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Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 03/02/2014


Dois estudos mostram os artifícios da indústria para tornar os cigarros mais viciantes

[O Globo – 1/02/2014]

O ator americano Eric Lawson morreu recentemente, aos 72 anos. Era jovem, atraente, trazia um aspecto viril e seguro quando, como um caubói, fumava tranquilamente o seu cigarro em anúncios da indústria de tabaco dos anos 70. Difícil resistir ao apelo. Mas anos depois, Lawson foi diagnosticado com uma doença pulmonar obstrutiva crônica (DPCO), ocasionada provavelmente por este hábito que, no passado, agregava tantos adjetivos ao seu usuário. Propagandas deste tipo hoje são proibidas, seus riscos à saúde se tornaram inquestionáveis. E mais uma coisa mudou desde este período: os cigarros atuais aumentam as chances de câncer de pulmão, DPCO e outras doenças, além de serem mais viciantes, segundo dois novos estudos americanos.

Um destes é o relatório do “Office of the Surgeon General”, órgão do governo americano, que traz uma revisão de sua primeira edição, de 1964, quando os efeitos nocivos do fumo estavam começando a ser revelados. Cinquenta anos depois, além de associar o hábito a uma série de doenças, ele acrescenta que os cigarros hoje são mais viciantes do que os das décadas anteriores. Não porque tenham mais nicotina, mas porque o seu design vem sendo aperfeiçoado com o objetivo de levar mais desta substância aos pulmões. A nicotina é o principal agente do cigarro e é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma droga psicoativa que causa dependência. Ao ser inalada, chega em poucos segundos ao cérebro e age no sistema nervoso central.

O relatório se baseou em documentos da indústria apresentados num tribunal de 2006 mostrando como os cigarros foram projetados para este fim. As táticas incluem projetar filtros mais eficientes, selecionar papéis para maximizar a ingestão de nicotina e adicionar produtos químicos para tornar o fumo menos pesado e mais fácil de inalar.

Outro estudo recente da Universidade de Massachusetts, publicado na revista “Nicotine and Tobacco Research” analisou marcas vendidas nos Estados Unidos entre 1998 e 2012. Ele mostrou que embora a quantidade de nicotina tenha se estabilizado neste período, a capacidade do cigarro de levar a substância aos pulmões do fumante aumentou em até 15%. O menor nível foi de 1,65 miligrama por cigarro em 1999, e o mais alto, de 1,89 miligrama, em 2011.

- Pelo menos com relação à recepção de nicotina, nossos resultados vão contra o argumento das indústrias de cigarro, que dizem estar estudando formas de garantir um cigarro menos prejudicial - observou, em entrevista ao GLOBO por e-mail, Wenjun Li, professor do setor de Medicina Preventiva e Comportamental da universidade e autor do estudo.

A Souza Cruz, empresa brasileira de cigarro, ressalta que o estudo extrapola a realidade do país, uma vez que marcas e metodologias são distintas. Disse ainda que há mais de dez anos a Anvisa exige que fabricantes informem os valores de nicotina, além das características físicas dos papéis e do filtro dos cigarros, tais como composição, permeabilidade e gramatura dos papéis, ventilação do filtro e etc.

Cigarro ‘aperfeiçoado’ pela indústria

Não é a primeira vez, no entanto, que este debate é suscitado. Uma pesquisa de uma década atrás feita pela Escola de Medicina de Harvard mostrou que o avanço no mecanismo do cigarro havia levado ao aumento da inalação da substância em 11% em produtos fabricados entre 1997 e 2005, uma média de 1,6% ao ano.

- O investimento que se faz na tecnologia do produto é muito grande e ocorre há muito tempo. O cigarro parece apenas uma porção de tabaco enrolado em papel, mas é mais sofisticado do que uma Ferrari - comenta Paula Johns, diretora-executiva da ONG Aliança de Controle do Tabagismo (ACT). - Inclusive quando houve a primeira inciativa da FDA (agência reguladora de remédios dos EUA) de limitar as emissões de alcatrão, nicotina e outros aditivos, mais tarde foi descoberto que isto não significava nada, porque havia outras formas de otimizar a liberação de nicotina.

Segundo Paula, “não existe um cigarro menos perigoso”. Ela cita estatísticas de que nove em cada dez pessoas que fumam se tornam dependentes, uma proporção inversa ao álcool, e o maior índice de vício entre todas as drogas.

Uma história que se tornou famosa, aliás, e rendeu até o prêmio Pulitzer de Jornalismo de 1996 ao “Wall Street Journal”, é a de que os produtores evitavam elevar o conteúdo de nicotina nos cigarros, mas usavam produtos químicos, em especial a amônia, para aumentar a potência da substância inalada. Cigarros com amônia, desta forma, liberavam mais nicotina, mas tinham a mesma quantidade química que outros produtos sem o aditivo. Interferência parecida com a que foi apontada nos estudos recém-divulgados, e que, na verdade, vêm ocorrendo desde o início da industrialização do tabaco, segundo Ronaldo Laranjeira, professor de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

- Há mais de um século, o tabaco era mascado ou fumado na forma de cigarro de palha. O consumo era pequeno e o impacto, restrito. O grande avanço veio com a industrialização do cigarro, quando a absorção ficou mais eficiente. E a indústria vem aperfeiçoando no ultimo século o produto no sentido de causar mais dependência - alerta.

Debate sobre maior controle do cigarro

Nos EUA, estas notícias levantaram a discussão sobre uma maior regulação da indústria por parte do governo. Mas, para Laranjeira, focar no controle do tabagismo pode trazer melhores resultados:

- O governo não consegue controlar o mercado lícito, nem ilícito. Intensificar políticas para reduzir o fumo seria uma ação mais sensata.

Já Paula defende a adoção de medidas de controle, como a proibição de aditivos dos cigarros (cuja resolução da Anvisa entrou ano passado em vigor) e restrições à propaganda e ao uso

http://oglobo.globo.com/saude/dois-estudos-mostram-os-artificios-da-industria-para-tornar-os-cigarros-mais-viciantes-11470781


Estudo aponta que antioxidantes não contribuem no combate ao câncer

[G1 – 30/01/2014]

Os antioxidantes, muito populares nas últimas décadas entre as pessoas preocupadas com a saúde, aceleram a progressão do câncer de pulmão em roedores e não trazem benefícios para as pessoas saudáveis, aponta artigo publicado nesta quarta-feira pela revista "Science Translational".

"Os antioxidantes são utilizados amplamente para proteger as células dos danos induzidos pelas espécies reativas de oxigênio", explicaram os pesquisadores liderados por Volkan Sayin, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

"O conceito de que os antioxidantes podem ajudar a combater o câncer está profundamente enraizado na população em geral, promovido pela indústria dos suplementos alimentícios e sustentado por alguns estudos científicos", acrescentou o artigo. Mas as provas clínicas "deram resultados incoerentes", disse.

As substâncias químicas conhecidas como antioxidantes retardam alguns tipos de danos celulares impedindo a acumulação de moléculas das espécies reativas de oxigênio (ERO) que podem danificar as células.

Entre esses antioxidantes estão a vitamina A, que pode ser obtida através do consumo de cenoura, abóbora, brócolis, batata doce, tomate, couve, melão, pêssego, entre outros alimentos; e vitamina C, presente em laranjas, limas, limões, pimentões, vegetais com folhas verdes e morangos.

Já a vitamina E está presente nas frutas secas e sementes, grãos integrais, óleos vegetais e óleo de fígado. Outro antioxidante conhecido, o selênio, pode ser obtido da carne de peixe e frutos do mar, carne vermelha, ovos, frango e alho.

Vendas de suplementos em alta

Nas últimas décadas, a venda de suplementos alimentares com antioxidantes se transformou em um grande negócio e uma análise feita em 2009 pela Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição determinou que nos Estados Unidos, estes produtos fornecem 54% da vitamina C, 64% da vitamina E, 14% de caroteno alfa e beta, e 11% de selênio, entre os adultos.

Segundo os Institutos Nacionais de Saúde, as altas doses de suplementos de antioxidantes podem ser danosas em alguns casos. Por exemplo, certos estudos relacionaram o uso de suplementos com altas doses de betacaroteno com um maior risco de câncer de pulmão nos fumantes, e os suplementos com altas doses de vitamina E com o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e câncer de próstata.

O estudo sueco apontou que os antioxidantes aceleram a progressão do câncer de pulmão em ratos de laboratório e em linhagens de células humanas. Os autores usaram doses de vitamina E e acetilcisteína normais na dieta diária. Os humanos normalmente recebem estes suplementos de forma inalável, mas aos ratos os mesmos foram administrados por via oral.

Quando os ratos com câncer de pulmão em seus períodos iniciais receberam antioxidante o crescimento de seus tumores se acelerou e estes se tornaram mais invasivos. O câncer matou os ratos de forma duas vezes mais rápida que nas cobaias que não receberam antioxidantes.

As conclusões do estudo indicam que as pessoas que têm pequenos tumores não diagnosticados no pulmão (isso é possível em qualquer pessoa, mas mais provável nos fumantes) deveriam evitar os suplementos de antioxidantes.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/01/estudo-aponta-que-antioxidantes-nao-contribuem-no-combate-ao-cancer.html


Combate ao câncer infantil melhorou, mas ainda apresenta desafios

[Veja – 30/01/2014]

A luta contra o câncer infantil tem mostrado progressos, mas ainda existem muitos desafios, diz um estudo publicado pela American Cancer Society no periódico CA: A Cancer Journal of Clinicians, nesta sexta-feira. O relatório foi criado para informar a população e os médicos sobre os avanços e os desafios na prevenção e tratamento de tumores em crianças e adolescentes.

Em 2014, são esperados 15.780 novos casos de câncer e 1.960 mortes decorrentes da doença em pacientes de até 19 anos nos Estados Unidos, segundo a American Cancer Society. Estima-se que um em cada 285 americanos sejam diagnosticados com câncer antes dos 20 anos, e um em cada 530 adultos de 20 a 39 anos sejam sobreviventes da enfermidade.

Enquanto melhoras em técnicas de cirurgia, radioterapia e quimioterapia aumentaram a sobrevida dos pacientes, muitos sobreviventes têm alto risco de apresentar problemas de saúde a longo prazo, de acordo com o documento. Os tratamentos melhoraram, mas os estudos para entender as causas e maneiras de prevenir tumores em crianças e adolescentes avançam lentamente.

Os cientistas sabem pouco sobre a prevenção de tumores que acometem crianças, ao contrário dos que afetam adultos. Além disso, o diagnóstico infantil é muito mais difícil, porque os sintomas se confundem com os de doenças comuns.

"O progresso contra o câncer infantil foi enorme em alguns aspectos, mas isso não pode nos impedir de enxergar que o avanço foi decepcionante em outros e que o câncer continua sendo a segunda causa de morte em crianças", afirma Otis Brawley, médico chefe da American Cancer Society. "Há muito trabalho a ser feito para melhorar os resultados, reduzir os efeitos colaterais associados ao tratamento e compreender as causas moleculares que provocam os tumores infantis para poder preveni-los e diagnosticá-los mais precocemente."

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/combate-ao-cancer-infantil-melhorou-mas-ainda-apresenta-desafios


Musicoterapia ajuda jovens com câncer a lidar com tratamento

[BBC Brasil – 28/01/2014]

Jovens que fizeram musicoterapia enquanto recebiam tratamento para câncer mostraram-se mais aptos a tolerar os rigores do tratamento, de acordo com um estudo publicado na revista científica Cancer.

Pesquisadores da Indiana University School of Nursing, em Indianapolis, nos Estados Unidos, acompanharam um grupo de pacientes com idades entre 11 e 24 anos enquanto participavam de um projeto que envolvia escrever letras, gravar música e selecionar imagens para fazer um videoclipe.

A equipe concluiu que os pacientes tornaram-se mais resilientes e melhoraram seus relacionamentos com a família e amigos.

O termo resiliência, nesse contexto, se refere à capacidade dos participantes de se ajustarem positivamente aos estresses e efeitos adversos do tratamento que estavam recebendo.

Segundo o site da American Music Therapy Association, musicoterapia é uma prática terapêutica em que profissionais qualificados usam música para auxiliar indivíduos a lidar com questões físicas, emocionais, cognitivas e sociais.

Efeito Positivo

Os participantes foram orientados por musicoterapeutas profissionais. O projeto, que durou três semanas, culminou na produção de videoclipes que, quando prontos, foram compartilhados com amigos e familiares.

Os pesquisadores concluíram que o grupo que participou do projeto de musicoterapia demonstrou mais resiliência e capacidade de suportar o tratamento do que um outro grupo que não recebeu musicoterapia.

Cem dias após o tratamento, o mesmo grupo relatou que a comunicação na família e os relacionamentos com amigos tinham melhorado.

"Esses 'fatores protetores' influenciam a forma como adolescentes e jovens adultos lidam (com o câncer e o rigoroso tratamento), ganham esperança e encontram sentido (para suas vidas) durante a jornada do câncer", disse a líder do estudo, Joan Haase.

"Adolescentes e jovens que são resilientes têm a capacidade de superar sua doença, sentem-se em controle e autoconfiantes pela forma como lidaram com o câncer e mostram um desejo de ajudar o outro".

Entrevistas com os pais dos pacientes revelaram aos pesquisadores que os videoclipes tinham produzido um benefício adicional, oferecendo aos pais uma melhor compreensão sobre como é a experiência de crianças que sofrem de câncer.

Estresse e Ansiedade

Uma das musicoterapeutas envolvidas no estudo, Sheri Robb, explicou por que música pode ter um efeito tão positivo sobre jovens lutando contra o câncer:

"Quando tudo parece incerto, canções que ele conhecem e com as quais se identificam fazem com que se sintam conectados".

Segundo a ONG britânica Cancer Research UK, musicoterapia pode diminuir a ansiedade e melhorar a qualidade de vida de pessoas que sofrem de câncer. A terapia também pode ajudar a aliviar alguns sintomas do câncer e efeitos colaterais do tratamento - mas não pode curar, tratar ou evitar doenças, inclusive o câncer.

Estudos anteriores que investigaram os efeitos da musicoterapia sobre crianças com câncer concluíram que a atividade pode ajudar a diminuir o medo e a angústia, além de melhorar os relacionamentos da criança com a família.

A portavoz de uma entidade que oferece apoio a adolescentes com câncer e suas famílias - o Teenage Cancer Trust - disse que é muito importante incentivar crianças com câncer a se comunicar e cooperar umas com as outras.

"Sabemos que ser tratado ao lado de outros (pacientes) da mesma idade faz uma diferença imensa, especialmente em um ambiente que permita que jovens com câncer ofereçam apoio uns aos outros".

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/01/140127_musicoterapia_cancer_mv.shtml

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