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Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 17/03/2014

Mutação de vírus da hepatite pode estar ligada a câncer de fígado

Estadão – 11/03/2014

Uma mutação do vírus da hepatite C (HCV) pode estar ligada ao surgimento de câncer de fígado em pacientes brasileiros, informa pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz. O estudo, publicado em fevereiro no Journal of Medical Virology, aponta para a descoberta de um marcador precoce desse tipo de câncer em pessoas com hepatite viral crônica - o câncer se mostrou mais comum em portadores do subtipo 1b do vírus com a mutação chamada R70Q.

O biólogo Oscar Rafael Carmo Araújo, que defendeu dissertação de mestrado sobre o tema, analisou amostras de sangue de 106 pacientes infectados pelo HCV em tratamento no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio - 40 tinham tumor no fígado, 40 cirrose (estágio que precede o aparecimento do câncer) e 26 não tinham câncer nem cirrose.

Do total, 41 estavam contaminados por um subtipo do vírus da hepatite C, o genótipo 1b. Foi o grupo que se mostrou mais suscetível ao agravamento da doença, quando havia a presença da mutação R70Q. Desses 41, 30 tinham câncer ou cirrose - ao se analisar o DNA do vírus, a mutação estava presente em metade dos casos.

Dos pacientes que foram contaminados pela cepa 1b e tinham câncer, 42,9% apresentavam o vírus com a mutação. Entre aqueles com cirrose, a mutação aparecia em 56,3%. Já no grupo que tinha o vírus 1b da hepatite C, mas não tinha cirrose ou câncer, a R70Q só aparecia em 9,1%. Pacientes contaminados pelos genótipos 1a e 3a também apresentaram a mutação R70Q, mas os casos de câncer e cirrose entre esses pacientes não foi estatisticamente significante.

A ligação entre a mutação do vírus 1b e o surgimento do câncer de fígado em pacientes com hepatite C já havia sido descrita em pesquisas feitas no Japão, explica a pesquisadora Natalia Motta de Araujo, coordenadora do estudo. Mas foi a primeira vez que se mostrou essa associação também em pacientes brasileiros. "A taxa de sobrevida do paciente com câncer de fígado cai na medida em que a doença se desenvolve mais. É uma doença silenciosa, o que dificulta o diagnóstico. Queríamos encontrar um marcador que pudesse sinalizar para a possibilidade do aparecimento do câncer", explica Natalia.

Dados da American Cancer Society apontam que a sobrevida dos pacientes, cinco anos após a descoberta do tumor, é de 15%. Essa proporção sobe para 50% se o câncer for descoberto em estágio inicial e alcança 70% se o paciente passou por transplante.

Natalia ressalta que a descoberta da associação entre a mutação genética e o hepatocarcinoma não impede o surgimento do câncer. "É um dado a mais para levar o médico a ficar mais atento, a pedir exames que podem identificar o tumor precocemente", afirma Natalia. A hepatite C é a principal causa de câncer de fígado no Brasil, e responde por 54% dos casos. Em seguida, vêm hepatite B (16%) e alcoolismo (14%).

Próximo passo. Na próxima fase do estudo, os pesquisadores vão analisar também os fatores que levam ao desenvolvimento do câncer. "Agora, vamos analisar o DNA do paciente", afirma Natália.

http://www.estadao.com.br/noticias/vida,mutacao-de-virus-da-hepatite-pode-estar-ligada-a-cancer-de-figado,1139703,0.htm

 

Complexos metálicos demonstram ação antitumoral e antiparasitária

Agência FAPESP – 10/03/2014

Uma classe de complexos metálicos desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) demonstrou em experimentos in vitro potencial ação antitumoral e antiparasitária.

Os estudos estão sendo realizados no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma) – um dos INCTs apoiados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela FAPESP que agora também é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID).

“Trata-se de uma classe de compostos que contém um íon metálico central e uma molécula orgânica, que atua como ligante. Trabalhamos principalmente com íons de cobre e de zinco e o precursor dos nossos ligantes é um metabólito do aminoácido triptofano chamado isatina”, contou Ana Maria da Costa Ferreira, coordenadora do Projeto Temático FAPESP “Desenvolvimento de compostos com interesse farmacológico ou medicinal e de sistemas para seu transporte, detecção e reconhecimento no meio biológico”.

De acordo com a pesquisadora, há outras classes de metalofármacos já sendo usadas no tratamento de neoplasias, como, por exemplo, a cisplatina. A vantagem dos compostos sintetizados no IQ-USP é ter em sua composição íons metálicos naturalmente presentes no organismo humano e, por isso, serem mais facilmente metabolizados.

“Tanto os íons de cobre como os de zinco são considerados elementos essenciais para o organismo, pois são parte de diversas proteínas e enzimas que participam de processos metabólicos importantes, como a respiração”, afirmou Ferreira.

Os primeiros estudos com linhagens de células tumorais foram realizados durante o doutorado de Giselle Cerchiaro, com orientação de Ferreira e Bolsa da FAPESP. Os experimentos mostraram que, em determinadas concentrações, os complexos metálicos eram capazes de diminuir a viabilidade das culturas in vitro.

“Começamos com cobre e depois ampliamos a linha de pesquisa, incluímos o zinco e o vanádio e fomos modificando os ligantes”, contou Ferreira.

Ao estudar o mecanismo de ação dos metalofármacos, os pesquisadores observaram que eles induziam estresse oxidativo nas células tumorais, ou seja, aumentavam a liberação de espécies reativas de oxigênio que, em grande quantidade, danificam o DNA. Incapaz de reverter o dano, a célula entra em processo de apoptose, um tipo de morte fisiológica que não provoca uma reação inflamatória no organismo.

“Esse tipo de reação é o desejado para uma droga antitumoral. Se ela causasse necrose, o resultado seria inflamação em outros tecidos. Já a apoptose não tem esse efeito”, explicou Ferreira.

Além disso, acrescentou, os complexos metálicos afetam as mitocôndrias – organelas responsáveis por transformar o oxigênio em energia. “Na presença dos metalofármacos, as mitocôndrias continuam a consumir o oxigênio, porém não conseguem sintetizar o ATP [adenosina trifosfato, molécula que armazena a energia]. Isso pode comprometer a célula, o órgão e todo o ser. Mas, como as células tumorais são as que se multiplicam mais rapidamente, acaba havendo uma certa seletividade na ação da droga – assim como no caso dos quimioterápicos”, afirmou Ferreira.

Os complexos metálicos foram testados em linhagens de neuroblastoma (câncer cerebral), melanoma e sarcoma uterino. Em uma prova conhecida como determinação da IC50, na qual se verifica a concentração da droga necessária para causar a morte de 50% das células em cultura, os complexos metálicos mostraram-se eficazes em doses na faixa nanomolar (10-9) – equivalente, segundo a literatura científica, à dose necessária de cisplatina.

Em 2006, o grupo do IQ-USP obteve no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) a patente da classe de complexos metálicos, bem como da ação antitumoral. Em 2013, foi requerida também a patente para a atividade antiparasitária. “É a mesma classe de compostos, mas com diferentes combinações e modificações estruturais. O melhor antiparasitário não é o melhor antitumoral”, explicou Ferreira.

Ação antiparasitária

Os metalofármacos já foram testados com sucesso in vitro contra o Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas. Atualmente, em parceria com o grupo da professora Marcia Aparecida Silva Graminha, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara, estão sendo testados contra o Leishmania amazonenses, um dos parasitas causadores de leishmaniose.

Durante estudos correlatos recentes, os cientistas descobriram uma terceira via de ação das drogas: a inibição da proteína topoisomerase – uma das enzimas responsáveis por manter a integridade do DNA, vital tanto para as células humanas quanto para o desenvolvimento de parasitas.

“Comparamos a ação de nossos compostos com a do benzonidazol – a droga mais usada para tratar parasitoses há décadas. No caso do T. cruzi, foram feitos dois tipos de testes: um contra a forma do parasita existente no inseto vetor e que é injetada na corrente sanguínea humana [tripomastigota] e outro com a forma que o parasita assume dentro dos macrófagos [amastigota]”, explicou Ferreira.

Em cada um desses casos, foi avaliado o IC50 – concentração necessária para matar 50% do parasita. Além disso, também foi mensurado o LC50, para descobrir a concentração necessária para matar 50% dos macrófagos humanos.

“No teste IC50, alguns de nossos compostos demonstraram, com a metade da dose, a mesma eficácia do benzonidazol. Ou seja, foram duas vezes mais potentes. No teste LC50, por outro lado, em alguns casos foi necessária uma dose 12 vezes maior do complexo metálico para causar o mesmo dano aos macrófagos humanos. Isso significa que a margem de segurança dos metalofármacos pode ser maior que a do benzonidazol”, afirmou Ferreira.

De acordo com a pesquisadora, os resultados têm sido semelhantes nos experimentos com o L. amazonenses, mas, em cada caso, uma combinação diferente tem se mostrado mais eficaz. O grupo pretende, no futuro, testar a ação dos compostos contra outros parasitas e detalhar os mecanismos de ação farmacológica.

http://agencia.fapesp.br/18723

 

Biópsia de congelação auxilia diagnóstico do câncer de bexiga

Agência FAPESP – 13/03/2014

Um exame de resultado rápido conhecido como biópsia de congelação pode tornar o diagnóstico do câncer de bexiga mais preciso e possibilitar o tratamento precoce de lesões invasivas, mostrou estudo realizado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

A avaliação foi feita durante o doutorado do médico urologista João Alexandre Queiroz Juveniz com 131 portadores de carcinoma urotelial atendidos no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). A pesquisa foi orientada pelo doutor Alexandre Crippa Sant'Anna, coordenador do projeto “Análise de fatores prognósticos associados a recorrência do câncer de bexiga”, apoiado pela FAPESP.

“Os pacientes chegavam ao hospital com o diagnóstico de tumor na bexiga, mas não sabíamos se eram lesões músculo-invasivas, do tipo que atinge a camada muscular do órgão. Essa avaliação é feita por meio de um procedimento chamado ressecção transuretral”, explicou Juveniz.

O procedimento remove o tumor e cauteriza o local com o auxílio de um equipamento acoplado a uma câmera inserido pela uretra. O material coletado é enviado para análise do patologista e o resultado sai em aproximadamente cinco dias.

“Se ficar confirmado que a lesão é superficial, algo em torno de 70% dos casos, o tratamento cirúrgico já está concluído. Mas, caso o exame indique se tratar de um tumor músculo-invasivo, é preciso retirar toda a bexiga para evitar que ocorra a disseminação da doença [metástase]”, disse o pesquisador.

Para que o diagnóstico seja preciso, porém, é necessário que o cirurgião atinja a camada muscular da bexiga durante a ressecção e colete parte desse tecido para análise. Quando isso não ocorre, um novo procedimento precisa ser realizado e o início do tratamento tem de ser adiado pelo menos mais quatro semanas.

“Nosso objetivo ao fazer a biópsia de congelação durante a ressecção transuretral era ter certeza de que o material coletado tinha a camada muscular representada. Esse não é um uso rotineiro do exame, fizemos de forma inédita para tentar aumentar a acurácia do diagnóstico”, explicou Juveniz.

O método consiste em congelar o material coletado com uso de nitrogênio líquido e cortar a amostra em fatias laminares para análise em microscópio. A avaliação pelo patologista é feita com o paciente ainda na mesa de cirurgia e o laudo leva entre 15 e 20 minutos para ficar pronto. “Se o resultado apontar que a ressecção não foi feita de forma adequada, podemos refazer o procedimento imediatamente”, disse Juveniz.

De acordo com o pesquisador, a biópsia de congelação já é rotina em outras duas situações: quando é necessário determinar se um tumor é benigno ou maligno durante uma cirurgia (para orientar o tratamento) e para definir, após a retirada de um tumor, se a margem cirúrgica está livre de lesão.

Grupos de pesquisa

Os pacientes que participaram do estudo foram divididos de forma randomizada em dois grupos: os 67 do grupo controle foram submetidos ao protocolo padrão, ou seja, passaram pela ressecção transuretral e o material foi enviado para a análise anatomopatológica tradicional.

Nesse caso, a amostra é inserida em uma solução de parafina e, após o endurecimento, é cortada em fatias laminares para avaliação no microscópio. “Embora esse procedimento seja mais demorado, oferece algumas vantagens. É possível cortar a amostra em fatias mais finas, ter uma melhor visualização do tumor e realizar uma análise mais demorada”, ponderou Juveniz.

Os outros 64 pacientes, além do procedimento padrão, tiveram uma segunda amostra coletada para ser submetida à biópsia de congelação. Nesse grupo, foram coletadas amostras até conseguir representar a camada muscular no exame de congelação.

Nos pacientes em que não foi feita a biópsia de congelação, em 40% dos casos não havia camada muscular representada na amostra e foi necessário um novo procedimento.

No grupo de estudo, o número de lesões que invadem a camada muscular diagnosticadas foi oito vezes maior – 23% dos pacientes, contra apenas 3% do grupo controle, demonstrando a efetividade do estudo de congelação no diagnóstico de doença músculo-invasiva.

“Entre quatro e seis semanas depois, fizemos uma nova ressecção para investigar se no local havia sobrado lesão. No grupo submetido à biópsia por congelação, 90% dos pacientes estavam livres de lesão, contra apenas 65% do grupo controle”, contou o pesquisador.

Embora o tempo de cirurgia tenha sido um pouco mais longo no grupo submetido à biópsia de congelação – 50 minutos contra 42 no grupo controle –, não houve diferença estatística em termos de complicações. “Como é preciso retirar uma peça a mais de material para fazer a biópsia de congelação, pode ocorrer mais complicações como perfuração da bexiga ou um sangramento maior. Mas em nosso estudo não houve diferença relevante nos dois grupos”, disse o pesquisador.

Na avaliação de Juveniz, a biópsia de congelação é um procedimento barato – com custo inferior a R$ 100 – e que possibilita um diagnóstico e um tratamento mais precoce de lesões invasivas.

“Tumores de bexiga costumam ser muito agressivos e causar metástase precoce. O prognóstico do paciente pode mudar radicalmente em menos de três meses se o tratamento não for feito de forma adequada. E é preciso considerar que, quando o paciente chega a um hospital como o Icesp, provavelmente já passou por diversas instituições anteriormente”, afirmou Juveniz.

O câncer de bexiga está fortemente associado ao consumo de cigarro e é o quarto mais frequente nos homens. Entre os tumores que afetam o sistema urológico é o segundo, atrás apenas do câncer de próstata. Na cidade de São Paulo, estima-se que a doença afete 13,3 em cada 100 mil habitantes. No Brasil, em 2012, foram registrados 8,9 mil casos e 3,1 mil mortes – segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

http://agencia.fapesp.br/18747

 

Estudo relaciona diabetes e câncer de pâncreas

Veja – 16/03/2014

Pesquisadores australianos encontraram uma relação entre o diabetes e o câncer de pâncreas. A descoberta, publicada na última sexta-feira no periódico Annals of Surgical Oncology, foi feita a partir da revisão de 88 estudos internacionais de 1973 a 2013, realizada por médicos e matemáticos. Trata-se da maior análise registrada sobre o tema.

Segundo Mehrdad Nikfarjam, especialista em fígado, pâncreas e vias biliares no Departamento de Cirurgia da Universidade de Melbourne, o câncer de pâncreas costuma ser descoberto em estágio avançado, quando é incurável. "Esse é um estudo importante que destaca para médicos e pacientes recém-diagnosticados com diabetes sem uma causa óbvia a importância de investigar câncer de pâncreas", diz.

O estudo revelou que a incidência de tumores de pâncreas foi maior após o diagnóstico de diabetes e permaneceu elevada por muitos anos depois da descoberta. "A presença do diabetes continua a ser um fator de risco moderado para o desenvolvimento de câncer mais tarde na vida", afirma Nikfarjam.

Embora o número de casos de câncer de pâncreas seja relativamente baixo — no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), eles são responsáveis por 2% de todos os tipos de câncer e por 4% das mortes decorrentes da doença — a pesquisa sugere que os médicos devem considerar exames de rastreamento em pacientes diabéticos.

"Pode ser importante rastrear em todas as pessoas recém-diagnosticadas com diabetes, especialmente aquelas sem fatores de risco. Os exames também podem se estender a diabéticos de longa data", diz.

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/estudo-relaciona-diabetes-e-cancer-no-pancreas

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