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Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 16/07/2014

Rio será sede de grande laboratório de biofármacos

O Globo – 02/07/2014

O Rio de Janeiro sediará uma grande indústria farmacêutica de biofármacos para o tratamento, inicialmente, de câncer e artrite reumatoide. A Bionovis será a primeira do Brasil especializada neste tipo de medicamentos, já que hoje o país é totalmente dependente de importações. Criado em 2012 pelas gigantes EMS, Aché, Hypermarcas e União Química — que terão, cada uma, 25% das ações —, o laboratório deverá começar a operar em um ano.

Os medicamentos biológicos são produzidos num processo complexo a partir de células vivas modificadas geneticamente e servem para diversos categorias de produtos, desde terapia celular contra o câncer até terapias gênicas e vacinas. Esses fármacos são desenvolvidos para inativar mecanismos específicos de certas doenças, por isso são muito mais precisos e seletivos do que a maioria dos remédios convencionais. A indústria de biológicos movimenta US$ 160 bilhões de dólares, sendo US$ 6 bilhões apenas no Brasil.

— Não tem nada no setor de saúde que seja mais inovador e relevante do que o projeto de se produzir no Brasil biofármacos — comemorou o presidente da Bionovis, Odnir Finotti. — Entendemos que ela tem condições de contribuir para que o Brasil crie independência de conhecimento tecnológico. É uma vergonha um país com as dimensões do nosso não conseguir produzir em escala industrial estes produtos que a população brasileira precisa.

O Rio ganhou a disputa da qual também participaram São Paulo e Santa Catarina, e a unidade será erguida num terreno cedido pela Fiocruz, onde funciona o campus Mata Atlântica, uma área que ocupa mais de 500 hectares, aos pés do Parque Estadual da Pedra Branca. As empresas investirão R$ 500 milhões nos próximos cinco anos e receberão incentivos fiscais do governo estadual para sua instalação. Ontem, o governador Luiz Fernando Pezão assinou o decreto estadual garantindo apoio formal à implantação da fábrica.

Remédios em três anos no mercado

Estão na lista de produtos: Rituximabe (linfoma e artrite reumatoide), Etanercepte (oncológico), Infliximabe (artrite reumatoide), Cetuximabe (oncológico), Trastuzumabe (oncológico) e Bevacizumabe (oncológico). O laboratório Merck fornecerá a tecnologia para a produção destes medicamento. A expectativa é que esses remédios cheguem ao mercado em três anos, prazo em que expiram suas patentes. Eles serão vendidos ao Ministério da Saúde para distribuição gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, participou do evento na sede da Fiocruz, na Avenida Brasil, substituindo o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ele explicou que estes produtos são de alto valor agregado e que o governo federal depende do mercado internacional.

— Quatro por cento das unidades (de remédios) que o ministério compra são produtos biotecnológicos, mas isto representa 50% do valor do total investido — exemplificou Gadelha, que diz esperar também uma redução de custos com a nova fábrica. — Se aumenta quantidade, aumenta escala, reduz o preço e viabiliza a inovação.

A fatia dos biotecnológicos no mercado da saúde só faz crescer. Em 2010, estes números eram de 3,7% dos remédios adquiridos pelos ministério e custavam de 32% do orçamento.

— A saúde só será um direito se a gente tiver capacidade tecnológica produtiva no país que mexe com o mercado global — completou Gadelha, lembrando que o Brasil é o quarto mercado da saúde no mundo.

O governo deverá ser o principal comprador da Bionovis, o que poderá reduzir um pouco o deficit da balança comercial da saúde, que em 2012 atingiu cerca de US$ 11 bilhões. A economia esperada é de pelo menos R$ 460 milhões nos próximos cinco anos.

O projeto para construção da fábrica faz parte da Política Nacional para o Desenvolvimento Produtivo, que integra setores público e privado na fabricação de medicamentos. O Ministério da Saúde tem assinadas cem PDPs (Parcerias de Desenvolvimento Produtivo), que servem, em geral, para estimular a independência em relação aos remédios importados. No Rio de Janeiro, já são 43 PDPs, das quais integram Fiocruz e Instituto Vital Brazil, centros que garantirão expertise para a nova farmacêutica a ser construída na Zona Oeste carioca.

— A importância da Bionovis naquele terreno (no campus Mata Atlântica), para além de garantir uma nova fronteira de biofármacos e a sustentabilidade do SUS, também significa estar integrada a uma região com condições especiais de beleza e patrimônio ecológico, mas que estava numa área de risco e sem projeto de desenvolvimento — comentou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.

Receio de mudança de regras

Durante a assinatura do decreto estadual de parceria ontem, Odnir Finotti mostrou-se preocupado com a continuidade do “compromisso de magnitude elevada”.

— Este tipo de parceria nunca aconteceu, é totalmente nova, portanto, não se enquadra dentro da burocracia regular — disse Finotti, que cobrou os governos. — Então que mantenha-se os marcos legais sobre os quais esta política está embasada. Já aconteceu muitas vezes no Brasil de se criar programas para internalizar a tecnologia que foram depois abandonados. O Rio, por exemplo, tinha uma das maiores plantas de produção de antibióticos e fechou.

Durante o discurso, Carlos Gadelha parece ter respondido a Finotti.

— A agenda está aqui para melhorar e avançar e não para retroceder. Esta é a mensagem do Ministério da Saúde — afirmou o secretário.

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/rio-sera-sede-de-grande-laboratorio-de-biofarmacos-13105769#ixzz37SfuzpBV

 

Mutação que causa câncer de fígado é descoberta

Revista Galileu – 03/07/2014

Um grupo de pesquisadores espanhóis comandado por Nabeel Bardesy, da Universidade de Harvard, descobriu uma mutação genética que provoca a progressão do colangiocarcinoma, um tipo de câncer hepático que apresenta um mau prognóstico.

A pesquisa realizada pelo Grupo de Oncologia Hepática do Instituto de Pesquisas Biomédicas August Pi i Sunyer (Idibaps) de Barcelona foi publicada nesta quinta-feira na revista científica Nature.

Através da pesquisa foi identificada uma mutação na enzima IDH que ocorre nas células-mãe do fígado e que provoca a progressão do câncer hepático conhecido como colangiocarcinoma intra-hepático.

Ao bloquear a enzima IDH, se poderá frear a progressão da doença, que representa 10% dos cânceres de fígado (ao redor de 70.000 casos por ano em nível mundial).

É um tipo de tumor difícil de ser detectado em fases iniciais e por isso apenas 30% dos pacientes podem ser operados. Além disso, não existe nenhum tratamento molecular para esta doença.

A empresa biotecnológica Agios Pharmaceuticals colaborou na pesquisa e desenvolveu um fármaco para bloquear de maneira seletiva a forma mutada de IDH e poder combater o avanço do tumor.

http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2014/07/mutacao-que-causa-cancer-de-figado-e-descoberta.html

 

A desculpa esfarrapada da revista ‘Nature’

Folha – 07/07/2014

“A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude”, afirmou François de La Rochefoucauld (1613-1680) em suas célebres “Máximas”, de 1664. Na semana passada, ao comentar em um editorial a retratação que fez no mesmo dia de um artigo de pesquisa fraudulento que publicou em janeiro, a conceituada revista científica britânica “Nature” ilustrou exemplarmente essa afirmação feita há 350 anos pelo famoso escritor e memorialista francês.

Seria um exagero absurdo exigir de qualquer publicação científica que ela seja imune a fraudes cometidas deliberadamente por cientistas por meio da manipulação de resultados em pesquisas apresentadas sob a forma de artigos, os chamados papers. Em qualquer ramo de atividade, por maior que seja seu empenho, o combate e a prevenção de falcatruas sempre estarão desvantagem em relação à criatividade, à dissimulação e ao despistamento na exploração de brechas em mecanismos de segurança.

Retratação

Na quarta-feira (2.jul), a revista recorreu ao procedimento conhecido na comunidade cientifica como retratação de artigo para afirmar que “muitos erros críticos foram encontrados” em um estudo publicado na sua edição online de 29 de janeiro deste ano e que eles foram resultado de má-conduta de autores da pesquisa segundo uma investigação realizada pelo próprio Instituto Riken, no Japão, onde o trabalho foi realizado em parceria com outras instituições. Coordenado pela pesquisadora Haruko Obokata, de 30 anos, o estudo anunciou a reversão, por meio de um simples banho ácido, de células adultas de diversos tecidos de camundongos para seu estágio embrionário.

Já apelidada pela sigla STAP em inglês (aquisição de pluripotência induzida por estímulo), a técnica proposta no artigo de Obokata trazia a promessa implícita de dispensar não só as complicações éticas do uso de embriões humanos para obter as chamadas células-tronco embrionárias humanas (CTEHs). O trabalho se mostrava também como um passo decisivo para evitar os riscos de combinar CTEHs com a manipulação genética de vírus para desenvolver tratamentos de diferentes tipos de câncer e doenças como as de Parkinson, Alzheimer e outras. Só faltaria reproduzir em humanos os mesmos resultados obtidos com camundongos.

Nos dias seguintes à publicação desse artigo, vários outros laboratórios tentaram sem sucesso reproduzir os resultados anunciados por Obokata e seus colegas. Rapidamente surgiram em blogs de pesquisadores a suspeita de adulteração de imagens de células usadas no estudo, que foi complementado na mesma edição por outro trabalho da mesma equipe.

Falha reconhecida

No editorial “STAP retratada”, a direção da revista afirmou:

“Nós, da ‘Nature’, examinamos os relatórios de nossos revisores sobre os dois trabalhos e nossos próprios registros editoriais. Antes da publicação, verificamos que os resultados haviam sido replicados de forma independente nos laboratórios dos co-autores, e lamentamos não termos tomado posse de garantias dos autores em suas declarações de contribuições autorais.”

Desse modo, a revista fez parecer que agiu com transparência ao fazer do editorial sua própria retratação, reconhecendo que deveria ter exigido, por escrito, de cada um dos oito autores do artigo, garantia dos resultados a ele creditados nos estudos. No parágrafo, seguinte, no entanto, deu a entender que, mesmo sem essa falha, a revista não teria evitado a publicação do artigo fraudulento.

“Concluímos que nós e os revisores não poderíamos ter detectado os problemas que minaram fatalmente os artigos. Os relatórios rigorosos dos revisores conduziram justamente à confiança que foi apresentada nos papers.”

Não poderiam, mesmo? É estranho demais a própria revista dizer isso após lamentar não ter exigido de cada autor a garantia formal dos resultados apontados como seus nos dois estudos.

Não é bem assim

Acontece que em 10 de março, já com a investigação em curso pelo Instituto Riken, outro co-autor, Teruhiko Wakayama, da Universidade Yamanashi, no Japão, afirmou não ter certeza da procedência das células usadas por ele em seu laboratório, pois as teria recebido da jovem coordenadora do estudo, Obokata. “Eu mesmo não sei o que usei em meus experimentos”, disse Wakayama por e-mail ao diário norte-americano “The Wall Street Journal”. E acrescentou: “Não há mais credibilidade quando existem tais erros cruciais”.

Em outras palavras, se a “Nature” tivesse exigido de cada autor a garantia formal que lamenta não ter obtido antes da publicação, é razoável supor que pelo menos Wakayama apontasse alguma restrição.

Além disso, a promessa implícita dos dois trabalhos coordenados por Obokata — eliminar as complicações éticas e técnicas da pesquisa com CTHEs para tratamentos de diversas doenças crônicas— deveria ter feito a revista redobrar seus cuidados. E por dois motivos.

Lição não aprendida

Em primeiro lugar, a revista norte-americana “Science”, principal concorrente da “Nature” no segmento dos periódicos científicos multidisciplinares, já havia entrado em uma roubada semelhante em 2005, com a publicação de dois artigos que na verdade descreviam uma falsa clonagem de CTHEs pelo sul-coreano Woo-suk Hwang, então professor da Universidade Nacional de Seul.

Com a repercussão internacional do estudo de Hwang, que foi turbinada pela estratégia midiática da própria “Science”, o governo da Coreia do Sul chegou a investir US$ 65 milhões no laboratório do pesquisador e reservou outros US$ 15 milhões do Ministério da Saúde e do Bem-Estar Social para a criação de um Centro Mundial de Células-Tronco.

Ou seja, devido não só a esse precedente, mas a vários outros envolvendo também células-tronco, a “Nature” jamais deveria ter tratado dos dois artigos coordenados por Obokata como um trabalho meramente rotineiro.

Interesses comerciais

Um outro motivo que deveria ter servido para a “Nature” não ter considerado a avaliação desses dois artigos como um procedimento ordinário qualquer está nos grandes interesses comerciais por trás de trabalhos nesse ramo de pesquisa e na disputa por patentes entre laboratórios. E esses interesses já haviam se tornado públicos —e mais conhecidos entre pesquisadores dessa área, o que inclui os revisores da revista— muito antes de 20 de dezembro, quando a revista decidiu formalmente publicar os dois estudos.

Uma boa apresentação sobre essa disputa foi feita em 6 de setembro por Paul Knopfler, da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em Davis, em seu blog, com o post “Japão busca posição de comando em novas células-tronco”.

No final das contas, ao servir como prato cheio para aliviar a vergonha pela qual passou sua concorrente “Science” há quase dez anos (a revista mantém uma página com a retratação e outros documentos em seqüência cronológica), a “Nature” caiu em uma armadilha no mesmo terreno minado, com a agravante de não ter aprendido a lição. E, da mesma forma que sua rival, sem ser verdadeiramente transparente e autocrítica.

Isso se torna muito mais grave com o fato de que essas duas respeitadas revistas, assim como muitos outros periódicos científicos, cobram das universidades e outras instituições de pesquisa dezenas de milhares ou até centenas de milhares de dólares para o acesso pela internet aos estudos publicados. O mesmo vale para outras revistas, que cobram dos autores até milhares de dólares para publicar seus artigos.

http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/2014/07/07/a-desculpa-esfarrapada-da-revista-nature/

 

Vasectomia pode aumentar em até 10% risco de câncer de próstata

Zero Hora – 10/07/2014

O método contraceptivo da vasectomia foi associado com um aumento do risco de câncer de próstata de acordo com um novo estudo da Harvard School of Public Health (HSPH) e publicado no Journal of Clinical Oncology.

Os pesquisadores descobriram que a relação permaneceu mesmo entre os homens que realizaram o exame de PSA normal (teste que auxilia no diagnóstico de cânce de próstata), sugerindo que o aumento do risco de câncer letal não pode ser explicado pelo viés do diagnóstico.

A vasectomia é uma forma comum de contracepção nos EUA, com cerca de 15% dos homens realizando o procedimento. O câncer de próstata é a segunda principal causa de morte por câncer entre os homens no país, por isso a identificação de fatores de risco para o câncer de próstata letal é importante para a saúde pública.

Os cientistas analisaram dados de 49.405 voluntários, que foram acompanhados por 24 anos, de 1986 a 2010. Durante esse período, foram diagnosticados 6.023 casos de câncer de próstata, sendo 811 letais. Um em cada quatro participantes havia feito vasectomia.

Os resultados mostraram um aumento de 10% do risco de desenvolver câncer de próstata em homens que realizaram o procedimento. O efeito parece ser mais forte entre homens que fizeram vasectomia em uma idade mais jovem.

Neste estudo, 16 em cada 1 mil homens desenvolveram câncer de próstata letal. Embora o aumento relativo do risco associado à vasectomia tenha sido significativo, isso se traduz em um aumento relativamente pequeno na diferença absoluta no risco de câncer de próstata letal, dizem os pesquisadores.

— A decisão de optar pelo procedimento como forma de controle de natalidade é altamente pessoal e um homem deve discutir os riscos e benefícios com o seu médico — conclui a autora e professora do Departamento de Epidemiologia na HSPH, Kathryn Wilson.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2014/07/vasectomia-pode-aumentar-em-ate-10-risco-de-cancer-de-prostata-4547198.html

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