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Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 16/04/2013

Cientista brasileiro analisa efeitos da gravidade zero em células do câncer

G1 – 14/04/2013

Um estudo divulgado nesta sexta-feira (12) na "Nature Reviews Cancer", que conta com um pesquisador brasileiro como um dos autores, analisa dados divulgados nos últimos 40 anos sobre os efeitos da ausência de gravidade e de viagens ao espaço na biologia das células humanas. O artigo foca em células cancerígenas e no que ocorre com elas - alteração no citoplasma, na expressão das proteínas e outros fenômenos.

As primeiras análises celulares no espaço ocorreram nos anos 1970, diz o estudo. Desde então, além da famosa avaliação do sangue de astronautas que mostrou uma redução na quantidade de glóbulos vermelhos e alteração no formato destas células no período em órbita, outros experimentos foram feitos.

Por exemplo, uma análise de 2011 citada no artigo da "Nature Reviews Cancer" aponta o que ocorreu com células de câncer cervical (de colo de útero) cultivadas na Estação Espacial Internacional (ISS), em um ambiente sem gravidade. Foi identificada alteração na expressão de genes que regulavam o ciclo celular, a morfologia da célula e a apoptose (morte celular programada, processo pelo qual células problemáticas causam a própria morte).

Isso não quer dizer que viagens espaciais causem câncer ou reduzam a propensão a ter um tumor, diz o pesquisador Glauco Souza, pós-doutorado em físico-química pela Universidade do Texas e um dos autores da pesquisa. "Não há evidência de que os dois fatores [viajar ao espaço e ter câncer] estejam ligados", pondera.

Revisão

O estudo produzido por Souza e a pesquisadora americana Jeanne Becker é uma revisão, ou seja, uma nova análise de dados que já foram apresentados. Efeitos da "gravidade zero" que podem surgir nas células incluem alterações no volume celular e no citoesqueleto (conjunto de proteínas responsável por manter a forma da célula e conter seu citoplasma e organelas), ressalta o pesquisador.

Souza avalia que estudar células cancerígenas em "gravidade zero" pode ajudar a desenvolver medicamentos para certos tipos de tumor.

"Uma proteína do citoesqueleto, a tubulina, em alguns casos passa por alteração no espaço. Então é um ambiente único para estudar o efeito de drogas contra o câncer que afetem essa proteína, por exemplo", afirma Souza. Alterações na tubulina devido à falta de gravidade seriam dificílimas de serem reproduzidas na Terra, diz o pesquisador.

Tridimensional

Outra questão é que o cultivo celular na Terra ocorre de forma bidimensional - as células são depositadas em uma placa e acabam "achatadas" pela interação com a superfície do objeto e a força da gravidade, explica Souza. Já no espaço, pela ausência da força gravitacional, as células crescem e se multiplicam de forma tridimensional em equipamentos projetados para a cultura. Este formato permite ter novas visões sobre a divisão celular, a composição de aglomerados de células e a interação entre elas, de acordo com Souza.

"Você tem um ponto de vista diferenciado com relação à formação das células. Elas têm mais espaço para crescer, permite estudá-las de forma diferente do que estamos acostumados", explica ele, referindo-se às células que crescem em ambiente 3D. O pesquisador avalia que as células do corpo se reproduzem num ambiente com três dimensões, parecido com o que ocorre nestas culturas no espaço - mas com a existência, na Terra, da força gravitacional.

Tecnologias estão sendo desenvolvidas para copiar um ambiente sem gravidade, diz Souza. Ele é presidente da Nano3D Biosciences, empresa que no seu surgimento foi "incubada" na Universidade Rice, nos EUA, e que hoje atua em colaboração tanto com essa instituição quanto com a Universidade do Texas para estudos e desenvolvimento de tecnologia na área.

"Queremos mostrar a importância da ciência espacial, que não é só focada em colocar as pessoas em órbita. Os frutos das pesquisas espaciais terão impacto grande na ciência biológica", pondera o pesquisador.

Usar células que cresceram em um ambiente tridimensional, por exemplo, permite entender a interação com um medicamento novo de formas diferentes, além de garantir uma avaliação inovadora da toxicidade do remédio, diz Souza. A análise fica mais previsível e parecida com o que ocorre no corpo humano em um ambiente 3D, na opinião do cientista. Só foi possível pensar nisso e criar máquinas que simulem este ambiente graças aos experimentos com células ocorridos no espaço.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/04/cientista-brasileiro-analisa-efeitos-da-gravidade-zero-em-celulas-do-cancer.html

 

Cientistas descobrem gene por trás de câncer agressivo de próstata

BBC – 9/04/2013

Homens que sofrem câncer de próstata e que carregam um gene mutante podem desenvolver a forma mais agressiva da doença, alertam especialistas britânicos.

O gene BRCA2 está geralmente relacionado a formas hereditárias de câncer de mama, próstata e ovário.

Agora, os pesquisadores do Institute of Cancer Research, em Londres, e do Royal Marsden NHS Foundation Trust acreditam que, além de terem mais probabilidade de ter câncer de próstata, homens que carregam o gene BRCA2 têm menos chances de sobreviver a formas agressivas do tumor.

O câncer de próstata pode se desenvolver devagar ou rapidamente, algo difícil de prever nos estágios iniciais da doença. Muitos homens convivem com o tumor a vida inteira sem manifestar sintomas. Muitos nem precisam de tratamento.

Mas os cientistas alertam que os que sofrem de câncer de próstata e têm o gene defeituoso devem ser tratados o mais rapidamente possível porque neles há probabilidade maior de o tumor se espalhar.

Tratamento imediato

O professor Ros Eeles e seus colegas analisaram pacientes de câncer de próstata, incluindo 61 homens com o gene BRCA2, 18 com uma mutação genética similar conhecida como BRCA1 e outros 1.940 sem mutações genéticas.

Eles concluíram que os pacientes com a mutação BRCA2 tinham menor chance de sobreviver ao câncer, vivendo cerca de seis anos e meio após o diagnóstico. Já os pacientes com a mutação BRCA1 e os que não apresentavam qualquer mutação viveram quase 13 anos após o tumor ser detectado.

Os cientistas observaram que os pacientes com o gene BRCA2 ainda tinham mais chance de apresentar a forma mais avançada da doença já na época do diagnóstico.

Na avaliação do professor Eeles, "faz sentido começar a tratar esses pacientes com cirurgia ou radioterapia imediatamente, ainda nos primeiros estágios da doença".

A médica Julie Sharp, da organização Cancer Research UK, diz que o estudo sugere que os médicos devem considerar tratar este grupo de pacientes muito antes do que fazem atualmente.

"Este é o maior estudo já feito sobre a relação entre câncer de próstata e o gene mutante, mostrando que os médicos devem começar tratamento logo, em vez de aguardar para ver como a doença se desenvolve", diz Sharp.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/04/130409_cancerprostata_gene_fl.shtml

 

Medicamento contra arritmia aumenta risco de câncer

Exame – 10/04/2013

Washington - O Nexterone (amiodarone), um medicamento muito utilizado contra arritmia cardíaca, aumenta o risco de câncer, especialmente entre os pacientes submetidos a altas dosagens, revela um estudo publicado na última edição da revista americana 'Cancer'.

Como o medicamento se dissolve na gordura do organismo e se degrada muito lentamente, em grandes quantidades pode se acumular nos tecidos após um consumo prolongado, destacam pesquisadores do Veterans General Hospital de Taiwan.

Outros estudos já haviam revelado que o amiodarone poderia aumentar os riscos para certos tipos de câncer, mas esta é a primeira pesquisa diretamente focada na questão.

Os autores do estudo, entre eles o Dr. Vincent Yi-Fong Su, analisaram 6.418 pacientes que tomaram amiodarone e que foram acompanhados por cerca de dois anos e meio. Deste total, 280 desenvolveram câncer.

Após analisar idade, sexo e outras doenças dos pacientes, os participantes que tomaram fortes doses de amiodarone registraram duas vezes mais chances de contrair câncer que os submetidos a doses menores.

"Recomendamos que os casos de câncer destes pacientes sejam sistematicamente mencionados em futuros estudos clínicos com amiodarone, e consideramos necessário realizar mais pesquisas", destacou SU.

O Nexterone é comercializado pelo laboratório Baxter Healthcare Corporation.

http://exame.abril.com.br/ciencia/noticias/medicamento-contra-arritmia-aumenta-risco-de-cancer

 

Certos tipos de HPV podem prevenir o câncer de colo de útero, revela estudo

R7 – 11/04/2013

Alguns tipos de vírus HPV (papilomavírus humano) podem ajudar a prevenir o câncer de colo de útero, de acordo com um estudo da Universidade de Manchester divulgado nesta quarta-feira (10). Há mais de 100 tipos de HPV, porém apenas um grupo de 14 tipos é considerado de “alto risco” para o desenvolvimento deste tipo de câncer.

Para chegar a esta conclusão, os médicos analisaram amostras diferentes tipos de HPV encontrados no colo do útero de uma mulher saudável e nos colos de útero de mulheres com câncer. O estudo foi feito com o público feminino no Quênia (país africano). Eles encontraram grande quantidade de um de um tipo de HPV (o tipo 53) em uma amostra de colo de útero de uma mulher soropositiva, porém quase não encontraram esse tipo em uma mulher que não tinha Aids. Essa subespécie também não foi encontrada em amostra de colo de útero com câncer tanto em pacientes sopositivas, tanto nas que não tinham o HIV.

De acordo com o professor titular de Oncologia Viral da Universidade de Manchester, Ian Hampson, o HIV aumenta o número de diferentes tipos de HPV.

— Se apenas tipos de alto risco estão presentes no colo do útero da pessoa com Aids, sem dúvida, eles vão acelerar a progressão para o câncer que. Mas se outros tipos (por exemplo, tipo 53) também estão presentes, eles podem realmente competir com os tipos de alto risco para inibir o desenvolvimento de um câncer.

Para o pesquisador, esse estudo explica o porquê do aumento no número de infecções por HPV em mulheres soropositivas africanas não corresponder ao aumento do número de casos de câncer de colo do útero.

De acordo com Hampson, o estudo ainda precisa avançar mais, eles precisam descobrir como um tipo de HPV pode suprimir a capacidade de outro tipo causar o câncer.

— Se se puder ser provado que o HPV tipo 53 pode inibir as propriedades causadoras de câncer de outros tipos de alto risco de HPV, este poderia formar a base de uma terapia simples biológica para prevenir esta doença. Isto poderia ser extremamente útil em países de baixos recursos que não podem pagar caro vacinas de HPV.

Por ano, 270 mil mulheres morrem por câncer de colo do útero em todo o ano. Segundo a pesquisa, 85% acontecem em países com baixos recursos. No Quênia é o tumor maligno mais comum entre as pessoas. Eles correspondem 18% e 23% dos casos da doença no país.

http://noticias.r7.com/saude/certos-tipos-de-hpv-podem-prevenir-o-cancer-de-colo-de-utero-revela-estudo-12042013

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