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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 02/09/2013

Proteína extraída de planta pode agir contra vários tipos de câncer

G1 – 26/08/2013

Estudos feitos por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontam que uma proteína extraída da semente da árvore conhecida como orelha-de-macaco tem ação promissora contra pelo menos cinco tipos de câncer - gástrico, de próstata, melanoma (câncer de pele), colorretal e leucemia.

Testes "in vitro" e utilizando ratos indicaram que a proteína, batizada de EcTI devido à sua ação inibidora da enzima tripsina, bloqueou parcial ou totalmente a proliferação das células de vários tipos de câncer.

"Ela bloqueou os processos que fazem com que o tumor cresça e que faça metástase, ou seja, que migre para fazer outras invasões", afirma a professora de bioquímica da Unifesp Maria Luiza Vilela Oliva, coordenadora das pesquisas.

As informações foram apresentadas na última semana, durante a reunião anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), em Caxambu, Minas Gerais. A atuação da proteína contra células do câncer de mama inicialmente é positiva e está sendo analisada, de acordo com a professora.

Melanoma

Ratos com um tipo de melanoma agressivo foram usados em experimentos com a EcTI, que inibiu o crescimento do câncer. "Alguns animais sequer chegaram a desenvolver o tumor. Em outros, [a proteína] inibiu 90%", afirma Maria Luiza.

Já estudos com células do câncer gástrico apontaram que a EcTI impediu a adesão a tecidos saudáveis e inibiu a formação de "protuberâncias" celulares relacionadas à metástase e migração cancerígena, as chamadas "invadopodias".

Durante os testes, também foi constatado que a proteína tem ação antitrombótica (agindo contra a formação de trombose) e anticoagulante. Um dos últimos estudos sobre a EcTI foi publicado no site da revista científica "PLoS One", em abril deste ano, e detalhou a estrutura da proteína.

Efeitos colaterais

Ainda precisam ser feitas pesquisas para entender a toxicidade e possíveis efeitos colaterais da EcTI, diz Maria Luiza. Ela, no entanto, ressalta que de início não foram identificadas reações adversas durante testes em ratos. "Até o momento, não vimos toxicidade, aplicamos 4 miligramas em ratos e não houve nenhuma morte", afirma.

Possíveis efeitos alérgicos da proteína também precisam ser analisados, mas até agora experiências mostraram que ela não deve causar alergia, disse a professora da Unifesp. Um dos próximos passos é também ver como a EcTI age em células do fígado humano.

O grupo de pesquisadores também está analisando "fragmentos" derivados da proteína, os chamados peptídeos, para entender como eles agem separadamente.

"Não se pode aplicar a proteína na veia de um ser humano", diz a cientista, ponderando que ainda são necessários muitos testes antes de viabilizar o uso em terapias contra o câncer em pessoas.

Um peptídeo, diz ela, é mais simples de ser usado em um tratamento, possivelmente por aplicação em via intravenosa. É provável que no futuro a proteína seja feita de forma "recombinante", utilizando bactérias manipuladas geneticamente para produzir a EcTI e assim eliminar a necessidade de extraí-la da planta, afirma a cientista.

Árvore

A orelha-de-macaco, conhecida também como tamboril ou timbaúva, é uma árvore encontrada principalmente nas regiões Centro-Oeste (no Mato Grosso do Sul) e Sul (Rio Grande do Sul), mas também ocorre em estados como Maranhão, Piauí e Pará, aponta um estudo do Instituto Florestal de São Paulo, ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

A árvore alcança altura média de 20 a 30 metros e tronco de 80 a 160 centímetros de diâmetro, segundo o estudo. Sua madeira é leve e era utilizada por indígenas para fabricação de canoas - ela pode servir para produção de caixotes, miolo de portas, armação de móveis e outras finalidades.

Com o nome científico de Enterolobium contortisiliquum, a árvore "é indicada para o reflorestamento de áreas degradadas de preservação permanente, em plantios mistos, por apresentar crescimento rápido inicial", afirma o texto do Instituto Florestal.

O fruto da planta tem formato parecido com uma orelha, daí o nome popular. "Quando você abre o fruto, encontra as sementes. A gente retira dali o cotilédone e isola várias proteínas.

Uma delas [a EcTI] tem ação inibidora de protease", afirma a professora. A "protease", em questão, é a enzima tripsina. A sigla EcTI significa, em inglês, "Enterolobium contortisiliquum Inibidora de Tripsina".

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/08/proteina-extraida-de-planta-pode-agir-contra-varios-tipos-de-cancer.html

Consumo de álcool antes da primeira gravidez aumenta o risco de câncer de mama

Veja – 29/08/2013

Embora estudos científicos já tenham associado o consumo de bebida alcoólica ao câncer de mama, um novo dado pode facilitar a compreensão dessa relação. De acordo com pesquisa publicada nesta quarta-feira, mulheres que bebem álcool no período compreendido entre a primeira menstruação e a primeira gravidez correm maior risco de ter a doença do que aquelas que passam a beber somente depois da primeira gestação. Para os autores, é possível que isso aconteça pois os tecidos mamários são particularmente sensíveis ao processo de formação do câncer.

O estudo, feito na Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, está presente na nova edição do periódico Journal of the National Cancer Institute. Ele se baseou nos dados de 91.005 mulheres que deram à luz quando tinham de 25 a 44 anos e que nunca haviam apresentado câncer. As participantes responderam a um questionário sobre consumo de álcool e estilo de vida em 1989 e voltaram a ser avaliadas vinte anos depois.

Quantidade perigosa — Ao final da pesquisa, foram registrados 1.609 casos de câncer de mama. O estudo descobriu que mulheres que ingeriam pelo menos 15 gramas de álcool diariamente — uma quantidade equivalente a duas doses de uma bebida destilada — apresentaram um risco 34% maior de ter câncer de mama do que aquelas que nunca bebiam.

A pesquisa também concluiu que quanto maior o período compreendido entre a primeira menstruação e a primeira gravidez, mais elevado o risco de câncer de mama. Entre as mulheres que não bebiam, aquelas que levaram mais de dez anos para engravidar a partir da menarca tiveram um risco de 26% a 81% maior de desenvolver a doença em comparação com as participantes cujo período foi menor. Para os autores do estudo, reduzir o consumo de álcool durante esse período pode ser uma estratégia de prevenção contra o câncer de mama.

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/ingestao-de-alcool-aumenta-risco-de-cancer-de-mama-em-mulheres-jovens

Correlação inesperada entre autismo e câncer é identificada

iG Saúde – 27/08/2013

Ao estudarem dois problemas de saúde aparentemente não relacionados - o autismo e o câncer -, pesquisadores convergiram para uma inesperada descoberta. Algumas pessoas com autismo têm genes tumorais que aparentemente causam o transtorno cerebral.

Dez por cento das crianças com mutações em um gene chamado PTEN, que causa câncer de mama , cólon , tireoide e outros órgãos, também têm autismo. Assim como aproximadamente metade das crianças com mutações genéticas que podem levar a alguns tipos de câncer no cérebro e no fígado e a grandes tumores em vários órgãos, incluindo o cérebro. Trata-se de um índice bem mais elevado do que a taxa de autismo na população em geral.

"É estranho", diz Evan Eichler, professor de Ciência do Genoma da Universidade de Washington, sobre a convergência.

Ele e outros alertam que a descoberta se aplica a uma pequena parcela de pessoas com autismo. Na maioria dos casos, a causa permanece misteriosa. E como acontece com quase todos os distúrbios genéticos, nem todos com as mutações desenvolvem autismo ou câncer, ou outras doenças associadas com os genes, como a epilepsia, os cérebros dilatados e os tumores cerebrais benignos.

Contudo, pesquisadores dizem que a descoberta é intrigante. Como não existem animais que naturalmente iniciem um quadro de autismo, não há nenhuma maneira de analisar o que pode causar distúrbio em cérebros em desenvolvimento e tampouco há cura. A correlação recentemente descoberta permitiu que os cientistas modificassem ratos geneticamente, provocando neles muitos sintomas do distúrbio humano.

A ligação recém-descoberta permitiu aos cientistas analisar camundongos com sintomas do transtorno, o que levou ao primeiro teste clínico de um possível tratamento para crianças com autismo, que receberam drogas para tratar tumores com a mesma base genética.

Richard Ewing, um menino de 10 anos de Nashville, Tennessee, que tem uma forma de autismo causada por um gene tumoral, está entre os voluntários do estudo. Seus pais, Alexandra e Rick Ewing, sabem que ele tem risco de desenvolver tumor no cérebro, coração, rim, pele e olhos. Porém, a má notícia foi minimizada com sua elegibilidade para o teste clínico, que acabou de começar.

"Existe uma grande diferença entre nós e o resto da comunidade autista", diz o pai. "Nós recebemos um diagnóstico genético bastante genuíno."

Nem todos concordam que a descoberta é tão promissora. Steven McCarroll, geneticista de Harvard, ressalta que o cérebro de crianças com autismo que são portadoras do gene tumoral "falha de várias formas". "O autismo nessas crianças pode ser uma manifestação de um mau funcionamento do cérebro em geral, disse ele, acrescentando que "o fato de o autismo ser um dos muitos problemas neurológicos que surgem nesses pacientes não necessariamente nos diz algo relevante sobre os déficits sociais e de linguagem que são específicos do transtorno".

No entanto, outros cientistas que não estão envolvidos na pesquisa dizem que o trabalho está mudando a compreensão sobre o autismo e seu desenvolvimento. Assim como o câncer, o distúrbio envolve o crescimento irregular de células, neste caso, de neurônios.

O chefe do Centro de Genoma Molecular e Doenças Neuropsiquiátricas da Universidade da Califórnia, Jonathan Sebat, descreve o paralelo entre câncer e autismo como "muito estranho".

"Nós não resolvemos tudo, só uma pequenina parte. Mas o pouco que resolvemos já foi muito esclarecedor", disse.

Foi Charis Eng, geneticista da Clínica Cleveland, que primeiro notou uma surpreendente incidência de autismo em crianças cujos pais tinham a mutação PTEN. Os pesquisadores viram que esta taxa de autismo era de 10 por cento, cerca de 10 vezes maior do que o esperado.

No mesmo período, cientistas descobriram que outro distúrbio genético tinha uma probabilidade ainda maior de resultar em autismo: a esclerose tuberosa, que aumenta o risco de câncer no rim e no cérebro. Aproximadamente metade dos pacientes com esclerose tuberosa tinha autismo.

Embora o PTEN e os genes da esclerose tuberosa não sejam os mesmos, eles são parte de uma mesma rede de genes que freiam o crescimento celular. Desativando o PTEN ou um dos genes da esclerose tuberosa, esse freio é liberado. Um dos resultados disso pode ser câncer ou a presença de tumores. Outro pode ser uma anormalidade nas fibras nervosas ou o autismo.

O Dr. Mustafa Sahin, do Hospital Pediátrico de Boston, decidiu testar se as drogas usadas para tratar tumores causados pela mutação do gene da esclerose tuberosa também poderiam tratar o autismo em pessoas com a mesma mutação.

Ele começou com camundongos, removendo os genes da esclerose tuberosa de seu cerebelo. As fibras nervosas do cérebro do animal cresceram descontroladamente, e os ratos desenvolveram comportamentos anormais, que lembram o autismo. Começaram a se movimentar de modo repetitivo e a esfregar o próprio corpo constantemente, tanto que, por vezes, chegavam a machucar a própria pele. E ao contrário de ratos normais, que preferem outros ratos a um objeto inanimado, estes animais passaram a apreciar igualmente um copo de plástico.

Porém, a rapamicina, que tem como alvo o gene da esclerose tuberosa e bloqueia uma proteína envolvida na divisão celular, alterou os animais. Eles deixaram de se esfregar compulsivamente, e deixaram de gostar do copo de plástico tanto quanto de um rato vivo. Os animais tiverem um melhor desempenho em testes de aprendizagem e de memória, e o crescimento das fibras nervosas no cérebro foi controlado.

Agora Sahin dá uma droga similar, a everolimus, para crianças autistas que tem a mutação genética associada à esclerose tuberosa, verificando se o medicamento melhora as habilidades mentais dos pacientes. Richard está entre as crianças. Cada uma tomará a droga ou um placebo por seis meses. O estudo deve ser concluído até dezembro de 2014.

Enquanto Eng começou estudando as mutações genéticas ligadas ao câncer e descobriu-se uma correlação com o autismo, Eichler, da Universidade de Washington, começou com o autismo e encontrou uma correlação com os genes do câncer.

Ele se concentrou no que ele chama de "autismo que aparece do nada", que ocorre sem histórico familiar, recrutando 209 famílias com crianças autistas.

Eichler percebeu uma diferença genética marcante. Comparados com seus pais e irmãos normais, as crianças autistas tinham duas a três vezes mais mutações que desativavam um gene. Os genes mutantes faziam muitas vezes parte de um percurso que controla o crescimento celular. No começo, os pesquisadores acharam que esse caminho era onipresente, e que sua ligação com o autismo era obscura.

"Ficamos um pouco chateados", disse Eichler. "Então eu disse: 'Peraí, alguns desses genes são genes associados ao câncer'."

Todavia, ele ainda não sabe se essas crianças autistas também correm risco de sofrer de câncer no futuro.

"Trata-se obviamente de uma questão importante", disse Eichler. "Mas é preciso esperar até que a ciência a investigue adequadamente."

O casal Ewing, cujo filho está participando do ensaio clínico sobre o autismo, aprendeu a viver com a ameaça de um tumor. Por enquanto, os maiores problemas estão sendo lidar com o autismo de Richard.

Quando os pais de Richard ouviram falar sobre o estudo de Sahin, imediatamente entraram em contato com ele, mesmo isso significando que eles têm de viajar para Boston de Nashville por nove vezes em apenas seis meses.

Eles não tinham tido coragem de levar o filho em viagens de aviões antes, preocupado que ele não conseguisse lidar com aeroportos lotados.

Entretanto, o estudo era importante demais para que não tentassem aproveitá-lo, disse Rick Ewing.

"Viajar com uma criança que não consegue falar, quem tem problemas alimentares, que não é paciente: nós realmente não tínhamos feito essas coisas", disse Ewing.

Eles esperam que o medicamento faça diferença.

"Nós sempre achamos que o Richard tem muita coisa acontecendo no cérebro", disse Alexandra Ewing. "Sentimos que há um grande potencial inexplorado."

Para o filho de nove anos de idade de Andrew e Lucy Dabinett, Tommy, cujo autismo é causado por uma mutação no gene PTEN, ainda não foram possíveis ensaios clínicos do gênero.

Tommy, que vive com a família em Rye, Nova Iorque, tem um vocabulário limitado, agita os braços, balança para trás e para frente, e precisa usar fraldas.

Quando tinha três anos, um médico disse a seus pais que ele tinha uma mutação PTEN e que, além de autismo, ele tinha um alto risco de sofrer de câncer.

"É claro que é aterrorizante", disse Lucy Dabinett. "Mas eu já sabia que havia algo extremamente errado com o meu filho. Eu só precisava de uma resposta."

"Honestamente," disse ela, "foi um alívio tê-la."

http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-08-27/correlacao-inesperada-entre-autismo-e-cancer-e-identificada.html

Bruxelas aprova medicamento contra câncer de cólon da Bayer

Exame – 30/08/2013

Berlim - O laboratório alemão Bayer anunciou nesta sexta-feira que recebeu autorização das autoridades europeias para comercializar o medicamento contra câncer de cólon Stivarga.

Este tratamento oral, também conhecido pelo nome de Regorafenib, é indicado para pacientes que já tenham sido tratados ou não podem ser tratados com outros medicamentos contra esse tipo de câncer.

Segundo os resultados de um estudo em fase 3, o "Stivarga aumenta significativamente a sobrevivência das pessoas difíceis de tratar"

Bayer já havia recebido a autorização do Japão e Estados Unidos para comercializar o Stivarga para o tratamento de tumores estromais digestivos (GIST).

http://exame.abril.com.br/ciencia/noticias/bruxelas-aprova-medicamento-contra-cancer-de-colon-da-bayer

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