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Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 01/08/2014

Cientistas descobrem via para conter o câncer de fígado

Terra – 30/07/14

Uma pesquisa realizada na Espanha com ratos constatou que a administração de um fármaco empregado na luta contra o HIV, Maraviroc, previne o desenvolvimento de lesões hepáticas e do câncer de fígado, por isso que abre a via para possíveis tratamentos frente a este tipo de tumor.

Este é um dos resultados de uma pesquisa apresentada na quarta-feira (30) e que foi desenvolvida por um grupo de especialistas em Oncologia e Doenças Infecciosas do Hospital São Pedro de Logroño, em La Rioja (norte) e do Centro de Pesquisa Biomédica dessa mesma região espanhola.

José Antonio Oteo, chefe do Grupo da Área de Doenças Infecciosas de dito hospital, detalhou que mediante este estudo, publicado nas revistas PLOS ONE e Journal of Antimicrobial Chemotherapy, também comprovaram em ratos que o mesmo fármaco é eficaz na prevenção da esteatose hepática, uma das lesões que podem acabar em cirrose ou câncer de fígado.

Oteo indicou que, uma vez finalizada esta pesquisa com ratos, seu desejo é que em 2015 possa iniciar a fase clínica em humanos, para a qual procura financiamento, embora seja "muito custoso".

O pesquisador ressaltou que serão necessários, pelo menos, entre quatro ou cinco anos para demonstrar a eficácia do resultado em humanos, sobretudo nos casos de esteatose hepática.

O chefe da pesquisa disse que o Maraviroc é um fármaco que se emprega na luta contra o HIV mediante o bloqueio da proteína CCR5, presente em múltiplos células do sistema imunológico humano como as do fígado e que produz os medidores da informação que podem causar prejuízo hepático e, finalmente, câncer de fígado.

Oteo incidiu no alcance deste achado porque, globalmente, o câncer de fígado representa um grande problema sanitário, já que a cada ano são diagnosticados cerca de um milhão de pacientes no mundo.

Neste estudo com ratos foi constatado que, ao aplicar o Maraviroc, desenvolveram mais tarde as complicações derivadas da inflamação, como no caso do HIV, ou deixaram de desenvolvê-la no caso de esteatose hepática.

http://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/cientistas-descobrem-via-para-conter-o-cancer-de-figado,aecb8aa9e8787410VgnCLD200000b2bf46d0RCRD.html

 

Pesquisadores criam exame de sangue que poderia diagnosticar câncer

Galileu – 29/07/14

Cientistas da Universidade de Bradford criaram um exame simples de sangue que, em teoria, poderia ser usado para diagnosticar câncer. O teste vai capacitar médicos a descartar o câncer para pacientes que apresentam uma série de sintomas, tornando desnecessárias não apenas preocupações, mas a realização de exames caros e invasivos como biópsias.

Os primeiros estudos com o exame mostraram que ele é capaz de diagnosticar o câncer ou a eminência do desenvolvimento de câncer de cólon, de pulmão ou melanoma.

Batizado de Lymphocyte Genome Sensitivity (LGS), ele analisa linfócitos e mede o dano causado em seu DNA, através de raios ultravioletas. Os resultados mostram uma distinção clara entre pessoas saudáveis e quem tem ou tem risco de desenvolver a doença.

De acordo com Diana Anderson, professora de Bradford responsável pela pesquisa, os linfócitos são parte do sistema de defesa do corpo e, quando o organismo está combatendo um câncer, as células ficam mais frágeis. "Se expostas a raios ultravioleta, elas sofrem danos no DNA de forma mais fácil do que células saudáveis. E é dessa forma que ocorre o diagnóstico", explica.

Para verificar a hipótese, o estudo analisou amostras de 208 pessoas - 94 voluntários eram saudáveis, enquanto 114 pessoas eram pacientes em processo de diagnóstico ou tratamento. As amostras foram coletadas, anonimizadas, e, então, foram submetidas ao exame. E o diagnóstico foi feito de forma perfeita em todos os casos.

O exame deve passar por mais testes clínicos antes de sua administração ser liberada.

http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2014/07/pesquisadores-criam-exame-de-sangue-que-poderia-diagnosticar-cancer.html

 

Grã-Bretanha avalia radioterapia de 'única sessão' contra câncer de mama

BBC – 25/07/14

Uma nova opção de tratamento contra o câncer de mama que substitui semanas de radioterapia por uma única sessão está sendo avaliada pelo NHS (National Heath Service), o SUS britânico, e pode passar a ser oferecido aos pacientes na Inglaterra até o final do ano.

No procedimento, chamado de radiação intraoperatória, uma dose de radiação é emitida por uma sonda inserida no interior do seio, depois de o tumor ser removido por meio de uma cirurgia.

A sonda emite radiação do exato local da operação por cerca de 30 minutos.

Caso seja aprovada pelo NHS, a novidade pode beneficiar cerca de 36 mil pessoas no Reino Unido, além de ajudar o NHS a economizar dinheiro. Entretanto, o tratamento é adequado apenas para pacientes que estão no estágio inicial da doença.

Atualmente, portadores de câncer se submetem a cirurgias para remover o tumor e depois pelo menos outras 15 sessões de radioterapia para aniquilar a doença, o que amplia os efeitos negativos do tratamento - como náusea, queda de cabelos e perda de peso.

Única sessão

Testes realizados em mais de 2 mil pessoas indicam que a técnica tem um efeito similar à radioterapia convencional. No entanto, como o procedimento foi desenvolvido recentemente, não há dados de longo prazo disponíveis sobre seus efeitos.

Além de poupar visitas ao hospital, a dose única evitaria um dano potencial a órgãos como coração, pulmão e esôfago – um risco que o paciente corre durante a quimioterapia.

O Instituto Nacional de Saúde e Assistência de Excelência (NICE, na sigla em inglês) afirmou que os prós e contras desse novo tratamento devem ser informados aos pacientes.

Segundo Carole Longson, diretora de avaliação de tecnologia aplicada à saúde do instituto, por causa do ineditismo do tratamento, "seu uso deve ser avaliado cuidadosamente".

"Dessa forma, conseguimos conscientizar os pacientes dos riscos e benefícios antes de escolher qual tratamento queiram ter, além de permitir aos médicos reunir mais informações sobre essa nova técnica".

Na Grã-Bretanha, a ala de radioterapia de um hospital gasta cerca de 30% de seu tempo apenas com o tratamento de câncer de mama. Cerca de 12 mil mulheres morrem anualmente por causa da doença.

No Brasil, o número de mortes devido ao câncer de mama supera 13 mil.

Estimativas anteriores sugerem que uma mudança na radiação intraoperatória poderia liberar recursos e poupar 15 milhões de libras (R$ 57 milhões) por ano ao NHS.

Entretanto, o equipamento necessário para executar o procedimento é caro. Cada sonda custa o equivalente a R$ 1,9 milhão.

Em entrevista à BBC, o professor Jeffrey Tobias, o primeiro a usar a técnica nos hospitais da Universidade College London, criticou o atraso da Grã-Bretanha na utilização do novo procedimento.

"Estamos ficando para trás. É uma grande pena. Na Alemanha, por exemplo, há 60 centros capazes de realizar esse tratamento. Aqui, temos apenas um", disse.

Se aprovadas, as novas diretrizes podem passar a valer na Inglaterra até o final deste ano. Outros países que formam o Reino Unido (País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) têm prazos diferentes para a introdução do procedimento.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140725_cancer_de_mama_tratamento_sessao_unica_lgb.shtml

Vencer o câncer, preservar a voz

Carta Capital – 31/07/14

Quando foi diagnosticado com câncer na garganta, o presidente Lula teve precocemente decretada sua aposentadoria como orador. Sua voz, seus discursos famosos seriam coisas do passado. Anos depois, Lula está mais saudável que nunca e faz discursos por toda a parte. Recentemente, o tratamento de câncer da região de cabeça e pescoço teve mudanças drásticas, com menor agressividade e mutilação associadas a maior eficiência. A experiência nacional com esse tipo de tumor é uma das maiores do mundo. O doutor Fernando Maluf, oncologista do Hospital São José, é considerado um dos maiores especialistas da área. Ele presidirá a sessão do Congresso Americano de Cabeça e Pescoço, em Nova York, dedicada ao tratamento e à cura dos pacientes com câncer, sem cirurgia, preservando o órgão, a voz e a qualidade de vida. Conversamos com o doutor a respeito.

CartaCapital: Esse tipo de câncer é bastante comum?

Fernando Maluf: Muito comum, representa o terceiro tumor mais comum em países subdesenvolvidos. E os cânceres de laringe são um dos tumores mais frequentes dessa região.

CC: E quais seriam as principais causas desse fenômeno?

FM: O tabagismo e o álcool são os grandes responsáveis pela maioria dos tumores de cabeça e pescoço, especialmente quando associados. Aí o risco de desenvolver um câncer de laringe, por exemplo, é de 40 a 100 vezes maior. Poluição e infecções pelo vírus HPV também podem contribuir para o aparecimento do câncer de laringe.

CC: No Brasil, os pacientes são diagnosticados com doença em fase precoce?

FM: Infelizmente, não. Pelo menos um, em cada dois pacientes, é diagnosticado com a doença já avançada, tanto no local inicial do câncer como por metástases nos gânglios da região do pescoço.

CC: Como se trata um câncer em situação tão avançada?

FM: O tratamento mais tradicional era a cirurgia, que, no caso dos tumores de laringe, chama-se laringectomia total. O objetivo, claro, é a cura, mas existe por parte dos pacientes grande temor, pois a remoção da laringe implica uma série de consequências. O paciente tem de utilizar a traqueostomia, um orifício na região anterior da garganta, visível aos olhos de todos e que causa um impacto importante na qualidade de vida, afetando a estética e a funcionalidade. Tais pacientes comumente se queixam de alteração da capacidade de se comunicar, na voz, metálica, na deglutição e na interação social.

CC: A medicina avançou nos últimos anos?

FM: Muito. Nas últimas duas décadas, os tratamentos que incorporaram a quimioterapia associada à radioterapia modificaram esse cenário. As chances de cura se tornaram similares entre pacientes tratados com quimioterapia e radioterapia e os operados. Um grande número de estudos comprovou esses resultados e desenvolveram protocolos mais eficazes. Há novas drogas quimioterápicas mais eficazes e modos mais efetivos de combiná-las à tecnologia avançada da radioterapia moderna.

CC: Qual é a eficiência desse tipo de tratamento?

FM: Estudos recentes, com seleção rigorosa dos candidatos, demonstram que mais de 70% a 80% dos pacientes têm seu tumor erradicado sem a necessidade de cirurgia.

CC: Esses tratamentos são bem tolerados pelos pacientes?

FM: É importante alertar que os tratamentos com quimioterapia e radioterapia têm efeitos colaterais, podendo ser bastante intensos, como a inflamação das mucosas da cavidade oral e garganta e a irritação da pele. Além disso, esses tratamentos devem ser feitos em centros especializados com equipes multidisciplinares e acesso à tecnologia moderna.

CC: Avanços interessantes para os portadores desses tumores graves...

FM: Sem dúvida. Os pacientes com tumores de cabeça e pescoço apresentam hoje um horizonte mais esperançoso do que o vislumbrado no passado. Em razão da complexidade desses tratamentos, os pacientes devem procurar centros de excelência para que a missão de ter o tumor erradicado, sem cirurgia ou mutilação, seja conquistada com poucos efeitos colaterais. Curar sem mutilar hoje é, felizmente, possível para pacientes com câncer avançado de laringe.

http://www.cartacapital.com.br/revista/810/vencer-o-cancer-preservar-a-voz-523.html

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