o mais importante para esse sucesso foi a injeção direta da bactéria no tumor e a preferência dela por ambientes com pouco oxigênio", explica Saha. Com isso, o micróbio atacou apenas a massa de células no interior do tumor.

Houve efeitos colaterais em todos os casos, os quais lembram muito uma infecção tradicional: inchaço, dor e febre. "Quando a bactéria conclui seu trabalho, podemos controlá-la com antibióticos tradicionais", diz o médico.

Para o biólogo Tiago Góss dos Santos, pesquisador do A.C. Camargo Cancer Center, os resultados parecem promissores, em especial por se tratar de um trabalho inicial.

"É preciso levar em conta o fato de que os tumores são muito heterogêneos, então é normal que uma única estratégia não consiga destruí-los totalmente", explica. "A bactéria poderia ser uma arma para reduzir o tamanho deles, sendo combinada a outras terapias que atacariam as células tumorais que não estão sob essa condição de baixo nível de oxigênio."

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2014/08/1500142-bacterias-modificadas-comem-tumores-em-teste-com-animais-e-humanos.shtml

 

Descoberta abre caminho para nova geração de quimioterápicos

Agência FAPESP – 15/08/2014

Um novo mecanismo de inibição do proteassomo – complexo proteico considerado um alvo terapêutico contra o câncer – é o tema de um artigo publicado na revista Chemistry & Biology. A primeira autora do trabalho é a brasileira Daniela Trivella, pesquisadora do Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNBio/CNPEM).

Os resultados do estudo, feito com apoio da FAPESP e parceria de pesquisadores da University of California em San Diego, nos Estados Unidos, e da Technische Universität München, na Alemanha, abrem caminho para o desenvolvimento de uma nova geração de drogas quimioterápicas mais eficiente e menos tóxica.

“Já desenhamos uma série de moléculas com base nesse novo mecanismo identificado. Pretendemos agora sintetizá-las em parceria com a pesquisadora Marjorie Bruder, também do CNPEM, e testar sua potência. O objetivo é otimizar o efeito de inibição do proteassomo, tornar o composto ainda mais seletivo para as células tumorais e driblar os problemas de resistência observado nas drogas disponíveis no mercado”, contou Trivella.

Pertencente a uma classe de enzimas conhecidas como proteases, o proteassomo é um complexo proteico responsável por diversas funções importantes no interior das células, como a eliminação de proteínas danificadas ou não funcionais e a regulação de processos de apoptose (morte programada), divisão e proliferação celular.

Desde a aprovação do fármaco bortezomib, em 2003, ficou demonstrado que moléculas capazes de inibir a atividade do proteassomo matam as células tumorais com grande eficiência e têm efeito menor sobre as células sadias.

“As células do câncer são mais dependentes do proteassomo que as demais, pois seu metabolismo é acelerado, sua taxa de divisão e proliferação é alta e, por isso, vivem sob um estado crônico de estresse oxidativo e proteico. Acabam sintetizando proteínas em excesso, muito rapidamente e com baixa qualidade. O proteassomo é o grande lixeiro que tenta limpar a bagunça na célula tumoral”, contou Trivella.

Além disso, acrescentou a pesquisadora, sabe-se que, ao inibir o proteassomo, é possível aumentar as taxas de apoptose e reduzir as de divisão e proliferação celular, que estão alteradas no tumor.

Embora o bortezomib venha sendo usado com sucesso desde então, principalmente no tratamento de mieloma múltiplo (câncer na medula óssea), a droga apresenta efeitos colaterais importantes – dentre os quais se destaca a neuropatia periférica, caracterizada por formigamento, dor ou perda de sensibilidade nos braços e pernas.

De acordo com Trivella, isso ocorre porque o quimioterápico inibe não apenas o funcionamento do proteassomo como também de outras proteases importantes para o organismo.

Em 2012, foi aprovado o fármaco carfilzomib inspirado em uma molécula natural chamada epoxomicina. Apesar de mais seletivo e eficaz contra o câncer, o medicamento inibe o proteassomo de forma irreversível tanto nas células tumorais como nas sadias – o que prejudica seu uso prolongado em razão da alta toxicidade.

Com o tempo, contou Trivella, verificou-se que certas mutações no proteassomo e mecanismos bioquímicos alternativos conferiram ao tumor resistência às drogas disponíveis no mercado. Além disso, essa primeira geração de inibidores não apresenta muito efeito no tratamento de tumores sólidos, o que limita sua aplicação.

Em busca de alternativas

Também em 2012, pesquisadores norte-americanos e brasileiros isolaram em cianobactérias oriundas do Caribe uma molécula natural nomeada carmaficina, que possui o mesmo grupo reativo (porção da molécula que interage com o proteassomo) do carfilzomib, conhecido como epoxicetona.

“Epoxicetonas são inibidores muito potentes e seletivos do proteassomo por interagirem com esta enzima em duas etapas reacionais, sendo a primeira uma fase reversível e a segunda, irreversível”, explicou Trivella.

Mas, além de inibir o proteassomo de forma irreversível, o composto apresentava certos problemas de instabilidade química. Com o objetivo de otimizar seu efeito e encontrar novos grupos reativos, pesquisadores do Scripps Institution of Oceanography, da University of California em San Diego, desenvolveram uma série de análogos sintéticos com pequenas modificações estruturais.

Esses compostos foram testados por Trivella durante estágio realizado na Califórnia em seu pós-doutorado, quando ainda estava vinculada ao Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Minha missão era comparar a potência dos diversos compostos e, caso encontrássemos algo interessante, partiríamos para estudos mais aprofundados. Para isso, foram realizadas curvas concentração resposta, nas quais se verifica a concentração da droga necessária para causar a inativação de 50% do proteassomo (IC50) ou, em experimentos paralelos, a morte de 50% das células tumorais em cultura”, contou a pesquisadora.

Uma das moléculas testadas tinha como grupo reativo uma enona e congregava características da carmaficina e de outra molécula natural denominada siringolina, isolada a partir de patógeno de plantas.

“A siringolina já havia sido reportada como inibidora irreversível do proteassomo em uma única etapa reacional, com IC50 na ordem de micromolar – o que não é muito potente. Queríamos verificar os efeitos da combinação do esqueleto químico da carmaficina com grupos reativos mais similares ao da siringolina. Imaginávamos que essa nova molécula com grupo reativo enona teria efeito parecido, mas foi 10 vezes mais potente que a siringolina”, disse Trivella.

Ao investigar os mecanismos reacionais da nova molécula – denominada carmaficina-siringolina enona –, a pesquisadora verificou que, ao contrário da siringolina e assim como a epoxicetona, a enona interage com o proteassomo em duas etapas, sendo que a segunda reação é do tipo irreversível.

No entanto, Trivella observou que, no caso da enona, a segunda reação ocorre de forma mais lenta, aumentando a duração da fase reversível da inibição da carmaficina-siringolina enona.

“Como a inativação irreversível do proteassomo tem efeitos tóxicos, a maior janela de reversibilidade observada para a carmaficina-siringolina enona potencialmente reduzirá a toxicidade desta nova classe de inibidores do proteassomo”, disse Trivella. “O composto apresentaria, assim, um equilíbrio entre seletividade e potência.”

Os testes de toxicidade ainda estão em andamento, segundo Trivella. Paralelamente, foram feitos estudos com auxílio de técnicas de cristalografia (que consiste em formar um cristal a partir de soluções concentradas da enzima de interesse purificada e então estudá-lo por difração de raio X) para desvendar exatamente como ocorre a interação entre o alvo enzimático e o inibidor carmaficina-siringolina enona.

“Descobrimos que ocorre uma reação química chamada hidroaminação, nunca antes observada em condições fisiológicas. Esse tipo de reação é muito usado por químicos sintéticos no preparo de substâncias, mas, normalmente, são necessárias condições muito específicas de temperatura, pH e uso de catalisadores para que ocorra. Como mecanismo de inibição enzimática nunca havia sido reportado”, disse Trivella.

Inspirado por esse novo mecanismo de inibição do proteassomo, o grupo do LNBio planeja sintetizar e testar uma nova série de análogos da carmaficina-siringolina enona para verificar efeitos sobre a janela terapêutica (morte preferencial de células tumorais em relação às células sadias) e avaliar se são capazes de reagir também com proteassomos resistentes aos inibidores tradicionais.

Outra meta de Trivella é buscar na biodiversidade brasileira compostos naturais que possam servir de inspiração para o desenho de outras classes de inibidores do proteassomo.

“Precisamos de um pouco de inspiração da natureza para ampliar as opções de grupos reativos e de estrutura de moléculas. Analisando a diversidade química disponível em nossa biodiversidade, aumentaremos nossas chances de encontrar alternativas ainda mais inovadoras para otimizar propriedades como potência, seletividade e farmacocinética”, afirmou.

http://agencia.fapesp.br/19611

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