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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 17/12/2012

Pacientes de países pobres sofrem por falta de acesso à morfina

BBC – 14/12/2012

A morfina é uma droga barata, de fácil uso e eficiente no controle da dor. Então, por que milhões de pessoas no mundo morrem sentindo dor, sem acesso ao medicamento? Em um ala do hospital Mulago, em Kampala, capital de Uganda, na África, um dos leitos é ocupado por uma paciente idosa chamada Joyce. Em sua agonia, ela torceu os lençóis em torno de si mesma. Seu rosto também está contorcido pela dor. O marido da paciente circula em torno da cama, sem saber o que fazer. Joyce tem câncer, e a doença se alastrou por todo o seu corpo. Poucos dias atrás, ela estava sendo medicada com morfina. Mas os suprimentos do hospital terminaram. Segundo uma enfermeira, a paciente sente dor constantemente. "Ela descreve a dor como profunda - dentro dos ossos", afirmou. O governo de Uganda produz e distribui sua própria morfina para uso em hospitais, mas por falta de organização, a distribuição da droga é irregular.

Sofrimento desnecessário

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de cinco milhões de pessoas com câncer morrem anualmente em condições de dor intensa, sem ter acesso a morfina. "O fato de que o que separa essas pessoas do alívio daquela dor é uma droga que custa US$ 2 por semana é simplesmente inadmissível", disse Meg O'Brien, chefe da ONG The Global Access to Pain Relief Initiative - entidade que luta por um maior acesso à morfina.

O'Brien disse que em países ricos, como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, existe morfina suficiente para tratar 100% das pessoas que sentem dor. Em países de baixa renda, no entanto, esse índice cai para 8%. A morfina é produzida a partir de papoula (Papaver somniferum) - cujo 'leite' também é usado para a fabricação da heroína. Ela foi descoberta em 1804 e comercializada como analgésico, pela primeira vez, em 1817.

Ela é recomendada pela Organização Mundial de Saúde para combater a dor em casos específicos. Segundo alguns relatos, no entanto, é praticamente impossível de se encontrar morfina em cerca de 150 países de baixa renda (a lista também inclui alguns países de renda média). Vários governos não oferecem a droga, ou limitam seu uso, por temor de que ela seja usada para fabricar heroína. Muitos médicos também relutam em receitar o medicamento, temendo que os pacientes fiquem viciados - algo que, estudos comprovam, raramente ocorre. Na Índia, ter ou não ter acesso à morfina vai depender de onde você é tratado.

Em Mumbai, o moderno e bem equipado Tata Memorial Hospital tem quantidades suficientes de morfina para tratar seus pacientes. "Nunca ficamos sem", disse a médica Mary Ann Muckaden, encarregada do controle de dor no hospital. Mas a história é muito diferente em outras partes do país. Muckaden calcula que entre 1 e 2% apenas dos indianos com câncer tem acesso a morfina. Dinesh Kumar Yadav, com 28 anos, viajou 30 horas em um ônibus para ir buscar morfina no Tata Memorial Hospital. A esposa de Dinesh está em casa, na cama, com dor, mas não pode obter morfina no Estado onde os dois vivem, no norte do país. Muckaden diz que parte do problema é uma burocracia asfixiante. "Muitos médicos no norte não querem enfrentar o rigoroso processo de licenciamento para estocar morfina", afirma.

Preconceito

Não são apenas problemas de distribuição que separam pacientes com dor intensa da morfina. O Palliative Care Centre Cipla, em Pune, no Estado indiano de Maharashtra - um hospital que oferece tratamentos paliativos para pacientes com câncer - tem morfina em abundância. Porém, médicos relutam em referir pacientes para o centro, que tem capacidade ociosa de 40 %. "Isto aqui é um céu na Terra", disse Asha Dikshit. A mãe dela sofria de câncer de mama e foi internada no Cipla no estágio terminal de sua doença. Arejado e cercado de fontes e jardins, o lugar deixou uma boa impressão em Asha, apesar de sua mãe ter morrido ali. "Ela estava em agonia, tinha dor nas costas e às vezes sofria alucinações". Asha conta, no entanto, que a mãe morreu em paz, medicada com morfina. Todos os pacientes do centro têm câncer, e o tratamento é gratuito. Por que haveria, então, tantos leitos vazios no Cipla? A diretora do hospital, Priya Kulkarni, disse que muitos pacientes têm preocupações em relação à morfina. Eles associam a morfina com morte e se retraem quando os médicos sugerem seu uso, ela explicou. E pela mesma razão, os próprios oncologistas também deixam de mandar seus pacientes para o centro. "Dizer algo como, 'Vou enviar você para um especialista em (tratamentos) paliativos' significa dizer, indiretamente, 'não tem mais nada que eu possa fazer por você'".

Indícios positivos

Apesar de tantos obstáculos ao uso da morfina nos países em desenvolvimento, Kulkarni e outros dizem que já há algumas melhorias. Em países de baixa renda, o consumo aumentou dez vezes desde 1995, segundo dados do International Narcotics Control Board. E em vários países onde, até pouco tempo, não havia morfina - como Uganda, por exemplo - hoje já existem suprimentos, ainda que limitados. De volta ao hospital em Kampala, onde a paciente Joyce se contorcia de dor por falta de morfina, a especialista em tratamentos paliativos Leslie Henson teve sorte: ela encontrou um último vidro de morfina em uma prateleira, suficiente para tratar dois ou três pacientes. Logo, a droga é administrada na paciente, que sorri. Seu rosto não está mais contorcido e seu marido está aliviado. Outros pacientes no hospital ainda sofrem. Mas nas próximas horas, ao menos, Joyce não sentirá dor.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/12/121211_morfina_mv.shtml

Fumar pouco já dobra risco de morte súbita em mulheres, diz estudo

BBC – 12/12/2012

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos sugere que mulheres que fumam pouco, incluindo aquelas que fumam apenas um cigarro por dia, dobram as chances de morte súbita em comparação às mulheres que nunca fumaram.

O estudo analisou a saúde de 101 mil enfermeiras americanas durante mais de três décadas. Durante a pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Alberta, no Canadá, e publicada na revista da American Heart Association, ocorreram 315 mortes súbitas causadas pela parada inesperada do coração.

Em pessoas com 35 anos ou menos, este tipo de morte geralmente ocorre quando há um histórico de problemas cardíacos na família. Mas, em pessoas acima de 35 anos, como no caso da maioria das enfermeiras estudadas, a morte pode ter sido causada pelo entupimento de artérias do coração devido a depósitos de gordura. Das 315 mortes súbitas registradas durante o estudo, 75 ocorreram entre enfermeiras que ainda fumavam, 148 entre mulheres que tinham parado de fumar (recentemente ou não) e 128 entre pessoas que nunca fumaram.

Um ou 14 cigarros por dia

Depois de levar em conta outros fatores de risco para o coração, como pressão alta, colesterol alto e histórico familiar de problemas cardíacos, Roopinder Sandhu, que liderou a pesquisa, descobriu que mulheres que fumavam tinham o dobro de chances de morrer de repente mesmo se fumassem entre um e 14 cigarros por dia.

Para cada cinco anos de fumo contínuo, o risco aumentava em 8%.

Mas, os pesquisadores descobriram que aquelas que pararam de fumar, voltaram ao fator de risco igual a de mulheres que nunca fumaram, depois de 20 anos sem cigarros. "O que este estudo realmente mostra às mulheres é a importância de parar de fumar. Os benefícios em termos de redução de morte súbita cardíaca estão lá, para todas as mulheres, não apenas aquelas que já tem problemas cardíacos", afirmou Sandhu. "Pode ser difícil parar. É necessário (ter) um objetivo no longo prazo. Não é sempre fácil e pode ser necessária mais do que uma tentativa", acrescentou. "Esta pesquisa mostra que fumar apenas alguns cigarros por dia ainda pode afetar muito sua saúde no futuro", afirmou Ellen Mason, enfermeira especializada em cuidados cardíacos da British Heart Foundation. "Se você está pensando em parar e precisa de um empurrãozinho, esta pesquisa acrescenta às muitas provas (que já temos) de que parar de fumar é a melhor coisa que você pode fazer pela saúde do seu coração", acrescentou.

Um estudo publicado recentemente na revista The Lancet, sugeriu que 1,2 milhão de mulheres que pararam de fumar aos 30 anos evitaram quase completamente os riscos de uma morte prematura devido a doenças relacionadas ao fumo.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/12/121212_fumo_mulheres_fn.shtml

Universidade treina cão a detectar bactéria hospitalar

G1 – 17/12/2012

Um estudo realizado pela Universidade VU, de Amsterdã, na Holanda, revelou que cães podem detectar bactérias que causam infecções hospitalares graves, como a Clostridium difficile. Cliff, um beagle de dois anos usado no estudo, conseguiu detectar a superbactéria com 83% de precisão.

Os testes com Cliff foram feitos em dois hospitais de Amsterdã nos quais, como em outros países, os médicos estão tentando reduzir as taxas de infecção pela bactéria detectada pelo beagle. Os exames de laboratório usados atualmente são lentos, caros e podem atrasar o início do tratamento em até uma semana. A Clostridium difficile geralmente afeta pacientes idosos que estão sendo tratados com antibióticos.

Ela provoca problemas na flora intestinal, diarreia e, em casos extremos, inflamação intestinal e a morte. Os cientistas afirmaram que usar um cachorro nos hospitais para detectar os pacientes infectados é uma forma "rápida, eficaz e popular" de evitar a propagação da bactéria. A pesquisa foi divulgada na revista britânica especializada "British Medical Journal".

Cheiro

Estudos anteriores demonstraram que cães são capazes de detectar vários tipos de câncer. A ideia de treinar um cachorro para detectar a Clostridium difficile surgiu quando os pesquisadores do Centro Médico da Universidade VU, de Amsterdã, notaram que as fezes contagiadas pela bactéria emitiam um odor específico. Cliff, que nunca tinha sido treinado para aprender a detectar a bactéria, passou por dois meses de instrução para farejar os odores da bactéria em amostras de fezes e em pacientes contagiados.

Cliff tinha que se sentar ou deitar quando o micro-organismo estivesse presente. Quando o beagle foi colocado à prova, foram apresentadas 50 amostras de fezes com a bactéria e 50 sem. Cliff identificou corretamente as 50 amostras positivas e 47 das 50 negativas. Os números equivalem a uma qualificação de 100% em termos de sensibilidade (a proporção de positivos detectados corretamente) e 94% em especificidade (a proporção de negativos identificados corretamente).

Depois, Cliff foi levado para as salas de dois hospitais para provar sua capacidade em meio aos pacientes. O cachorro conseguiu identificar corretamente 25 de 30 pacientes infectados (83% de sensibilidade) e 265 de 270 pacientes sem a bactéria (98% de especificidade).

'Rápido e eficaz'

De acordo com os pesquisadores, Cliff "demonstrou ser rápido e eficaz, rastreando uma sala completa do hospital para buscar os pacientes com as infecções da C. difficile em menos de dez minutos". "Para os propósitos de detecção, o cão não precisou de uma amostra de fezes ou do contato físico com os pacientes", afirmaram os autores da pesquisa.

"Tudo indica que os cães podem detectar a C. difficile no ar em volta dos pacientes", acrescentaram. Mas os cientistas holandeses destacam que este foi um estudo inicial e agora deverão fazer pesquisas mais abrangentes. Também existem algumas dúvidas como a imprevisibilidade de se usar um animal como ferramenta de diagnóstico e o potencial que este animal teria de espalhar infecções.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/12/universidade-treina-cao-a-detectar-bacteria-hospitalar.html

População mundial vive mais, porém cada vez mais doente

Veja – 14/12/2012

A revista médica The Lancet dedicou toda a sua nova edição, publicada nesta sexta-feira, ao estudo Global Burden of Disease Study 2010 (Carga de Saúde Global 2010), que avaliou as doenças e mortes em todo o mundo ao longo de 20 anos. O documento mostrou que, nesse período, a população mundial passou a viver mais, mas com pior saúde. Em partes, isso se deve ao fato de que, enquanto as doenças graves infecciosas estão sendo cada vez mais combatidas, cresce o número de condições crônicas. Ou seja, condições que fazem mal, causam dores e prejudicam a qualidade de vida, mas que não matam de forma imediata.

O projeto, feito pelo Instituto de Métrica e Avaliação em Saúde (IHME, sigla em inglês) e pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, também contou com a colaboração de mais de 300 instituições de todo o mundo, inclusive do Brasil. Ao todo, o estudo analisou os quadros de saúde de 180 países. O trabalho é considerado o maior já feito para descrever as doenças e os fatores de risco ao redor do mundo. A pressão arterial é o maior fator de risco para a saúde atualmente, tendo sido responsável por nove milhões de óbitos no mundo em 2010, apontou a pesquisa. Em segundo e terceiro lugares estão, respectivamente, o tabagismo e o alcoolismo, que ultrapassaram a fome infantil.

Na maior parte do que o projeto chamou de América Latina Tropical, que inclui o Brasil, porém, o álcool figura como o principal fator de risco para a saúde. Doenças associadas à bebida mataram quase cinco milhões de pessoas em todo o mundo em 2010. População pesada — Enquanto a mortalidade global por desnutrição caiu, o fator de risco para a saúde que mais cresceu nos últimos vinte anos foi o excesso de peso — em 1990, ele correspondia ao décimo lugar ; em 2010, ao sexto. Hoje, maus hábitos alimentares e sedentarismo correspondem a 10% da carga de doença global. De acordo com os resultados, o sobrepeso foi responsável por três milhões de mortes ao redor do mundo em 2010 — um número três vezes maior do que os óbitos por desnutrição. "Passamos de um mundo de 20 anos atrás em que as pessoas não comiam o suficiente para um mundo, inclusive em países em desenvolvimento, onde há muita comida, mas não saudável, que nos faz muito mal", diz Majid Ezzati, do Imperial College de Londres e um dos autores do estudo.

Má qualidade de vida — O estudo também listou os principais fatores responsáveis por piorar a qualidade de vida conforme a idade avança. São eles: dor nas costas, depressão, anemia por deficiência em ferro, dor no pescoço, doença pulmonar obstrutiva crônica, problemas muscoesqueléticos, distúrbios de ansiedade, enxaqueca, diabetes e quedas.

Mortalidade — Um dos avanços significativos que o estudo observou ao longo desses vinte anos foi a queda da mortalidade infantil. No entanto, isso não quer dizer que os números já são ideais. Condições como diarreia por rotavírus e sarampo ainda matam mais de um milhão de crianças menores do que cinco anos todos os anos, apesar da existência de vacinas eficazes contra tais doenças.

Se, por um lado, a mortalidade infantil está diminuindo a cada ano, o relatório observou um aumento de 44% no número de mortes entre pessoas de 15 a 49 anos entre 1970 e 2010. Os autores atribuem esse dado, entre outras coisas, ao aumento da violência e ao vírus HIV, para o qual ainda não foi encontrada uma cura. Em 2010, a aids foi a sexta principal causa de morte no mundo - com 1,5 milhão de mortes.

"Estamos descobrindo que poucas pessoas estão vivendo com perfeita saúde e que, com a idade, elas acumulam condições crônicas", dize Christopher Murray, diretor do IHME. "A nível individual, isso significa que nós devemos repensar como a vida será para nós aos 70 ou 80 anos de idade. Esses resultados também devem provocar profundas implicações para os sistemas de saúde em termos de definir prioridades.” http://veja.abril.com.br/noticia/saude/populacao-mundial-vive-mais-porem-cada-vez-mais-doente

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