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Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 02/04/2014

Pesquisa esclarece como a melatonina pode inibir o câncer de mama

Agência FAPESP – 01/04/2014

Além de regular os ciclos de sono e vigília, a melatonina – hormônio produzido naturalmente nos mamíferos pela glândula pineal, do cérebro, em resposta à escuridão – pode ajudar a retardar o crescimento do câncer de mama.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) em colaboração com colegas do Hospital Henry Ford de Detroit, em Michigan, nos Estados Unidos, e publicado em janeiro na revista PLoS One, esclareceu que essa capacidade do hormônio se deve ao papel que ele pode desempenhar no controle da formação de novos vasos sanguíneos a partir da vasculatura já existente do tumor, denominada angiogênese.

O estudo foi desenvolvido no âmbito do projeto “Avaliação da angiogênese em resposta ao tratamento com melatonina no câncer de mama: estudo in vitro e in vivo”, realizado com apoio da FAPESP.

“Constatamos que a melatonina consegue inibir o crescimento tumoral e a produção de células cancerosas, além de bloquear a formação de novos vasos sanguíneos do tumor em modelos animal [in vivo] e celular [in vitro]”, disse Debora Aparecida Pires de Campos Zuccari, professora da Famerp e coordenadora do projeto, à Agência FAPESP.

De acordo com Zuccari, já se sabia que a melatonina, quando administrada em doses terapêuticas – acima dos níveis naturalmente encontrados no organismo –, apresenta propriedades antioxidantes. E estimava-se que o hormônio pode suprimir o crescimento de alguns tipos de células cancerosas, especialmente quando combinado com certas drogas utilizadas no tratamento do câncer. A melatonina não é vendida no Brasil, mas é comercializada em países como os Estados Unidos como suplemento alimentar.

A fim de testar essas hipóteses, Zuccari iniciou em 2008 uma série de estudos com o objetivo de verificar se a melatonina poderia retardar o câncer de mama – o tipo de câncer mais comum em mulheres, com uma alta taxa de mortalidade devido, principalmente, à progressão e à metástase (propagação das células cancerosas) (leia mais em http://agencia.fapesp.br/17443).

Segundo a pesquisadora, o crescimento do tumor está associado à angiogênese – formação de novos vasos sanguíneos a partir da vasculatura já existente do tumor –, regulada por genes como o Fator de Transcrição Induzido por Hepóxia (HIF-1α), Fator de Crescimento Endotelial Vascular (VEGF), Fator de Crescimento Derivado de Plaquetas (PGFF), Fator de Crescimento Epidérmico (EGF) e angiogenina, entre outros.

Uma vez que o tumor entra em processo de crescimento exponencial e atinge alguns milímetros de diâmetro, o centro do tecido começa a sofrer de falta de oxigênio (hipóxia) e isso estimula a expressão desses genes responsáveis pela angiogênese, principalmente o VEGF, para aumentar o aporte de nutrientes no local, explicou Zuccari.

“O VEGF liga-se a seus receptores e, dessa forma, promove a angiogênese por meio de sua capacidade de estimular o crescimento, a migração e a invasão de células endoteliais (localizadas na camada celular interna dos vasos sanguíneos)”, contou a pesquisadora.

“Como a revascularização é essencial para o crescimento de tumores e metástases, o controle da angiogênese é uma estratégia promissora para limitar a progressão do câncer”, indicou.

Estudo em camundongos

A fim de avaliar os efeitos da melatonina sobre a angiogênese no câncer de mama, os pesquisadores realizaram um estudo com camundongos atímicos – roedores geneticamente modificados, que não possuem pelagem. Para realizar o estudo, eles implantaram células tumorais na mama de um grupo desses animais imunossuprimidos.

Os camundongos receberam injeções via intraperitoneal de 1 miligrama de melatonina por 21 dias seguidos, durante a noite e uma hora antes de a iluminação da sala em que estavam confinados ser desligada.

Os volumes dos tumores foram medidos semanalmente, com um compasso digital. No final do tratamento, os animais foram submetidos a tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT, na sigla em inglês), a fim de determinar se a melatonina contribuiu para diminuir o tamanho do tumor e se houve mudança na formação de novos vasos sanguíneos.

Os pesquisadores constataram que o tamanho do tumor e a proliferação de células cancerosas dos camundongos tratados com melatonina diminuíram após os 21 dias de tratamento, em comparação com os animais que não receberam o hormônio. Também houve uma redução na densidade dos vasos sanguíneos do tumor do grupo tratado com melatonina.

“O tratamento com melatonina mostrou eficácia na redução do crescimento tumoral e na proliferação celular, bem como na inibição da angiogênese”, afirmou Zuccari. De acordo com a pesquisadora, o estudo foi replicado em linhagens de células tumorais.

Os resultados das análises indicaram que a melatonina administrada em doses terapêuticas foi capaz de reduzir a viabilidade de células cancerosas. A expressão do receptor de angiogênese (VEGFR 2) também diminuiu significativamente nos animais tratados com melatonina, em comparação com o grupo de controle, afirmou Zuccari.

“Mostramos que a eficiência da ligação do VEGF com o receptor de angiogênese [ VEGFR 2] diminuiu quando a melatonina foi utilizada”, contou a pesquisadora.

Próximas etapas

De acordo com Zuccari, atualmente ela e seu grupo concluem um estudo no qual avaliam o papel da melatonina na diminuição de metástase de células de câncer de mama.

Os resultados preliminares também indicaram uma diminuição significativa do foco de metástase em camundongos que receberam injeções do hormônio. “Estamos tentando mostrar que existem diferentes frentes de ação da melatonina e que o hormônio é eficiente em todas elas”, apontou.

Após a conclusão dos estudos em animais, a ideia é realizar um estudo clínico – em humanos – com a melatonina. O principal obstáculo para isso, no entanto, é que, por ainda não ter ação comprovada no tratamento do câncer, o hormônio não pode ser usado em pacientes que possuem outra possibilidade terapêutica.

“Teríamos de começar o estudo clínico com um grupo de pacientes terminais, sem opção de tratamento, para verificar, inicialmente, se a melatonina melhora o bem-estar deles, por exemplo, para depois analisar outras questões, tais como se ela inibe a progressão do câncer”, afirmou Zuccari.

Os pesquisadores iniciaram um estudo com mulheres com e sem câncer de mama, em uma mesma faixa etária, para avaliar a hipótese de que mulheres com câncer possuam níveis de melatonina no organismo mais baixos do que as que não têm câncer.

“Se essa hipótese for confirmada, talvez por isso essas mulheres com câncer de mama não consigam obter os efeitos protetores proporcionados pela melatonina e necessitem suplementá-la em suas dietas”, disse Zuccari.

O artigo “Effect of melatonina on tumor growth and angiogenesis in xenograf model of breast cancer” (doi: 10.1371/journal.pone.0085311), de Zuccari e outros, pode ser lido na revista PloS One em www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0085311.

http://agencia.fapesp.br/18843

 

Investimento amplia as pesquisas sobre o câncer em Minas

Estado de Minas – 31/03/2014

Segunda principal causa de morte por doença no Brasil e no mundo – 184.384 casos registrados em 2011, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde –, atrás apenas de males cardiovasculares, o câncer passa a ser diagnosticado e tratado com melhor precisão por meio de pioneiro convênio público-privado de pesquisa celebrado em Belo Horizonte no início de março. O projeto idealizado pelo Instituto Mário Penna, referência em oncologia em Minas Gerais, juntamente com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), ganha corpo com a inauguração do Centro de Pesquisa Mário Penna.

Primeiro centro da Rede de Pesquisa e Prevenção do Câncer da Mulher (RPPCM), o moderno laboratório instalado em uma área de 400 metros quadrados no Hospital Luxemburgo (Região Sul da capital) tem tecnologia de ponta e é dividido em três áreas principais de pesquisa: epidemiologia, básica e clínica. O principal objetivo, afirma a diretora-geral do centro e coordenadora executiva da rede, Paolla Freitas Perdigão, é facilitar o acesso do paciente carente – principalmente a mulher –, às novas formas de lidar com a doença, por meio de tecnologias que permitam a aplicação efetiva de resultados obtidos em laboratório.

Levantamento do governo federal aponta que 576.580 novos casos de câncer devem surgir no Brasil em 2014, dos quais o câncer de pele, próstata e mama tem maior incidência, entre 19 tipos mais frequentes listados pelo Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca). Somente entre as mulheres, as estimativas apontam uma previsão de 56 casos de câncer de mama a cada 100 mil pessoas do sexo feminino, 17 casos de câncer de cólon e reto, e 15 casos de câncer de colo e útero. "O centro vai utilizar a pesquisa científica para ampliar o acesso da população a novas tecnologias. Aquilo que fica muitas vezes dentro do laboratório e impacta beneficamente será levado ao paciente. É uma tendência mundial. Os maiores congressos e centros de pesquisa do mundo pegam o que é produzido no laboratório e fazem o paciente experimentar", explica Paolla.

Somente em equipamentos e estruturação do laboratório de biologia molecular, foram investidos R$ 2 milhões. A tecnologia vai beneficiar pacientes com câncer do Sistema Único de Saúde (SUS) atendidos nos hospitais do Instituto Mário Penna. A primeira linha de pesquisa a ser desenvolvida ainda não foi confirmada, pelo fato de o centro ter sido recém-inaugurado, mas, segundo a RPPCM, provavelmente será o estudo do câncer do colo de útero, um dos temas mais importantes em se tratando de câncer da mulher.

O canal com os pacientes se dará por meio de novos centros e unidade de saúde do estado. Cada resultado de pesquisa será apresentado à uma comissão formada por membros da Sectes e da Fapemig, que decidirão como replicá-los. "Hoje há uma forte tendência da medicina individualizada ou personalizada, em que uma molécula pode ser rastreada por meio de um kit de diagnóstico, por exemplo. Ainda não temos no Brasil um kit nacionalizado que faça essa busca. Quando se trabalha a pesquisa, permitimos que o governo consiga levar a nova tecnologia para o SUS dentro dos recursos disponíveis", exemplifica a pesquisadora.

Áreas de pesquisa

Cada área de pesquisa se debruça sobre uma necessidade. Na epidemiologia serão feitos estudos da população e do perfil clínico das neoplasias (crescimento celular não controlado que leva ao surgimento dos tumores) dos pacientes mineiros, levando em consideração características clínicas da doença, perfil socioeconômico do paciente e distribuição demográfica. A pesquisa básica abordará o genoma do câncer, moléculas importantes para a causa e desenvolvimento da doença e os efeitos no organismo. A área concentra boa parte dos equipamentos, como PCRs (termocicladores em 3D para amplificação genética em tempo real), citômetro de fluxo (que separa a célula) e um laser que captura a célula dentro de uma lâmina citológica. Por fim, na pesquisa clínica, o objeto de estudo é o paciente, avaliando se determinada nova droga promove melhora ou não no controle da doença.

Ainda não há, contudo, um prazo de conclusão para as primeiras pesquisas. "Isso é muito difícil de se precisar, porque os projetos de pesquisa estão sendo construídos agora para serem executados. Depende da complexidade. Pode levar um, dois anos... Estamos na fase de articulação com a gestão publica e a iniciativa privada, para montar os projetos com foco no câncer da mulher. Ou seja, numa fase de estratégia", acrescenta a diretora do centro.

Seguindo a Política Nacional de Atenção Oncológica (PNAO) instituída pelo Ministério da Saúde, a Rede de Pesquisa e Prevenção do Câncer da Mulher tem objetivo alinhado ao Centro Mário Penna e, por isso, será operacionalizada a partir do hospital. A ideia surgiu em novembro, baseada na necessidade de se ter uma rede de pesquisa voltada ao câncer da mulher, principalmente porque é o tipo de câncer mais comum. "Um dos problemas da gestão pública é a incidência e a mortalidade. Então focamos no projeto para arranjar uma forma de tratar o problema cientificamente", afirma Paolla.

O projeto foi apresentado para as secretarias do governo de Minas e logo aprovado. "Por meio desta ação, vejo nos gestores públicos uma visão futurista aliando a ciência para resolver os problemas. Do que adianta fazer os projetos se o público não pode utiliza-los?", conclui. Entre os equipamentos, o Centro de Pesquisas tem ainda um biorrepositório – coleção de material biológico humano, coletado e armazenado ao longo da execução de um projeto de pesquisa.

http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2014/03/31/interna_tecnologia,513517/investimento-amplia-as-pesquisas-sobre-o-cancer-em-minas.shtml

 

Pesquisa no RS pode resultar em vacina para o câncer de próstata

G1 – 31/03/2014

Uma descoberta realizada há 14 anos levou um pesquisador da PUC-RS, de Porto Alegre, a desenvolver uma pesquisa inovadora, que pode resultar em uma vacina para controlar o avanço do câncer de próstata, como mostra a reportagem do Teledomingo, da RBS TV (veja o vídeo). A doença é o segundo tipo de tumor que mais mata homens no Rio Grande do Sul e em todo o país.

Ao misturar uma substância chamada “modulador do sistema imunológico” em algumas células doentes, o médico Fernando Kreutz conseguiu fazer com que células que antes ficavam escondidas do sistema imunológico no organismo mudassem de cor e se tornassem visíveis.

“Nosso sistema imunológico não consegue enxergar que aquela é uma célula tumoral, é como se ela ficasse invisível. Eu consegui fazer com que essa célula, que antes era invisível, se tornasse visível. Marquei a célula como se dissesse ‘olha, sistema imunológico, ataca ela porque ela é uma célula que tu precisa descobrir’”, explica Kreutz.

A partir desta descoberta, o pesquisador começou a produzir uma vacina usando células doentes retiradas do próprio paciente. As células são reproduzidas em laboratório, bombardeadas com radiação e morrem. A estrutura celular, já sem o câncer, recebe então a substância moduladora e é aplicada no paciente como vacina. “O sistema imunológico reconhece isso e prolifera, multiplica essas células que vão destruir o tumor”.

Os testes clínicos para a vacina começaram em 2002. No total, foram avaliados 107 pacientes com diagnóstico de câncer de próstata que precisavam de cirurgia. Depois, um grupo de 48 homens com idade média de 63 anos foi selecionado e o resultado foi surpreendente.

Vinte e dois homens fizeram o tratamento convencional, apenas com radioterapia e hormônios, enquanto 26 receberam também as doses da vacina. Depois de cinco anos, a avaliação mostrou que, no primeiro grupo, 48% dos homens estavam com a doença indetectável, ou seja, aparentemente curados. No grupo que tomou a vacina, esse índice saltou para 85%. Outro dado deu ainda mais esperança aos pesquisadores: a redução do número de mortes que, nestes casos, tem um índice médio de 20%.

“No grupo de controle que recebeu o tratamento convencional, tivemos 19% de mortalidade, exatamente o que era esperado estatisticamente. No grupo vacinado, tivemos uma mortalidade de 9%. Isso significa que a chance de o paciente morrer fazendo o tratamento convencional foi de uma em cada cinco pessoas, enquanto no grupo vacinado foi um em cada 11 pacientes”.

Na próxima fase, 400 homens de todo o país vão participar da pesquisa. A produção da vacina ainda não tem data prevista.

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/03/pesquisa-no-rs-pode-resultar-em-vacina-para-o-cancer-de-prostata.html

 

Novo método detecta câncer intestinal

Folha de São Paulo – 22/03/2014

Um teste que aguarda nos EUA aprovação pela FDA (agência de regulamentação de medicamentos e alimentos) poderá facilitar a triagem de pessoas assintomáticas que podem estar em risco de câncer intestinal por antecedentes familiares.

Não substitui, entretanto, a colonoscopia (exame interno dos intestinos, sob leve anestesia), necessário para afastar um falso-positivo ou confirmar um câncer ou lesão pré-cancerosa.

Os resultados do procedimento Cologuard, resultado da associação da Clínica Mayo com a empresa Exact Sciences, foram publicados no dia 20 no "New England Journal of Medicine", por Thomas F. Imperiale, da Universidade de Indiana (EUA) e colaboradores.

O teste baseou-se em pesquisa sobre as bases biológicas e técnicas para triagem de DNA de neoplasia em fezes, publicado por Berger e Ahlquist na revista "Pathology", em 2012. Como no câncer colorretal surgem alterações genéticas e epigenéticas do DNA, seria possível detectar marcadores tumorais pela análise das fezes.

Segundo Imperiale, o teste inclui análise molecular quantitativa para mutações KRAS, NDRG4 aberrante e metilação BMP3. O exame também identifica presença de sangue oculto.

Dos 9.989 participantes do estudo, em 65 (0,7%) foi identificado câncer colorretal e em 757 (7,6%), lesões pré-cancerosas avançadas (adenomas ou pólipos), confirmadas por colonoscopia.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/julioabramczyk/2014/03/1429272-novo-metodo-detecta-cancer-intestinal.shtml

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