Descoberta pode ajudar no combate ao câncer e no transplante de órgãos
Veja – 14/04/2012
O sistema imunológico humano está em ação o tempo todo, combatendo de vírus e bactérias até células do nosso próprio corpo, que apresentam mutações potencialmente cancerígenas. Por isso existem vários remédios destinados a pacientes com câncer que estimulam as células de defesa do organismo. Em casos especiais, porém, como em pacientes que passaram por transplantes, é preciso administrar medicamentos que atenuem sua ação, senão essas mesmas células vão tratar o novo órgão como um corpo estranho e provocar sua rejeição.
Um novo estudo realizado na Universidade Loyola de Medicina, de Chicago, nos Estados Unidos, pode fazer o nosso sistema imune agir das duas maneiras. A pesquisa descobriu que uma proteína chamada TGF-BETA, que já é conhecida por diminuir a resposta do sistema imunológico, também pode atuar da forma oposta, aumentando a força de nossas defesas.
"A TGF-BETA é uma faca de dois gumes", diz Makio Iwashima, autor-sênior do estudo publicado na edição online do Journal of Immunology. "Ela provoca reações do sistema imunológico mas não determina a direção destas reações. Dependendo das condições, elas podem tanto ativar quanto suprimir o sistema imunológico."
Para chegar à descoberta, Iwashima e sua equipe testaram a ação da molécula em culturas de células de camundongos. O próximo passo será testá-la em animais vivos. Segundo Iwashima, entender melhor o funcionamento da TGF-BETA pode levar ao desenvolvimento de medicamentos que possam tanto aumentar ou diminuir a resposta do sistema imunológico, conforme seja necessário.
 
Exame de câncer de pulmão reduziria morte de 15 mil por ano
Terra – 11/04/2012
A tomografia computadorizada para detecção de câncer no pulmão em fumantes é mais barata do que a necessária para a identificação de câncer de mama, no colo do útero e colorrectal. O exame evitaria a morte de cerca de 15 mil pessoas nos EUA por ano se fossem oferecidos pelo governo, de acordo com estudo. As informações são do Los Angeles Times.
Um grupo de economistas calculou que exames em pessoas de meia-idade que fumaram um maço de cigarros por dia ao longo de 30 anos, custaria para cada assegurado americano R$ 1,39 por mês. O investimento proporcionaria um ano a mais de vida a cada pessoa em que o câncer fosse descoberto cedo.
Há cerca de um ano, médicos relataram ao New England Journal of Medicine que os exames anuais de tomografia computadorizada para fumantes de longa data poderia reduzir as mortes por câncer de pulmão em 20%. As conclusões foram baseadas em um ensaio clínico que envolveu mais de 53 mil fumantes, financiado pelo National Cancer Institute. No entanto, até agora, poucas seguradoras privadas se ofereceram para pagar os exames.
Mesmo moderadamente, consumo de álcool eleva risco de câncer de mama em jovens
 
Veja – 09/04/2012
O consumo de bebida alcoólica pode elevar as chances de mulheres jovens desenvolverem câncer de mama. O risco existe mesmo quando o consumo é moderado, e se torna mais elevado quanto maior for a quantidade da bebida consumida. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada nesta segunda-feira na revista Pediatrics, que indicou que o álcool ainda pode desencadear alterações benignas na mama capazes de levar à doença no futuro. O estudo foi realizado por um grupo de pesquisadores de diversas instituições, entre elas as Faculdades de Medicina das Universidades de Washington e de Harvard, nos Estados Unidos.
Segundo a Sociedade Americana do Câncer, mulheres adultas que bebem de duas a cinco doses de bebida alcoólica ao dia têm uma chance 1,5 vez maior de ter câncer de mama do que as abstêmias. Nesse estudo, a equipe de pesquisadores procurou descobrir se os já conhecidos efeitos adversos do álcool poderiam ser revertidos, como pesquisas anteriores sugeriram, pelo ácido fólico, uma vitamina do complexo B presente em bebidas alcoólicas como a cerveja, mas também em outros alimentos como cogumelo, tomate e feijão. O nutriente pode combater anemia, prevenir cânceres e evitar inflamações.
Por isso, durante uma década, os especialistas acompanharam 29.117 mulheres, com idades entre 18 e 22 anos, que responderam a questionários sobre consumo de bebida alcoólica e ácido fólico em geral. Cerca de um quarto dessas mulheres não consumiam bebida alcoólica quando jovens, enquanto 11% delas bebiam o equivalente a uma dose e meia ou mais de álcool ao dia — quantidade considerada alta pela pesquisa. O restante das participantes bebia doses baixas ou moderadas. No início da pesquisa, nenhuma participante tinha doenças de mama. Ao final do estudo, foram registrados 659 casos de doença benigna de mama.
Os resultados indicaram que quanto mais bebida alcoólica é consumida, maior o risco de ter uma doença benigna da mama. Os pesquisadores concluíram que a cada 10 gramas de álcool (uma dose de bebida) que uma mulher ingere diariamente, o risco de desenvolver células e lesões não cancerígenas aumenta em 15%. No entanto, os pesquisadores observaram que o consumo de ácido fólico não alterou significativamente os riscos de doenças da mama.
Segundo os autores do estudo, os resultados são preocupantes. Embora nem todas as doenças benignas da mama evoluam para um câncer, os pesquisadores reconhecem que esses problemas são fatores de risco importantes e consistentes para uma doença maligna na mama. Para eles, o álcool aumenta o risco dessas doenças benignas, e esses efeitos negativos não são amenizados pelo ácido fólico.
 
Cientistas encontram 'interruptor genético' de câncer no intestino
G1 – 12/04/2012
Uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Case Western, em Ohio, nos Estados Unidos, identificou um novo mecanismo genético pelo qual se desenvolve o câncer de intestino grosso (também conhecido como câncer colorretal ou câncer de cólon). A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (12) na revista “Science Express”.
A doença se caracteriza pelo desenvolvimento de um tumor no intestino grosso. Mas pode ser prevenida, pois quase sempre se desenvolve a partir de pólipos (lesões benignas crescidas na parede do intestino) facilmente retirados por meio de exame de colonoscopia.
A equipe descobriu um conjunto de interruptores, ou seja, elementos que "ligam e desligam" genes que podem causar o surgimento desses tumores. Eles criaram o termo VEL, sigla em inglês que significa algo como "potencial variante de genes" para descrever essas mudanças.
Os VELs não são mutações na sequência de DNA real, mas alterações nas proteínas que se ligam ao DNA.
Ao longo de três anos, a equipe mapeou os locais de centenas de milhares de elementos de genes no DNA de tecidos normais e cancerosos do cólon, identificando as variantes genéticas que diferiam entre os dois tipos.
"O que é particularmente interessante é que os Vels definem uma 'assinatura molecular' do câncer do cólon. Significando que eles são encontrados em várias amostras do tumor, apesar do fato de os tumores surgirem em indivíduos diferentes e em diferentes fases da doença, ", diz Peter Scacheri, autor sênior do estudo.
"O passo seguinte será essencial para determinar se podemos usar Vels na ‘medicina personalizada’, como forma de definir grupos distintos de câncer de cólon que diferem em seu comportamento clínico, e para permitir a seleção de medicamentos específicos que melhor tratam um tumor de cólon", diz Sanford Markowitz, oncologista do Seidman Cancer Center, cuja equipe colaborou no estudo.
"O código genético não é apenas uma série de As, Ts, Gs e Cs amarrados juntos. Marcadores epigenéticos de DNA dizem quando, onde e o quanto os genes ligam e desligam para manter as células saudáveis", diz Batool Akhtar-Zaidi, doutorando no laboratório de Scacheri.
"Quando esse mecanismo epigenético é interrompido, como podemos ver com o Vel, isso pode fazer pender a balança para o câncer", conclui Akhtar-Zaidi.