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Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

Veja o que saiu na mídia sobre câncer - 02/04/2012

Cientistas lançam a primeira enciclopédia sobre o câncer

O Globo – 29/03/2012

RIO - O objetivo das pesquisas de câncer é alcançar a droga certa para o alvo certo, no paciente correto. Mas antes que remédios tão personalizados possam ser desenvolvidos, mais conhecimento é necessário sobre alterações específicas do genoma dos cânceres e suas sensibilidades a potenciais agentes terapêuticos. Agora, uma colaboração entre a academia e a indústria acaba de resultar no lançamento da primeira “enciclopédia do câncer”.

Trata-se de uma nova e gratuita fonte que combina dados bem detalhados do genoma do câncer com dados anteriores de resposta a drogas, informações que podem levar a melhores ensaios clínicos sobre a doença e ao desenvolvimento de tratamentos futuros. A Enciclopédia da Linhagem das Células do Câncer, de autoria de cientistas de diversos institutos dedicados à pesquisa sobre tumores, é citada na última edição da revista "Nature".

- Esperamos que o trabalho seja uma fonte pré-clínica que possa guiar ensaios clínicos - disse Levi Garraway, um dos autores do trabalho, membro do Broad Instituto, e professor do Dana-Farber Cancer Institute e da Escola de Medicina de Harvard.

Outro autor da pesquisa destacou sua importância:

- A enciclopédia é uma fonte pública que acreditamos que vai catalizar descobertas em toda a comunidade de pesquisa do câncer - afirmou Todd Golub. - Com este esforço inicial, demos alguns passos importantes. O desafio agora é expandir o número de compostos testados através do painel de linhagens celulares.

O trabalho integra expressões genéticas, número de cópias do cromossomo e dados de sequenciamento de quase mil linhagens de células de câncer humano junto com perfis farmacológicos de 24 drogas contra o câncer.

Munidos deste tipo de conhecimento, os pesquisadores podem ter uma ideia muito mais clara de quais tumores são mais propensos a responder a certas drogas antes de usá-las em ensaios clínicos, defendem os cientistas. Os pacientes podem ser selecionados para estes estudos com base na sua probabilidade de responder ao tratamento, dada a composição genética e molecular de seus cânceres.

Os cientistas ainda vão escrever novos volumes da enciclopédia. Na próxima fase, análises baseadas em sequenciamento mais profundo, perfis da atividade metabólica e modificações epigenéticas - mudanças na organização da cromatina - também serão adicionadas.

http://oglobo.globo.com/saude/cientistas-lancam-primeira-enciclopedia-sobre-cancer-4443080

Droga brasileira combate câncer

O Globo – 20/03/2012

Empresa recebe aprovação dos Estados Unidos para testes contra tumor de ovário.

Pela primeira vez uma droga desenvolvida no Brasil contra o câncer recebe aprovação para testes nos Estados Unidos. O tratamento combate o câncer de ovário e promete ser menos agressivo do que a quimioterapia. Ele foi desenvolvido pela empresa de biotecnologia brasileira Recepta Biopharma e, se tiver êxito nos testes, poderá chegar ao mercado em cinco anos. A droga recebeu na semana passada aprovação da FDA, a agência americana responsável pela validação de drogas e alimentos, para continuar seus estudos com pacientes.

O reconhecimento da agência significa, na prática, que o laboratório, sediado em São Paulo, poderá receber financiamentos não-reembolsáveis e que, após sua aprovação, a droga terá sete anos de garantia de exclusividade nos EUA. O câncer de ovário, por ser mais raro do que alguns outros tumores, não atrai muito interesse da indústria farmacêutica, o que o faz ser negligenciado na busca por novos tratamentos. No Brasil. a doença afeta seis mil mulheres por ano.

A empresa, dirigida pelo biólogo José Fernando Perez, aposta em anticorpos monoclonais, descritos pela primeira vez em 1975 e cada vez mais adotados como uma alternativa para a terapia de pacientes com câncer.

A quimioterapia convencional ataca todas as células que se multiplicam rapidamente - inclusive as saudáveis, como as do trato gastrointestinal e as do couro cabeludo. Por isso este tratamento provoca tantos efeitos colaterais. Os anticorpos monoclonais, por sua vez, são uma terapia direcionada, com consequências adversas mais suaves.

"O anticorpo é uma proteína, desenvolvida por um complexo processo biotecnológico", explica Perez. "Pegamos o gene que determina a produção da proteína e o introduzimos numa célula animal. Essa célula passa a produzir a proteína. Esta só vai se ligar a alvos específicos, ou seja, a células de alguns tumores."

Essas proteínas foram aplicadas em pacientes com tumor de ovário que não respondiam ao tratamento convencional, com cirurgia e quimioterapia. Essas pacientes são candidatas ao teste, desde que seus tumores tenham um alvo ligável ao anticorpo. "Sabemos que isso acontece em 76% das pacientes com tumor de ovário", lembra Perez. "Nelas, esses alvos aparecem na superfície da célula. Essa é uma estatística importante, inclusive comercialmente, por aumentar as chances de sucesso de um futuro tratamento."

Perez coordenou a injeção do anticorpo em 26 pacientes e considerou as respostas muito promissoras. Este teste clínico foi o responsável pela aprovação da FDA. "Nossa meta, como ocorre atualmente na medicina, não é a regressão do tumor, mas a estabilização da doença", ressalta o cientista. "É algo semelhante ao visto no diabetes ou na hipertensão: não se busca uma cura, mas a qualidade de vida em um futuro próximo. Também sabemos que os tratamentos tendem a ser cada vez mais personalizados. A doença se manifesta de uma forma específica em cada paciente, e o médico deve adaptar a terapia a essas particularidades."

Os benefícios obtidos pelo experimento foram comparáveis aos conseguidos pela quimioterapia - e ainda mais prolongados nas pacientes que não tinham metástase no fígado e ascite, o acúmulo de líquido no abdômen. Hoje, segundo Perez, há apenas dez tratamentos com anticorpos monoclonais no mundo. Nos próximos cinco anos, no entanto, ele acredita que outros chegarão ao mercado. O cientista, inclusive, quer adaptar o mesmo anticorpo desenvolvido contra o câncer de ovário para combater o tumor de mama.

A Recepta conseguiu registro da Anvisa para testes clínicos com anticorpos monoclonais, mas procurou também o certificado da FDA para trabalhar com um padrão de qualidade internacional - o que implica em uma série de condições, como a autenticação da produção da droga, a regulação da temperatura no veículo em que ela é transportada e em protocolos de hospitais onde for testada.

Diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz assegura que o esforço vale a pena. "A designação vinda dos EUA demonstra uma capacidade de iniciativa e articulação muito importante da Recepta", elogia. "A partir daí são abertas várias possibilidades internacionais. Dá visibilidade a uma droga que está sendo desenvolvida aqui."

Para Brito Cruz, um pesquisador que funda uma empresa, como Perez fez com a Recepta em 2006, pode encontrar diversas fontes de custeio no País. Esses empreendimentos combinam recursos fornecidos por instituições estatais, como a Fapesp, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o BNDES. Outra vantagem oferecida pelo País é a existência, em grandes centros urbanos, de laboratórios bem instalados e competitivos internacionalmente em diversas áreas.

"Quanto às dificuldades, são as mesmas que todas as empresas do País enfrentam: nosso custo industrial, de mão-de-obra, é maior do que o de empresas americanas", lamenta. "As instabilidades de políticas públicas também atrapalham."

http://oglobo.globo.com/ciencia/droga-brasileira-combate-cancer-4359433

Mulheres jovens e com câncer fazem pouco para preservar fertilidade

Veja – 27/03/2012

São Paulo - Um novo estudo divulgado pela Sociedade Americana do Câncer descobriu que poucas mulheres diagnosticadas com câncer antes dos 40 anos tomam medidas para preservar a fertilidade durante o tratamento. O relatório ainda afirma que são necessários mais esforços para que as mulheres se conscientizem da situação e cuidem para que a capacidade de reprodução não sofra danos.

Mais de 120 mil mulheres de menos de 50 anos são diagnosticadas com câncer todo ano nos Estados Unidos. Como o tratamento para a doença se desenvolve e as taxas de letalidade caem cada vez mais, a preocupação recai sobre fatores indiretos, mas que ainda dizem respeito à saúde e à qualidade de vida. A quimioterapia e outros tipos de terapia prejudicam a fertilidade, mas os modos alternativos para a reprodução assistida fazem com que os cuidados sejam deixados de lado nesse aspecto.

O doutro Mitchell Rosen, da Universidade da Califórnia, conduziu o estudo com 1.041 mulheres com idades dentre 18 e 40 anos diagnosticadas com câncer, selecionadas aleatoriamente do banco de dados do Registro de Câncer da Califórnia. Do total, 918 delas foram submetidas a tratamentos que potencialmente afetam negativamente a fertilidade (quimioterapia, radiação pélvica, cirurgia pélvica ou transplante de medula óssea).

Segundo os pesquisadores, 61% delas receberam informações de seus médicos sobre os possíveis efeitos colaterais que os tratamentos causariam quanto à fertilidade. No geral, apenas 4% delas se preocuparam com a capacidade de reprodução e procuraram preservá-la. Além disso, certos grupos receberem tais informações no momento do diagnóstico e puderam ter mais cuidado com a fertilidade que outras.

"Embora mais mulheres estejam sendo aconselhadas sobre os riscos de sua saúde reprodutiva, muitas ainda não recebem informação adequada sobre as opções no momento do diagnóstico", disse o doutor Rosen. "Consultas sobre fertilidade e opções para preservar o potencial de reprodução aumentam a qualidade de vida das pacientes e, no geral, a qualidade do tratamento", conclui.

Os autores do estudo ainda afirmam que as disparidades sociodemográficas também afetam o acesso aos serviços de preservação da fertilidade. "Há ma oportunidade para explorar as intervenções políticas e educacionais para melhorar as diferenças que podem existir na preservação da fertilidade", completa Rosen, cujo estudo indica que mulheres jovens, brancas, sem filhos e com níveis de escolaridade mais alto tiveram mais acesso e se mostraram preocupadas com os meios de proteger sua capacidade de reprodução.

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/mulheres-jovens-e-com-cancer-fazem-pouco-para-preservar-fertilidade

Autoexame é inútil para câncer testicular

Band – 29/03/2012

Os apelos de celebridades pedindo aos homens britânicos que apalpem seus testículos com regularidade para detectar sinais precoces de câncer são uma perda de tempo, denunciou um médico em artigo de opinião publicado nesta quinta-feira na revista BMJ (British Medical Journal).

O cantor Robbie Williams e a equipe de rúgbi dos Leicester Tigers estão entre os que fizeram campanha para incentivar os homens a realizar o autoexame, como foi feito antes com as mulheres para a detecção do câncer de mama.

O doutor Keith Hopcroft, médico geral do condado de Essex, criticou o convite "a acariciar as joias da família", denunciando sua inutilidade e seus potenciais efeitos negativos, como a ansiedade.

A possibilidade de descobrir algo significativo através do autoexame dos testículos é minúscula, argumentou.

Seria necessário que pelo menos 50.000 homens fizessem este autoexame durante dez anos para evitar uma morte. Este tipo de campanha se baseia no mito de que o câncer testicular é um mal silencioso, quando pelo menos a metade dos pacientes com este tipo de câncer, considerado raro, sente dores. O médico também destacou que a taxa de cura para a doença atualmente é muito elevada. Campanhas do tipo são inspiradas em uma época em que a realidade não era esta, acrescentou.

http://www.band.com.br/viva-bem/saude/noticia/?id=100000494327

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