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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 16/08/2013

 

Estudo identifica mutações que dão origem a câncer

G1 – 14/08/2013

Cientistas anunciaram o que dizem ser um novo marco na pesquisa do câncer, após identificarem 21 mutações que estariam por trás da maioria dos tumores.

O estudo, que foi divulgado na revista 'Nature', afirma que estas modificações do código genético são responsáveis por 97% dos 30 tipos mais comuns de câncer.

Descobrir o que causa as mutações pode levar à criação de novos tratamentos.

Algumas dessas causas, como o hábito de fumar, já são conhecidas, mas mais da metade delas ainda são um mistério.

Durante o período de uma vida, células desenvolvem uma série de mutações que podem vir a transformá-las em tumores letais que crescem incontrolavelmente.

Origens do câncer

A equipe internacional de pesquisadores estava procurando as causas das mutações como parte da maior análise já feita sobre o genoma do câncer.

As causas mais conhecidas de mudanças no DNA, como a superexposição aos raios UV e o hábito de fumar, aumentam as chances de desenvolver a doença.

Mas cada uma delas deixa também uma marca única - uma espécie de assiantura - que mostra se foi o fumo ou a radiação UV, por exemplo, o responsável pela mutação.

Os pesquisadores, liderados pelo Instituto Sanger, do Reino Unido, procuraram por mais exemplos destas 'assinaturas' em 7.042 amostras tiradas dos 30 tipos mais comuns de câncer.

Eles descobriram que 21 marcas diferentes eram responsáveis por 97% das mutações que causavam os tumores.

'Estou muito animado. Esses padrões, essas assinaturas, estão escondidos no genoma do câncer e nos dizem o que está realmente causando o câncer em primeiro lugar - é uma compreensão muito importante', disse Sir Mike Stratton, diretor do Instituto Sanger, à BBC.

'É uma conquista significativa para a pesquisa sobre câncer, é bastante profundo. Está nos levando a áreas do desconhecido que não sabíamos que existiam. Acho que este é um grande marco.'

Mistérios

Outras marcas encontradas no genoma do câncer estavam relacionadas com o processo de envelhecimento e com o sistema imunológico do corpo.

As células respondem a infecções virais ativando uma classe se enzimas que modificam os vírus até que eles não funcionem mais.

'Acreditamos que quando ela (a célula) faz isso, há efeitos colaterais - seu próprio genoma se modifica também e ela fica muito mais propensa a se tornar uma célula cancerígena, já que tem uma série de mutações - é uma espada de dois gumes', diz Stratton.


No entanto, doze dessas marcas genéticas encontradas no genoma do câncer ainda estão sem explicação.

Espera-se que se algumas delas puderem ser atribuídas a fatores ambientais, novas formas de prevenir a doença possam ser desenvolvidas.

As dúvidas também podem fomentar novas pesquisas. Uma das causas desconhecidas das mutações cancerígenas acontece no neuroblastoma, um câncer em células nervosas que normalmente afeta crianças.

'Sabemos que fatores ambientais como o fumo e a superexposição aos raios UV podem causar modificações no DNA que podem levar ao câncer, mas em muitos casos nós não sabemos o que provoca as falhas no DNA', afirmou o professor Nic Jones, da instituição britânica voltada para pesquisa do câncer Cancer Research UK.

'As marcas genéticas encontradas nesse estudo fascinante e importante identificam muitos processos novos por trás do desenvolvimento do câncer.'

De acordo com Jones, entender o que causa esses processos pode levar a novas maneiras de prevenir e tratar a doença.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/08/estudo-identifica-mutacoes-que-dao-origem-a-cancer.html

Pesquisa treina cães para detecção do câncer de ovário

Veja – 09/08/2013

Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, está treinando cães para detectar, pelo olfato, o câncer de ovário. Espera-se que os animais consigam identificar o cheiro de algum componente químico presente em amostras de sangue de pacientes com a doença. Ao encontrar o odor específico desse marcador químico, os cientistas pretendem desenvolver uma ferramenta de alta tecnologia que seja capaz, assim como os animais, de reconhecer o câncer.

O câncer de ovário não é o tumor ginecológico mais frequente entre as mulheres, mas é o mais agressivo. Isso porque ele é muito difícil de ser detectado e é aquele com a menor chance de cura — cerca de 3/4 dos casos desse tipo de câncer já estão em estágio avançado no momento do diagnóstico. Mesmo assim, as principais entidades médicas do mundo não recomendam exames de prevenção para a doença, que incluem uma análise de sangue e a ultrassonografia dos ovários em mulheres saudáveis, pois além de não reduzirem a mortalidade da doença, podem levar a cirurgias desnecessárias.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, estudos anteriores já haviam mostrado que o câncer de ovário em estágio inicial altera compostos de odor no corpo. Além disso, outros trabalhos já demonstraram que cães são capazes de detectar outros tipos de câncer, como o de pulmão, por exemplo, pelo olfato.

Treinamento — Três cães estão sendo treinados no Centro de Trabalhos com Cachorros da Universidade da Pensilvânia. Para treiná-los, os pesquisadores estão usando amostras de sangue e de tecido doadas por pacientes com câncer de ovário. A finalidade é que os animais consigam identificar e sentir o odor de um marcador biológico da doença — ou seja, de uma substância química que indique a presença do câncer. Segundo a equipe, se os cães conseguirem isolar esse marcador, será possível desenvolver um dispositivo capaz de identificar o mesmo odor.

"Se pudermos descobrir quais são esses marcadores químicos, qual é a impressão digital do câncer de ovário no sangue — ou, eventualmente, na urina — então poderemos desenvolver um teste automatizado menos caro e muito eficiente para detectar a doença a partir das amostras (de sangue e tecidos)", diz Cindy Otto, diretora do Centro de Trabalhos com Cachorros da universidade.

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/pesquisa-treina-caes-para-diagnosticarem-cancer-de-ovario

Droga reduz risco de câncer de próstata, mas é alvo de críticas

Folha de S. Paulo – 16/08/2013

Novos dados de um estudo sobre o uso da finasterida (remédio contra calvície) para prevenir o câncer de próstata reacendem o debate sobre a chamada quimioprevenção.

A pesquisa com 19 mil americanos e canadenses mostrou que o remédio, usado por homens saudáveis, reduz em 30% o risco desse câncer.

No entanto, o número de tumores agressivos foi maior no grupo que tomou a finasterida versus o placebo, e a mortalidade foi igual entre os dois conjuntos de pacientes.

Entre os efeitos colaterais do remédio estão a perda da libido e a disfunção erétil.

Esse é, na verdade, o segundo capítulo de uma pesquisa de 2003, a PCPT (Prostate Cancer Prevention Trial), que mostrava que a droga reduzia o risco de câncer, mas já apontava para a maior incidência de tumores agressivos entre os que usavam o remédio em vez do placebo.

Só que o acompanhamento dos pacientes por um período de sete anos não permitia concluir se a droga era a responsável pelo aparecimento desses tumores e se, a longo prazo, os pacientes que tomaram a finasterida teriam taxas menores de morte.

Uma versão atualizada desse estudo, publicada anteontem no "New England Journal of Medicine", com dados de 18 anos de seguimento desses pacientes, traz mais luz ao debate, mas ainda não é conclusiva sobre a indicação desse remédio, de acordo com especialistas.

O estudo mostrou que a droga reduziu ainda mais o risco de câncer de próstata (30% de redução, contra 25% em 2003), em especial os menos agressivos.

Mas os resultados mostram que o remédio reduz a mortalidade por câncer, principal objetivo de uma estratégia de quimioprevenção.

Outro problema ainda é o maior número de tumores agressivos encontrados entre os usuários do remédio.

Uma das explicações para isso é que a finasterida reduz a próstata, facilitando o encontro de tumores na biópsia, segundo Aguinaldo Nardi, presidente da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).

Por isso, diz ele, não é preocupante que mais tumores agressivos tenham sido encontrados no grupo do medicamento. "O remédio reduz o risco de tumores de baixo grau e acha os de alto grau mais precocemente. É um resultado relevante."

DIRETRIZES

Segundo Nardi, a SBU está debatendo se vai passar a recomendar o uso da finasterida para prevenção do câncer de próstata nos pacientes de alto risco. As novas diretrizes da entidade serão publicadas em outubro.

Em 2009, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica recomendou o uso do remédio para homens obesos ou com histórico familiar de câncer de próstata.

Mas, em 2011, a FDA (agência que regulamenta medicamentos nos EUA) negou a inclusão da quimioprevenção entre as indicações da droga por causa do maior número de tumores de alto grau.

Para Sami Arap, urologista do Hospital Sírio-Libanês, o estudo só gera controvérsias. "Você faz mais diagnósticos, mas não evita mortes."

Gustavo Guimarães, diretor do núcleo de urologia do A.C. Camargo Cancer Center, diz que não é possível concluir se a droga deve ser indicada para evitar câncer mas, como ela não aumenta a mortalidade, seu uso é seguro para tratar casos de crescimento benigno da próstata.

A quimioprevenção tem mais evidências de eficácia contra o câncer de mama --remédios como o tamoxifeno podem ser indicados se a mulher tiver histórico de doença na família ou certas mutações genéticas. Para prevenir o câncer de próstata, continua valendo a combinação de esportes e boa alimentação.

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/08/1327280-droga-reduz-risco-de-cancer-de-prostata-mas-e-alvo-de-criticas.shtml

Musculação ajuda pacientes com câncer

Estadão – 13/08/2013

Há muito tempo foi reconhecido no campo da fisiologia do exercício que um programa de musculação bem planejado pode reduzir a perda de massa muscular que acompanha o envelhecimento.

Um estudo publicado este ano no Journals of Gerontology concluiu que esta modalidade física também pode ocasionar benefícios para pacientes, que sofrem de câncer de próstata e que são submetidos a Terapia de Privação de Andrógeno (TPA).

Esta terapia é um tratamento que suprime os níveis de testosterona (principal hormônio masculino), que embora tenha muitas funções importantes, também pode estimular o crescimento de células cancerígenas da próstata.

Segundo o Dr. Ira Sharlip, um respeitado professor de urologia da University of California San Francisco (UCSF), e que não possui nenhum relacionamento com o estudo, o câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum na população masculina nos Estados Unidos.

“Os pacientes com câncer de próstata metastático são direcionados para a terapia de privação de andrógeno, o que ocasiona neles ao longo do tratamento níveis pré-púberais de testosterona, ou seja, níveis encontrados em jovens antes da puberdade que são considerados fisiologicamente insignificantes (insuficientes) para um adulto”, afirmou o Dr. Sharlip.

A supressão da testosterona endógena que é resultado do tratamento TPA, ocasiona efeitos colaterais desconfortáveis aos pacientes, como por exemplo, a redução da massa muscular, da força e resulta em níveis mais elevados de fadiga e de gordura corporal. O recente estudo sugere uma possível forma de combater alguns desses efeitos.

A investigação, que foi conduzida pelos pesquisadores da University of Maryland, concluiu que os pacientes com câncer de próstata submetidos a TPA, e que aderiram a um programa de musculação, tiveram um aumento significativo do volume da massa muscular, da potência e da força. Além disso, os participantes apresentaram melhorias significativas no desempenho funcional relacionados ao cotidiano, na resistência muscular e na qualidade de vida.

Desse modo, os investigadores concluíram que a adesão a um programa de musculação aumentou a massa muscular dos pacientes, mesmo com níveis insignificantes de testosterona. Consequentemente, tal modalide física pode ser uma peça fundamental no combate aos efeitos adversos ligados a TPA em indivíduos com câncer de próstata.

Outros estudos também examinaram o papel da musculação em pacientes com câncer de próstata submetidos a TPA. No entanto, o estudo dos pesquisadores da University of Maryland foi o primeiro a relatar os aumentos da massa muscular total e de medições diretas da hipertrofia em pacientes com esse quadro clínico, que haviam sido submetidos a um programa de musculação.

“Nosso estudo foi o primeiro realizado somente em pacientes afro-americanos, mas nossas observações sobre os benefícios da prática da modalidade em pacientes com câncer de próstata submetidos à terapia de privação de andrógeno podem ser estendidas a outras etnias,” acrescentou o Dr. Ben Hurley, que é um dos principais investigadores do estudo.

Além disso, solicitei ao Dr. Hurley que comentasse sobre o fato de a hipertrofia muscular ocorrer nos participantes da investigação, apesar de os níveis da testosterona serem considerados insignificantes nesse contexto.

De acordo com ele, há uma concepção enraizada dentro da literatura da fisiologia do exercício, que a testosterona é necessária, que ela é um pré-requisito indispensável para o aumento da massa muscular, mas que no entanto, o seu estudo mostrou que não é esse o caso.

“O nosso estudo sugere que, mesmo quando as pessoas têm uma drástica redução no nível de testosterona, existe algum tipo de mecanismo compensatório dentro do organismo que não sabemos exatamente definí-lo, que passa a funcionar permitindo suprir tal perda, a fim de aumentar a massa muscular”, acrescentou o Dr. Hurley.

Assim sendo, compreende-se que as diversas hipóteses envolvendo os mecanismos fisiológicos específicos pelos quais a hipertrofia muscular ocorre em pacientes, apesar deles terem níveis de testosterona insignificantes, é um assunto de grande curiosidade dentro do meio científico.

Consequentemente, em conversa pelo telefone, eu perguntei ao Dr. Stefano Schiaffino, um especialista dentro da fisiologia muscular no Venetian Institute of Molecular Medicine, sobre a hipertrofia obtida pelos pacientes apesar deles terem níveis baixos de testosterona.

De acordo com ele, o efeito da prática da musculação pode aumentar a massa muscular nos praticantes através de mecanismos fisiológicos que são independentes dos níveis de testosterona. “A hipertrofia do músculo é controlada por uma variedade de vias de sinalização, algumas das quais foram recentemente descobertas e estão relacionadas com as proteínas morfogenéticas do osso (BMPs). Estas proteínas parecem ser responsáveis pela hipertrofia muscular induzida por mutações da miostatina”. Ele complementa, “Esta importante descoberta realizada pelo grupo de pesquisa liderado pelo Dr. Marco Sandri no Venetian Institute of Molecular Medicine em Pádua será publicada em breve na revista Nature Genetics“.

Embora os benefícios fisiológicos acarretados pela prática regular dos exercícios aeróbicos sejam mais do que reconhecidos há algum tempo, a importância da musculação tem sido ofuscada e não tem recebido o devido reconhecimento por muitos. Por outro lado, à medida que um número maior de pesquisadores passar a conduzir estudos que utilizem a musculação para tratar pacientes com outros quadros clínicos, os seus benefícios provavelmente ficarão ainda mais em evidência.

http://blogs.estadao.com.br/ricardo-guerra/musculacao-ajuda-pacientes-com-cancer/

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